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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

07/12/2010 10:30

Tratamento difícil de câncer em MS faz doentes migrarem para Barretos

Marta Ferreira e Viviane Oliveira

De 2006 a 2009, hospital de SP recebeu mais de 11 mil pacientes de MS

O hospital, a 709 km de Campo Grande, registrou mais de 11 mil pacientes com origem em Mato Grosso do Sul em 4 anos.O hospital, a 709 km de Campo Grande, registrou mais de 11 mil pacientes com origem em Mato Grosso do Sul em 4 anos.

Sábado, 4 de dezembro, 20h. A costureira Elza Batista de Souza, de 55 anos, moradora em Terenos, embarca na Estação Rodoviária de Campo Grande, com destino a Barretos (SP). Ela vai enfrentar pelo menos 11 horas de estrada em busca de tratamento para um câncer na garganta, descoberto em setembro.

Nem os exames que se seguiram ao diagnóstico inicial da doença Elza fez em

Campo Grande. Foi orientada pela médica que a operou e identificou um tumor a seguir direto para a cidade paulista onde fica um hospital referência em tratamento oncológico.

A costureira não reclama da falta de atendimento local. Ela conta que decidiu encarar a viagem, pelo menos uma vez ao mês, porque tentou marcar os exames, mas o tempo de espera era muito para quem já havia sofrido um ano com dores e um caroço no pescoço, sem identificar do que se tratava. “Aqui depois de dois meses me ligaram pra fazer um dos exames, mas já tinha feito. Em uma semana fiz todos os exames necessários em Barretos”, compara.

A história da costureira é a de muitos doentes de câncer em Campo Grande e no restante do estado, que enfrentam uma demorada fila para conseguir tentar se livrar de uma doença com alto índice de mortalidade.

A solução, para muitos, tem sido enfrentar a viagem até Barretos e procurar na cidade paulista o atendimento não encontrado com facilidade em Mato Grosso do Sul.

Terceiro lugar-Essa migração de pacientes, apenas parte deles de cidades vizinhas ao Estado de São Paulo, faz com que Mato Grosso do Sul seja o terceiro estado com maior número de pacientes atendidos pelo hospital de Barretos, atrás de São Paulo e de Minas Gerais.

De 2006 a 2009, o hospital registrou mais de 11 mil pacientes com origem em Mato Grosso do Sul, cerca de 500 de Campo Grande. O raciocínio lógico é que, por ser capital, a cidade deveria oferecer uma rede de tratamento mais eficaz.

Não é o que vem ocorrendo. A rede pública campo-grandense hoje só tem tratamento de radioterapia no Hospital do Câncer Doutor Alfredo Abrão. No Hospital Universitário, durante anos uma referência no setor, o aparelho está desativado há mais de 2 anos, sem expectativa de volta breve à atividade.

O MPF (Ministério Público Federal) identificou, no mês de outubro, uma fila de pacientes aguardando radioterapia em Campo Grande que chegava a 170 pessoas. Indagada, a direção do Hospital do Câncer disse que não havia como ampliar o seu atendimento pelo SUS (Sistema Única de Saúde). As autoridades da saúde foram chamadas pelo MPF e a solução encontrada foi aumentar o repasse para uma clínica particular, a Neorad. Conforme definido em reunião no dia 17 de novembro, a clínica passaria a receber R$ 1 milhão, por quatro meses, para que a fila da radioterapia diminuísse

Alguns, como a dona-de-casa Francisca Henrique Teles, 72 anos, acabam voltando a buscar atendimento em Campo Grande para evitar a viagem cansativa. Ela se em Barretos durante 3 anos. “Só agora transferi para o Hospital do Câncer, mas lá o tratamento é muito bom”, comenta em relação à cidade paulista.

A costureira Elza embarca na Rodoviária de Campo Grande para buscar tratamento em Barretos (SP). (Foto: Viviane Oliveira)A costureira Elza embarca na Rodoviária de Campo Grande para buscar tratamento em Barretos (SP). (Foto: Viviane Oliveira)

Paliativo -A solução não é a que o MPF considera a mais acertada. Para o procurador Felipe Fritz, que atua na defesa dos Direitos do Cidadão, repassar mais dinheiro a um estabelecimento particular apenas remedia o problema, mas, a longo prazo, tira do Poder Público recursos que poderiam ser investidos em uma solução definitiva.

