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24/05/2015 08:18

Único entre sete aptos, novo reitor do IFMS tem como desafio concluir obras

Instituto Federal escolhe reitor nesta segunda para administrar 37,8 milhões

Antonio Marques
Candidato único em eleição que acontece nesta segunda, Luiz Simão Staszczak tem 22 anos dedicados à educação tecnológica (Foto: Fernando Antunes)Candidato único em eleição que acontece nesta segunda, Luiz Simão Staszczak tem 22 anos dedicados à educação tecnológica (Foto: Fernando Antunes)
Paranaense de Ponta Grossa, Simão foi diretor geral do IFMS de Corumbá por dois anos ao chegar em MS (Foto: Fernando Antunes)Paranaense de Ponta Grossa, Simão foi diretor geral do IFMS de Corumbá por dois anos ao chegar em MS (Foto: Fernando Antunes)

Administrar um orçamento anual de R$ 37,8 milhões, dez campus com cerca de 8.300 estudantes em mais de 50 cursos de educação profissional e tecnológica no sistema presencial e EAD (Educação à Distância) em todo o estado. É o desafio do novo reitor do IFMS (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul) que, pela primeira vez na história será eleito pelo voto direto nesta segunda-feira, 25.

Dos sete servidores com condições para concorrer ao cargo maior da instituição somente o pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Luiz Simão Staszczak, 52 anos, inscreveu-se como candidato. Paranaense de Ponta Grossa, ele já tem 22 anos de carreira dedicados ao ensino profissional e tecnológico, iniciado no Cefet/PR (Centro Federal de Educação de Tecnológica do Paraná).

Em Mato Grosso do Sul, ele chegou em 2011 para assumir a função de diretor geral do campus de Corumbá, onde ficou por dois anos, depois assumiu a pró-reitoria de Pesquisa e Inovação na reitoria do IFMS em Campo Grande.

Durante entrevista ao Campo Grande News, na última quinta-feira, Simão, como é conhecido no Instituto, falou da expectativa de ser o único candidato na primeira eleição direta do órgão e dos desafios que vai enfrentar, caso seja aprovado pela maioria dos 8.332 eleitores, que vão às urnas no dia 25. Para ele, sua candidatura seria uma ato de coragem, palavra que ele ouviu de um estudante ao questioná-lo sobre o fato de não haver disputa, quando haviam sete pessoas com condições de concorrer ao cargo. “Assumi o desafio com apoio dos profissionais que trabalham comigo no IFMS e já conhecem meu compromisso e história com o ensino profissional e tecnológico”, comentou.

Dentre as propostas do candidato estão a melhoria da permanência dos estudantes na instituição, maior integração entre ensino, pesquisa e extensão, implantação de programas de apoio ao esporte e cultura e fomento à inserção do estudante no mundo do trabalho. “Além buscarmos completar nossos quadros de servidores, queremos melhorar a qualidade no atendimento aos nossos estudantes, possibilitando a prática de esporte, lazer e cultura”, garantiu, acrescentando que a cobertura das quadras de esportes será um compromisso.

Com atraso de mais de dois anos, a obra do instituto na Capital continua inacabada e depende de nova licitação para conclusão (Foto: Marcos Ermínio/Divulgação)Com atraso de mais de dois anos, a obra do instituto na Capital continua inacabada e depende de nova licitação para conclusão (Foto: Marcos Ermínio/Divulgação)
O novo reitor vai administrar um orçamento de R$ 37,8 milhões neste ano. (Foto: Fernando Antunes)O novo reitor vai administrar um orçamento de R$ 37,8 milhões neste ano. (Foto: Fernando Antunes)

O IFMS é a primeira instituição pública federal a oferecer educação profissional e tecnológica no estado. Foi criado em dezembro de 2008, quando o MEC (Ministério da Educação) implantou a reestruturação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no país. Já atende cerca de 8.300 estudantes no ensino presencial e na EAD em mais de 50 cursos em dez campus.

Com campus em dez municípios – Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Ponta Porã e Três Lagoas – o Instituto oferece, gratuitamente, educação profissional e tecnológica nos níveis básico e superior em diferentes modalidades de ensino com inserção na pesquisa aplicada e em ações de extensão tecnológica.

O Câmpus Nova Andradina foi o primeiro a entrar em funcionamento, em 2010. No ano seguinte, os outros seis câmpus iniciaram as atividades de ensino. Em 2014, foram implantadas três novas unidades nos municípios de Dourados, Jardim e Naviraí.

Mas a história do Instituto no estado foi marcada por escândalo de corrupção envolvendo o primeiro reitor da instituição Marcus Aurélius Stier Serpe, que teve bens bloqueado após denúncia do MPF (Ministério Público Federal) de irregularidade no contrato para a construção do campus em Três Lagoas. Além disso, a compra da atual sede da reitoria em Campo Grande também foi marcada por mais denúncias por superfaturamento na compra e reforma do prédio, que não dispunha de estacionamento. Situação essa resolvida com a locação de uma área ao lado da sede para ser usada como estacionamento. Medida também questionada por servidores do próprio órgão, na época.

