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Cidades

UFMS amplia vagas, mas sofre com falta professor, laboratórios e materiais

Por Zana Zaidan | 12/12/2013 16:37

Desde 2008, quando a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) aderiu ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), a oferta de vagas aumentou 73,8% - passou de 3.050, em 2009, para 5.302, em 2013.

No entanto, os investimentos provenientes do programa não chegaram junto com os alunos. No campus de Campo Grande, o maior da universidade, faltam professores e técnicos e a estrutura dos laboratórios e da biblioteca é deficitária. Outros problemas também se multiplicam.

O curso de Medicina é um dos que mais gera polêmica dentro da instituição. O MEC autorizou a abertura de 20 vagas na Capital, além da implantação do curso em Três Lagoas, onde serão ofertadas 60 novas vagas.

“Não sei como vão ampliar se mal dão conta dos alunos que já estudam”, comenta uma acadêmica do 6º semestre do curso, que preferiu não se identificar. Segundo ela, os microscópios dos laboratórios de Anatomia Patológica estão quebrados, e uma turma de 13 alunos precisou se revezar para assistir à aula prática. E faltam professores em pelo menos duas disciplinas do curso. “E isso vai atrasar a conclusão da minha graduação. Deveria ter assistido as matérias no segundo e a outra no quinto semestre, que foram adiadas até que tenha um professor”, acrescenta.

”E em Três Lagoas, os futuros médicos, que vão cuidar dos nossos filhos e netos vão aprender a atender os pacientes só nos livros”, comenta o acadêmico Matheus Carneiro, 19 anos. O campus da cidade não conta com um Hospital Universitário, previsto para ser inaugurado em dezembro de 2014.

Faltam professores e laboratórios, mas UFMS vai abrir Medicina em Três Lagoas (Foto: Divulgação)
Faltam professores e laboratórios, mas UFMS vai abrir Medicina em Três Lagoas (Foto: Divulgação)

Sem 200 professores - Segundo um técnico administrativo da instituição, que também não quis se identificar – ele explica que reclamações de funcionários são passíveis de represálias – o déficit atual de docentes chega a 200 na UFMS. Hoje, são 3,8 mil funcionários – 3 mil técnicos e 800 docentes.

Por enquanto, o vazio no quadro de professores é preenchido com a contratação de 170 professores substitutos, explica ele. “Mas, em alguns casos, os profissionais recebem propostas melhores e, por ser se tratar de um emprego temporário, optam pelo mais vantajoso, claro. Quando isso acontece no meio do ano letivo, os alunos são quem sofrem as conseqüências”, aponta.

Isso porque, conforme a UFMS, em dezembro de 2012 foi realizado “o segundo maior concurso da história da universidade” para seleção e ampliação do corpo docente. Foram oferecidas 162 vagas distribuídas entre cargos de professor auxiliar (especialista), assistente (mestrado) e adjunto (doutorado). A posse do concurso aconteceu em janeiro deste ano, segundo a instituição. Para o ano letivo de 2014, serão nomeados outros 39 professores, e em fevereiro, novo edital será publicado a fim de conter o déficit, e a expectativa é de contratação de 130 professores, além de mais vagas do Reuni.

Acervo da Biblioteca Central é considerado insuficiente pelos acadêmicos, que procuram bibliografia recomendada pelos próprios professores (Foto: Zana Zaidan)
Acervo da Biblioteca Central é considerado insuficiente pelos acadêmicos, que procuram bibliografia recomendada pelos próprios professores (Foto: Zana Zaidan)

E os livros? – A Biblioteca Central do campus, inaugurado há cinco anos, já não consegue suportar a demanda dos alunos – a reclamação é de que o prédio é pequeno e tem problemas na estrutura (banheiros sem manutenção, tomadas quebradas), e o acervo, de 60.728 livros, é insuficiente.

“O professor passa uma atividade para uma sala de 40 alunos, baseada em um livro, e todos têm que entregar no dia seguinte, por exemplo. Você vai na biblioteca e são três, as vezes um exemplar. Tem que fazer mágica para dar conta”, afirma a acadêmica Ana Karolina Orro, do 3º semestre de Análise de Sistemas. “O acervo do meu curso é péssimo, alguns livros nem estão disponíveis. E o que impressiona é que os próprios professores elaboram a bibliografia, então porque pedem a leitura de um material que a universidade não disponibiliza?”, questiona Maria Eduarda Alves, do 1ª ano de Pedagogia.

Outro problema é a estrutura física. “Ainda bem que os banheiros têm um acordo entre si, e quebram um de cada vez”, ironiza Eva Cruz, de Jornalismo. No dia que a reportagem esteve na biblioteca, os dois banheiros – masculino e feminino – do primeiro andar estavam interditados para manutenção. “E as salas de estudo são disputadas no tapa, são poucas. E, quando consegue uma vaga, tem que torcer para as tomadas não estarem quebradas”, acrescenta.

A UFMS, por sua vez, rebate que só em 2013, empenhou R$ 1,2 milhão para as bibliotecas, e adquiriu 21.428 novos exemplares de livros - 10.478 deles para a Biblioteca Central. Mas não esclareceu a situação dos banheiros e tomadas do prédio.

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