“O MPF aceita como solução temporária e imediata, mas não concorda absolutamente com essa situação”, afirma o procurador. O recurso a instituições privadas, em saúde, só pode se dar complementarmente”, argumenta.

“Estado e município pagarão para clínica particular um montante que, ao longo de poucos anos, lhe permitiriam montar toda a estrutura necessária para o funcionamento de uma radioterapia em hospital público”, observa. Em apenas 4 meses, vão ser R$ 4 milhões.

Fritz prossegue dizendo que a situação só chegou a esse ponto por erros na gestão dos recursos da saúde. “Por que essa situação? Porque não houve investimento na área pública. Derramam-se recursos vultosos na rede privada de saúde – e aí incluo as instituições filantrópicas, como Hospital do Câncer e também Santa Casa – mas pouco se aplica, em termos proporcionais, nos hospitais públicos. É necessário investir na oncologia de hospitais públicos. Temos aqui o Hospital Regional e o Hospital Universitário – o que é que tem sido feito para criar ali uma radioterapia de ponta? Nada.”, resume o procurador.

Custeio - Além de convocar as autoridades para buscar uma solução na oferta de tratamento de radioterapia, o MPF também convocou pacientes para fazer uma espécie de mapeamento da situação.

Há um temor de que vítimas da doença estejam morrendo sem ter a chance de se tratar. “Temos ouvido muitos médicos oncologistas de Mato Grosso do Sul que atendem no SUS, e a informação é que o tempo de espera no estado até a realização de radioterapia em muitos casos acaba afastando as possibilidades de cura”, diz o procurador.

Para quem busca e não consegue tratamento local, as viagens para fora do Estado devem ser custeadas pelo SUS.

“O SUS deve custear essa viagem, por meio do TFD (Transporte Fora de Domicílio), instituído pelo Ministério da Saúde e operacionalizado pelos estados e municípios. Outra opção é o paciente procurar diretamente unidades de saúde em outros estados. É um recurso em caso de extrema necessidade: ou o paciente fica sem socorro ou se submete a se tratar fora de sua cidade, de seu município, muitas vezes enfrentando situações difíceis de moradia e sustento”, explica Felipe Fritz.

Em Barretos, já existe uma casa de repouso dedicada aos pacientes de Mato Grosso do Sul, como relata a costureira Elza.

Em Campo Grande, uma entidade presta atendimento e orientação aos doentes, a Abrapec (Associação Brasileira de Assistências a Pessoas com Câncer), Fátima Costa Marques.

“Quando o tratamento é encaminhado pelo médico é tudo subsidiado pelo governo”, esclarece, sobre a ida de pacientes campo-grandenses para Barretos.

Segundo ela, “a Abrapec dá assistência e apoio às pessoas com câncer, orienta sobre os direitos que os pacientes têm, supre necessidades básicas e dá assistência psicológica”.

Serviço:

A Abrapec fica na avenida General Nepumuceno Costa 605 Vila Alba fone: 2106-9797/ 2106-9729.

O MPF em Campo Grande fica na avenida Afonso Pena 4444 Vila Cidade fone: 3312-7200. 10:43

Hospital do Câncer de Campo Grande não suporta a demanda.Hospital do Câncer de Campo Grande não suporta a demanda.
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Campo Grande necessita urgentemente de um Centro de Oncologia que atenda a demanda dos casos da região
 
celia spinardi em 06/05/2012 05:31:11
Muito bom o exemplo do ministerio publico em investigar e fiscalizar a utilização do dinheiro publico investido na saude.O bom investimento com certesa melhorara a qualidade do atendimento na rede publica e nao sera mais necessario que nenhuma empresa privada vinculada aos mandatarios da rede publica receba o dinheiro do contribuinte,a nao ser que esta seja a unica solução possivel.
 
