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Em Pauta

A administração que todos necessitamos está nos bancos de dados da prefeitura

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 05/02/2014 07:36
A administração que todos necessitamos está nos bancos de dados da prefeitura

Exemplos existem...

Big data, este o nome que se popularizou a leitura eficiente de uma imensa quantidade de informações disponíveis nos bancos de dados das prefeituras. Não estão lendo. Não se trata de ler erroneamente e sim de não ler, de não estudar.

Vejam o que já está sendo feito:

- No Rio de Janeiro, ao cruzar informações sobre localização de maternidades, número de gestantes e de partos previstos para o ano, o Programa Cegonha Carioca se antecipa em meses à demanda por leitos nas maternidades. O resultado é a queda de partos por cesariana, chegando a 33% e um número muito pequeno de partos de emergência. Na microrregião de saúde de Campo Grande o percentual de partos por cesariana se mantinha acima de 50% quando a OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza um máximo de 20% para a América Latina.

- Em Memphis, nos EUA, a polícia pode chegar a uma esquina perigosa antes de ter sido chamada pela vítima de um assalto ou por uma testemunha para atender uma ocorrência de furto. Sensores acústicos foram instalados o bairro Guajuviras em Canoas – RS, cognominado a “Bagdá brasileira”, por causa de seus índices de violência, informam uma central da polícia quando uma arma é disparada. O número de homicídios caiu 53%. Em Campo Grande, a instalação de câmeras nas ruas ainda não passa de um sonho distante, não consta como ação prioritária da Prefeitura.

- Em São Carlos, no interior paulista, o celular, com um aplicativo instalado, avisa o usuário de transporte coletivo sobre quantos minutos seu ônibus levará até chegar ao ponto. Em Campo Grande ainda vivemos a fase de trocar ônibus velhos por novos. Uma pauta com pelo menos 15 anos de atraso.

- Na Noruega, o cruzamento de informações dos bancos de dados públicos sobre aposentados e pensionistas ajuda a planejar melhorias no sistema de saúde. Na Capital do Mato Grosso do Sul, a prefeitura corre atrás da falta de medicamentos e insumos nos postos de saúde. Um debate que tem pelo menos 30 anos de existência. Ainda não apresentaram nenhuma tranquilidade à população a algo tão vital como distribuir medicamentos de maneira minimamente eficiente. Onde reside a dificuldade de uma operação que envolve: determinar a compra, licitar, receber os medicamentos e distribuí-los na rede depostos?

A administração que todos necessitamos está nos bancos de dados da prefeitura

Os exemplos comentados integram nova realidade na gestão pública moldada pelo avanço da tecnologia

De um lado é possível capturar um volume crescente de informações sobre tudo o que está acontecendo nas ruas por meio de câmeras e de sensores eletrônicos. De outro lado, há um clamor pedindo por uma intimidade cada vez maior na relação cotidiana da prefeitura com seus cidadãos – e essa intimidade pode resultar na acumulação de toda a sorte de informações sobre cada um de nós.

A carteira de vacinação das crianças, os dados do IPTU(Imposto Predial e Territorial Urbano) e as matrículas nas escolas e nas creches, são algumas das fontes de conhecimento do perfil, do histórico e dos hábitos do cidadão.

Até há pouco tempo, os órgãos públicos, enredados na burocracia, pouco proveito tiravam desse acervo imenso. Mas o cenário começou a mudar. À moda das empresas privadas, que se esmeram para desenvolver produtos de acordo com o gosto da freguesia, alguns governantes têm feito o mesmo, tomando como ponto de partida o conhecimento arquivado sobre os indivíduos e o que se passa com eles. Os “produtos” do governo são os serviços públicos, os “clientes” são os cidadãos e o “lucro” pode ser o bom resultado nas urnas. Big data nada tem a ver com o uso de Facebook por assessores.

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Uma só marca. Muitos produtos diferentes

Já comprou a calça da nova coleção de roupas da Coca-Cola? Tem em sua casa a batedeira de bolo da Ford? E o que dizer dostablets e violões da marca Mormaii (marca de roupas para surfistas)?

Por mais de um século, os produtos que levam a marca da montadora americana Ford só poderiam ser encontrados num único lugar – uma concessionária de automóveis. Mas, desde setembro, tornou-se possível encontrá-los também em lojas de eletrodomésticos. Hoje, a marca aparece estampada em aparelhos como batedeiras e fornos elétricos. Desenvolvidos no Brasil a empresa espera fechar o ano com 100 mil peças vendidas em apenas 4 meses.

A extensão da marca é uma estratégia cada vez mais adotada por grandes empresas no país. Um estudo realizado pela consultoria especializada em gestão de marcas Troiano com 456 marcas mostrou que 80% delas tem pelo menos um produto diferente com a mesma marca Há apenas 3 anos o índice era de 60%.

Em boa parte das experiências existe um acordo de licenciamento com uma fabricante especializada. Para a empresa que compra a licença, a vantagem é óbvia. Com o empréstimo de um nome famoso, emplacar um produto novo tende a ser muito mais fácil. Para as proprietárias das marcas o peso de um eventual prejuízo também cai bastante quando o eventual investimento fica nas mãos de uma parceira. No caso dos eletrodomésticos Ford, todo o risco é da empresa brasileira NKS, que faturou R$200 milhões em 2012 e entrou em um segmento mais sofisticado em 2013 com a marca Ford.

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A geladeira do futuro

A geladeira externa da Electrolux, concebida pelo francês Nicolas Hubert, foi pensada para ser colocada nas fachadas exteriores dos prédios de apartamentos ou para ser transportadas a qualquer lugar. No inverno aproveitam o frio exterior, e no verão, esfria com energia solar. Será comercializada, na Europa, dentro de alguns meses.

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57% das crianças até 5 anos sabem utilizar aplicativos de smartphones; 14% sabem amarrar os sapatos

A impressão que quase todos têm da capacidade das crianças desta geração em operar todo tipo de eletrônico é bem mais que isso. O estudo “Digital Diaries”, promovido pela AVG Tecnologies revela que as habilidades digitais sobrepõem as chamadas etapas-chave do desenvolvimento infantil. Nos últimos dois anos, por exemplo, o número de crianças de até 9 anos capazes de utilizar aplicativos de smartphones cresceu 38%. A pesquisa ouviu 6 mil mães em dez países, entre eles o Brasil.

Entre as conclusões estão a de que a vibração dos pais, que antes era ver o filho andar de bicicletas sem rodinhas pela primeira vez está perdendo espaço para o envolvimento nas habilidades digitais adquiridas pelas crianças. Hoje, elas são capazes de operar um smartphone ou acessar um navegador de Internet cada vez mais cedo. Cada vez mais isso deixa de ser uma surpresa. Na faixa etária entre 3 e 5 anos, 66% das crianças são capazes de operar jogos de computador e 47% um smartphone (47%). Na mesma faixa etária, somente 14% conseguem amarram os próprios tênis sozinhas e 23% sabem nadar.

Os números deveriam chocar. A privacidade de crianças de zero a dois anos, por exemplo, não é respeitada porque 81% das mães já postaram uma foto dos filhos na internet. O índice sobe para 94% quando falamos de Brasil.

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