ACOMPANHE-NOS    
SETEMBRO, TERÇA  29    CAMPO GRANDE 23º

Cidades

Servidor da Assembleia Legislativa foi alvo de mandado de busca, diz Gaeco

“Ele vai ter de se explicar”, diz deputado Zé Teixeira sobre funcionário alvo de operação

Por Anahi Zurutuza e Leonardo Rocha | 08/08/2018 11:02
Viatura da PM chegando à sede do Gaeco em Campo Grande; pelo menos 200 policiais militares dão apoio à força-tarefa (Foto: Marina Pacheco)
Viatura da PM chegando à sede do Gaeco em Campo Grande; pelo menos 200 policiais militares dão apoio à força-tarefa (Foto: Marina Pacheco)

Marcos Antônio Silva de Souza, conhecido como Marcão, de 50 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (8), mas não teve a prisão preventiva decretada. Um dos presos da Operação Grãos de Ouro é o empresário Siloé Rodrigues de Oliveira, dono da Forte Corretora de Cereais.

Sob a coordenação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) de Mato Grosso do Sul, equipes de promotores e policiais militares foram às ruas de 7 Estados para cumprir 136 mandados – 32 de prisão preventiva e 104 de busca e apreensão.

Na mira da força-tarefa estão integrantes de esquema de sonegação fiscal envolvendo a produção de grãos, principalmente a soja, em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Também na manhã desta quarta-feira (8), o Gaeco e a Assembleia Legislativa divulgaram nota de esclarecimento sobre a presença de uma das equipes da operação na Casa de Leis. “Em razão das notícias veiculadas sobre operação ‘Grãos de Ouro’, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul tem a esclarecer que não é alvo da investigação e, igualmente, nenhum parlamentar”, diz a nota enviada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

O Gaeco explicou, por meio da assessoria de imprensa, que uma equipe da força-tarefa realmente esteve na sede do Legislativo estadual, conforme adiantou o Campo Grande News, mas deixa claro que o único alvo da opera é o servidor, também já citado em reportagem anterior. “O fato ocorrido no prédio da Assembleia Legislativa, nesta manhã, decorre de mandado contra o servidor efetivo Marcos Antônio Silva de Souza, que não foi preso”.

A promotora de justiça Cristiane Mourão, chefe da “tropa de elite” do MPMS, estava no comando da equipe que fez buscas na residência e sala de trabalho de Marcão. Ainda conforme a nota, a força-tarefa “verificou - única e exclusivamente - a mesa do servidor, sem que nada tenha sido levado”.

Marcos Antônio em foto tirada para o registro da candidatura dele na Justiça Eleitoral, em 2016 (Foto: TSE/Divulgação)
Marcos Antônio em foto tirada para o registro da candidatura dele na Justiça Eleitoral, em 2016 (Foto: TSE/Divulgação)

Na Assembleia - Primeiro secretário da mesa diretora da Assembleia Legislativa, o deputado estadual José Teixeira (DEM) também comentou que a operação do Gaeco nada tem a ver com os parlamentares. “Ele que vai se explicar”, afirma o parlamentar.

Teixeira afirma que Marcão é servidor há muitos anos. “Ele é efetivo aqui, foi por muito tempo assessor do Ary Rigo”, ex-deputado estadual.

Consta no Portal da Transparência da Assembleia Legislativa que Marcão ocupado cargo de “apoio técnico parlamentar 1”, cujo salário é tabelado em R$ 6.521,12. Ele está lotado no gabinete do deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB). O funcionário também já foi candidato a vereador em Campo Grande pelo Solidariedade. 

O 1º secretário revela que conhece Marcão profissionalmente. “Não sabia de nada que desabonasse a sua conduta e ele sempre me tratou com muito respeito aqui”.

Zé Teixeira preferiu não comentar, por enquanto, se o servidor será alvo de investigação interna.

“A Assembleia Legislativa apoia as apurações e aguarda o total esclarecimento dos fatos”, completa a nota enviada à imprensa.

Regras de comentário