Homenagem do Dia da Mulher na Assembleia começa com minuto de silêncio
Cerimônia lembrou os sete feminicídios registrados nos três primeiros meses do ano em Mato Grosso do Sul
A sessão solene de entrega do Troféu Troféu Celina Jallad, realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira (10), começou com um minuto de silêncio em memória das sete mulheres vítimas de feminicídio no Estado. Ao todo, 33 mulheres sul-mato-grossenses foram homenageadas durante a cerimônia, realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher.
RESUMO
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul realizou sessão solene para entrega do Troféu Celina Jallad, iniciada com um minuto de silêncio em memória das sete mulheres vítimas de feminicídio no Estado. O evento homenageou 33 mulheres sul-mato-grossenses em alusão ao Dia Internacional da Mulher. Durante a cerimônia, parlamentares e a primeira-dama Mônica Riedel destacaram a escalada da violência contra mulheres e a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção. O troféu, que reconhece trajetórias femininas de destaque em diferentes áreas da sociedade, homenageia Celina Jallad, primeira mulher a presidir a CCJR.
O momento foi solicitado pela deputada estadual Lia Nogueira (PSDB), que pediu que todos os presentes se levantassem para homenagear as vítimas. “Estamos vivendo uma escalada de violência contra nós, mulheres, em Mato Grosso do Sul e também no cenário nacional. Nosso direito a políticas públicas persiste, mas o direito à vida precisa ser maior”, afirmou.
Segundo a parlamentar, o aumento dos casos de violência exige reação das instituições e da sociedade. “Não podemos mais conceber que mulheres sejam assassinadas por serem mulheres. Este Parlamento tem papel fundamental na adoção de medidas junto ao Executivo para que não vejamos mais vidas sendo perdidas e filhos ficando órfãos”, disse.
Durante a cerimônia, a deputada Gleice Jane (PT) também citou o cenário de violência contra mulheres. "Nós nunca tivemos um cenário tão cruel contra as mulheres. Nunca vimos uma realidade que a violência contra as mulheres é marcada pelo ódio, pelo ódio simplesmente à nossa existência", disse ela.
Segundo a parlamentar a vestimenta usada hoje foi escolhida em forma de protesto. “Vim de vermelho para lembrar o sangue das mulheres derramado no país, mas também para representar nossa luta e resistência pela vida”, declarou.
A deputada Mara Caseiro (PSDB) reforçou que os casos de feminicídio não podem ser naturalizados. Ao citar o nome das vítimas, afirmou que eram mulheres com sonhos e histórias interrompidas pela violência. “Não podemos permitir que mulheres percam o direito à dignidade e à vida. Precisamos continuar falando e lutando contra essa violência”, afirmou.
A parlamentar ainda reforçou que o protagonismo feminino na gestão pública não é somente uma conquista, mas uma necessidade. "Hoje as mulheres representam quase 46% da força de trabalho na administração pública federal. É um número expressivo, é quase metade da estrutura que mantém o Estado funcionando todos os dias. Mas quando olhamos para os cargos mais altos de liderança, percebemos que ainda há um longo caminho a percorrer", disse.
Presente na cerimônia, a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, citou a trajetória de Maria da Penha e destacou a força da mulher que inspirou a criação da Lei Maria da Penha. Ela relatou ter conhecido Maria da Penha recentemente e disse ter se emocionado ao ouvir a história da ativista, que levou um tiro do marido enquanto dormia e levou duas décadas para ver o agressor condenado.
“Imaginem há 40 anos uma mulher ter que provar por 20 anos que sofreu violência, mesmo com todas as provas. Hoje ela ainda enfrenta ataques e precisa andar com segurança”, afirmou.
Para Mônica, apesar da gravidade dos casos, hoje existem mais mecanismos de proteção às vítimas. “Hoje a mulher que sofre violência tem caminhos que antes não existiam. Tem onde buscar ajuda, registrar ocorrência e pedir medida protetiva. Precisamos continuar batalhando enquanto houver uma mulher sofrendo violência”, disse.
Criado para reconhecer trajetórias femininas de destaque em Mato Grosso do Sul, o Troféu Celina Jallad homenageia mulheres que se destacam em diferentes áreas da sociedade. Professora e empresária, Celina foi a primeira mulher a presidir a CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) e a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente do Parlamento.
Confira quem são as homenageadas:
- Venilda dos Santos Ceconi
- Nair Branti
- Gianni Dias Aguillar Nogueira
- Tatiana Dias de Oliveira Said
- Camila Ledesma Santana de Almeida
- Joana Marques de Almeida Michalski
- Alenis Izabel de Oliveira Gomes
- Celina Elaine Borges Monteiro Cassiano
- Paula Zanata
- Solange Fachin
- Aparecida Gonçalves
- Wanice Luciana de Oliveira
- Débora Queiroz de Oliveira
- Andréia Cristina Marino
- Ceureci Fátima Santiago Ramos
- Iacita Terezinha Rodrigues de Azamor Pionti
- Mari Jane Boleti Carrilho
- Marlise Helena de Barros
- Nilza Gomes da Silva
- Wania Alecrim de Lima
- Claudinete da Silva Lisboa
- Dra. Marília Bastos Gontijo Pulcherio
- Vera Lúcia de Souza Santos
- Fernanda Gomes Serafim
- Ledi Ferla
- Paola Barbosa Dias
- Gerolina da Silva Alves
- Maria Girleide Rovari
- Sumara Ferreira Leal
- Elaine Aparecida Soligo
- Patricia Elias Cozzolino de Oliveira
- Elizangela Regina Marques Rosa
- Fabia Balhs Machado
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