joao dias em 10/12/2010 09:52:01
A 2 anos minha mãe morreu de câncer, foi tratado no hospital do câncer aqui de campo grande, no caso dela era mesmo uma situação muito complicada porque foi diagnosticado tarde demais e era um câncer muito agressivo, mesmo se tratando de um caso paliativo e que minha mãe estava mesmo morrendo, teve um tratamento digno e o que e mais importante com muito carinho e atenção no hospital do câncer que realmente ja naquela época tratava de muita gente e ja era sobrecarregado .
nunca tive a oportunidade de agradecer os médicos e profissionais que la trabalham, fica aqui então a mais sincero obrigado a esse profissionais que mais parecem anjos.
uma das coisa que realmente foi complicada no tratamento da minha mae era alguns exames em clinicas particulares como sintilografias por exemplo, essas clinicas mais pagas pelo sus alem de um transtorno de ir autorizar as guias na sesal que pra essa pessoas debilitadas e muitas veses sozinha nao e fácil ainda tem que enfrentar a fila na clinica indicada . e fica um denuncia ela tem marcação de exames diferenciada sus e particular. falo isso pq marquei um exame em novembro fico pra janeiro. Logo depois perguntei pra mesma tendente quantos que custava o exame particular com duas semanas ela ''encaixou'' minha mãe para a realização do exame !!!
ou seja paciente do sus pode esperar mesmo nesses casos que o tempo significa vida ou morte ! o MP te que investigar isso também pq isso com certeza e um crime contra a vida. Talvez esses casos ou melhor descasos animem os pacientes a viajarem quase mil quilômetros com toda a dificuldade para brigarem pelo direito de viver .
 
jorge correa em 08/12/2010 12:06:49
Fiz transplante de Medula 0sséa em Jaú-SP,é um centro também de referência em transplantes e tratamentos de càncer no Brasil e exterior,fiz tudo pelo SUS,não fica nada a desejar,inclusive tem só um pouco mais de 4 meses de transplantado, mas a resposta é o tratamento estão muito bem,comecei o tratamento no H.Regional de CG,onde existem uma equipe médica muito competente,fui bem assistido por aqui antes de ir pra Jaú fazer o TMO.

Só gostaria de lembrar que ser doador de Medula não custa nada,é um gesto de amor,que normalmente salva e prolonga vidas sem muito esforço e risco,eu graças a Deus recebi a minha da minha irmã,mas tem muita gente que precisa recorrer ao Banco de Medula ,por tanto não deixe de doar!!!
 
Clésio Cavalcanti em 08/12/2010 12:03:07
Uma vergonha,a capital Campograndense,com mais de 700.000 hb nao ter esse tipo de tratamento.Tive cancer de tireoide e graças a Deus ha tres anos fiz apenas um paliativo com iodo MCI 30.Me foi recomendado 131, porem so havia em Barretos.Apos uma PCI ficou confirmado que nao necessitava mais do tratamento fora de MS.Qdo se está tratando de uma doença como essa é que percebemos as centenas de pessoas que necessitam de recursos da saude e nao conseguem.Um pais que sedia uma copa do mundo nao tem recursos suficientes na saude??Indignaçao!
 
Ana Lucia em 08/12/2010 06:30:06
Durante três anos atrás acompanhei o tratamento de minha irmã Cleide Teles com 40 anos, e minha mãe Francisca Henrique Teles de 62 anos.Na época elas optaram ir tratar em Barretos, porque acreditavam em uma especialidade de médicos mais assistidas.Foi um tratamento excelente, mesmo sabendo que problemas graves existiam, e que minha irmã veio a falecer. Hoje em Campo Grande a demanda é enorme, aqui há muitos pacientes, que vem de outros estados ou município, fazer tratamento.No hospital de Barretos elas eram bem atendidas em todos os aspectos.Hoje minha mãe optou realizar o tratamento aqui em Campo Grande no hospital do câncer, por ficar mais próximo de sua casa.Em Barretos quando ela tomava o medicamento, ela passava mal e ficava muita fraca na estrada.Visto que é um dia de viagem de ônibus.
Hoje só temos a agradecer aos médicos de Barretos e Campo Grande dos hospitais. E dizer que as pessoas que vão para Barretos, não desanimem porque lá também é um hospital acolhedor.E que o hospital é chamado o hospital do Amor.Parabéns a todos por esta matéria. E que continuemos firmes e valorizando todos os profissionais que trabalham em hospitais.
 