Outro problema enfrentado pelo IFMS no estado são os atrasos nas obras dos câmpus. Dos dez, apenas a metade está funcionando em sede própria. As construções dos câmpus de Campo Grande e Corumbá são as mais problemáticas, com maior atraso nas obras e sem previsão de entrega. De acordo com a assessoria do Instituto, em razão de rompimento nos contratos com as empresas por descumprimento e até abandono nas obras, nos dois municípios estão sendo realizados novos processos licitatórios.

Com a saída do ex-reitor Marcus Serpe, o órgão passou a ser comandado pela professora Maria Neusa de Lima Pereira, que assumiu em maio do ano passado. Ela foi indicada pelo MEC como reitora pró-tempore, até que o IFMS púdesse realizar a eleição de um novo reitor.

Com pulso firme e rigorosa nas decisões, professora piauiense radicada no estado de Roraima, onde fez carreira, inaugurou as sedes próprias em Aquidauana, Coxim e Três Lagoas. Feliz por ter dado sua contribuição a educação profissional e tecnológica em Mato Grosso Sul, Maria Neusa está contando os dias para retornar a Roraima.

Desafios - o futuro reitor vai ter o desafio de concluir as obras das sedes da Capital e Corumbá, além de acelerar o início das obras em Naviraí e Jardim. Na cidade de Dourados, o campus está em fase final da construção e a entrega do prédio está prevista para o final do mês que vem, conforme a assessoria do IFMS. Mas ainda vai ser necessário a aquisição de todo o mobiliário para o funcionamento da unidade.

O novo reitor vai administrar um orçamento de R$ 37,8 milhões neste ano. Serão R$ 21,4 milhões para o custeio nas dez unidades e R$ 16,4 milhões para investimentos, o que é considerado pouco para a amplitude do Instituto, que tem atualmente, 286 professores e 364 técnicos administrativos no quadro de servidores e atende 7.682 estudantes nos cursos presenciais.

Ainda como desafio, novo reitor quer criar projetos de incubadoras ligados aos câmpus nos municípios para possibilitar de incentivar que os alunos possam elaborar seus diversos projetos e poder apresentar ao mercado e à sociedade as inovações e novas tecnologias desenvolvidas no estado.

Conforme Simão, o foco da gestão está na melhoria dos processos de forma a aperfeiçoar a política de distribuição dos recursos orçamentários, além da implantação de conselho para democratizar ainda mais e dar maior transparência na gestão de recursos, equipamentos e materiais.

Resultados – mesmo com pouco mais de cinco anos em funcionamento, os resultados obtidos nos em vários câmpus são motivos de orgulho para os profissionais do IFMS. A vitória mais recente envolve seis estudantes e dois professores, que apresentaram projetos de pesquisa na edição 2015 da Intel ISEF (Feira Internacional de Ciências e Engenharia), realizada entre os dias 10 e 15 de maio, em Pittsburgh (EUA), considerado a maior competição científica de ensino médio do mundo, e receberam quatro premiações.

Um dos projeto foi o “Termociclador de baixo custo para amplificação de DNA”, aparelho que pode reduzir custos e ampliar o acesso a exames clínicos associados ao DNA, desenvolvido pelo estudante Luiz Fernando Borges, do Câmpus Aquidauana, foi considerado o melhor projeto de tecnologia social brasileiro pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Outro projeto premiado foi a “Miniplataforma de coleta de dados agrometeorológicos: utilizando tecnologias computacionais livres”, criada para auxiliar o processo de cultivo em propriedades rurais. Desenvolvido no Câmpus Campo Grande pelos estudantes Eduardo Campos, Lucas Moraes e Pedro Rocha, sob a orientação do professor Jiyan Yari, o trabalho conquistou o terceiro lugar na menção honrosa da Sociedade Americana de Meteorologia.

Estudantes do IFMS premiados recentemente em feira internacional realizada no início de maio, em Pittsburgh (EUA) (Foto: Divulgação/IFMS)Estudantes do IFMS premiados recentemente em feira internacional realizada no início de maio, em Pittsburgh (EUA) (Foto: Divulgação/IFMS)

Simão também relatou que os estudantes formados nos câmpus, que já somam cerca de 2.500, estão atuando no mercado, com capacidade técnica e profissional para enfrentar qualquer desafio. Contou ele, a Marinha do Brasil realizou concurso para nove vagas para técnicos e as nove foram ocupadas por formandos do campus local. Também havia estudantes aprovados no concurso da Petrobras. “Nossos estudantes tem um ensino de qualidade e deixa o Instituto para ingressar no mercado de trabalho com compromisso em fazer o melhor”, comentou o candidato a reitor.

A eleição acontece na próxima segunda, 25, simultaneamente em todas as unidades do IFMS. Estão aptos a votar 8.332 eleitores, distribuídos entre professores, técnicos administrativos e estudantes. O resultado deve ser homologado no dia 11 de junho e enviado ao Ministério da Educação, em Brasília. A partir daí passa a contar um prazo de até 90 dias para aprovação do nome do novo reitor do IFMS.

No mesmo dia, também acontece a eleição para o cargo de diretor-geral do campus Nova Andradina. Lá são dois concorrentes, o atual diretor geral Márcio Lustosa Santos, 36 anos, disputa com Claudio Zarate Sanavria, 36 anos. A comunidade acadêmica local, além de votar para reitor, também irá eleger o novo diretor geral.



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