Lindalva Henrique Teles Thiago. em 07/12/2010 12:44:20
O que acontece hoje é que quando os figurões: políticos de modo geral, adoecem, eles vão pros grandes hospitais de SP, às nossas custas.
Minha sugestão é que eles fossem obrigados a utilizarem a mesma estrutura que eles disponibilizam ao resto da população.
Da mesma forma na área de transportes, etc e tal. Os ministros e secretários de transportes nos oferecem estradas esburacadas e viajam só de avião.
 
Onofre de Almeida em 07/12/2010 12:27:20
Por vários anos essa luta, em Três lagoas, o Hospital do Câncer de Barretos faz campanhas trazendo caminhões para consultas e atendimento da população. As pessoas respondem colaborando com doações, leilões, etc. Ninguém por estas bandas vai a Campo Grande. Há um ônibus da prefeitura para levar paciêntes me parece ser semanal.
Só um adendo; pelo texto acima MS passa ser o segundo no envio da paciênte para Barretos ficando atrás de Minas, já que Barretos é uma cidade paulista.
 
João Edemam em 07/12/2010 11:50:56
O Hospital de Barretos é muito bom para a população de MS principalmente para a região do Bolsão.
A população do Bolsão sempre organiza leilões com fins lucrativos para o Hospital.
Temos que ajudar sim , pois é o unico lugar publico que o pobre eo rico tem o mesmo tratamento .
Agora recentemente foi inaugurada uma extenção da unidade de Barretos em Jales ficando apenas a 120 km de Paraniba MS.
 
Heliton Jose S Souza em 07/12/2010 09:31:13
Bem aqui em Cuiaba - Mt graças a deus ainda não estamos com esse tipo de problema o Hospital do Câncer de Mato Grosso esta com equipamentos modernos e trata pacientes do interior do estado e de outros lugares como bolivia e Rondonia e os hospitais conveniados com o Sus fazem todo tipo de quimio e radio .
 
APARECIDO ALBERTO RODRIGUES MARQUES em 07/12/2010 04:43:50
Acho correto, nescessário e urgente a intervenção do Ministério Público para regular o atendimento em Saúde Pública. É notório o corporativismo nesta atividade que se tornou em alguns casos, comercial, como é o caso na aplicação de próteses ortopédicas, quando estas são cobertas por planos de saúde. Salvo o paciente, quando médicos cujo comportamento ético se interpôem contrário a convencionar utilização de produtos inferiores, com a ocorrência de posterior retirada ou nova cirurgia.
A Anvisa e a ANS regulam procedimentos e normas para a boa execução dos trabalhos médicos, porém, o desconhecimento por grande parte da população torna os pacientes órfãos pela ausência de fiscalização em razão do silêncio do usuário dos serviços de saúde, muitas vezes por medo de retaliação. O espírito profissional deveria estar acima dos interesses financeiros, e o cidadão deveria ser acolhido e provido pelo Estado coletor de impostos, recebendo tratamento digno.
 
Almerindo de Oliveira em 07/12/2010 02:30:37
Devemos lembrar, que varios municipios do interior do estado ,tais como Inocência, Costa Rica , Paranaiba, Alcinopolis, Fiqueirão, entre outros, onde seus habitantes utilizam o serviço do Hospital do Cancer de Barretos, realizam anualmente leilões beneficientes em prol do Hospital. Porque será que Campo Grande, como uma populaçao "consideralvelmente maior " e poderes economicos maiores, tambem não realizam estes eventos ?? A populaçao da capital deveria tomar como exemplos esses pequenos municipios do interior e ajudar o proximo !!PARABENS MUNICIPIOS DO INTERIOR PELA INICIATIVA !!
 
João Lacerda em 07/12/2010 01:34:11
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