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31/12/2016 08:30

A doce vida dos idosos no Japão

Mário Sérgio Lorenzetto
A doce vida dos idosos no Japão

O Japão é o país com a maior proporção de idosos do mundo: mais de 26% da população tem 65 anos ou mais. São 10 milhões de idosos nas ruas do Japão. Isso mesmo, nas ruas. Lugar de idoso no Japão é passeando nas ruas e não preso em uma casa.

Isso é válido até para quem perdeu a memória com doenças como o Alzheimer. Para quem não sabe, a perda da memória por senilidade ou Alzheimer traz um verdadeiro desespero para os familiares. Os idosos sem memória costumam perder-se nas ruas, esquecem o endereço de suas residências. O governo japonês encaminhou a melhor solução tecnológica existente no mercado para esses casos - colou Códigos QR nas unhas dos idosos. Colam os "QR Codes" em todas as unhas dos pés e das mãos dos idosos. Eles contêm todos os dados do idoso como nome, endereço, telefone de contato...

A tecnologia permite obter os dados pessoais apenas escaneando os QR Codes que é à prova de água e fica duas semanas grudado nas unhas. O serviço é governamental e gratuito.

Outro serviço governamental que está sendo introduzido é a oferta de carrinhos de golfe para o deslocamento autônomo de idosos. Eles andam a uma velocidade de 6 a 12 quilômetros por hora e não causam acidentes. Os veículos também podem ter motoristas e tem cortinas para proteger do sol e da chuva.

A terceira excepcionalidade no cuidado com idosos só poderia ser a ajuda de robôs. O Japão é o país que mais investe em robotização em geral. Também é o país que mais investe em robôs para cuidados com idosos. O governo investe algo como R$60 milhões por ano para desenvolver robôs que visam somente cuidar de idosos. O "Ri-Man" é o mais avançado. Tem braços de silicone que permitem fazer o transporte dos mais idosos da cama para a cadeira.

Esse é um dos mais árduos afazeres de quem cuida dos idosos e de pessoas sem locomoção em geral. Nos últimos meses foi lançado um novo robô denominado "Paro" que está causando uma enorme celeuma. O Paro não lava pratos nem faz o transporte de idosos - faz companhia, entende algumas emoções humanas. Ele foi criado especificamente para esse serviço: fazer companhia. Ele "conversa" com idosos e entende muitos de seus sentimentos.

É aí que reside o debate. Certos dispositivos robóticos podem melhorar a vida de uma pessoa que está sozinha, mas isso não deve eximir a sociedade de sua obrigação de encontrar novas formas de propiciar contato humano aos mais velhos.

A doce vida dos idosos no Japão

Melhor educação do mundo. O que é que Singapura tem?

Singapura uma cidade convertida em nação, ficou em primeiro lugar no Pisa - exame que classifica a educação em 70 países. Deixou para trás os outros dois grandes concorrentes que são a Finlândia e a China. Enquanto isso, o Brasil obteve colocação abaixo da avaliação de 2012.

Mas o que explica o excelente desempenho dessa ilha asiática? A primeira diferença está em uma abordagem conhecida como Domínio da Matemática - onde a classe trabalha em conjunto para resolver problemas ligados a seu cotidiano e descobrem soluções variadas, tudo com extrema dedicação de professores e alunos. Mas essa é apenas uma parte de uma história de sucesso que despertou o interesse do mundo.

Os jovens são encorajados a fazer protótipos de produtos que vão desde um sistema para regar jardins a um teclado eletrônico. Usar habilidades científicas e matemáticas para resolver problemas do mundo real, sem perder tempo com teorias que nunca utilizarão sem suas vidas. Se quiserem aprender como iluminar um violão com lâmpadas de LED, é na escola que aprenderão, para dar um exemplo.

O aprendizado está ligado ao cotidiano dos alunos e não àquilo que os professores exigem. Mas talvez a principal colaboração venha dos pais dos estudantes. O sistema é competitivo, e um exame ao fim do primeiro grau influencia se a criança conseguirá uma vaga na escola onde deseja estudar. O estudo em casa é essencial.

A doce vida dos idosos no Japão

2017, entre a areia da praia e os blocos de cimento.

2016 está sendo um ano conservador. 2017 será ainda mais. Os Estados Unidos, os grandes países europeus e da América do Sul estão caindo nas mãos dos velhos partidos conservadores. Tories na Grã Bretanha, PP na Espanha, CDU na Alemanha, Republicanos nos EUA... Antes da primavera europeia haverá um presidente francês que, na melhor opção, será conservador de discurso e trabalho (Fillon) os só de trabalho (Valls, Macron).

A Itália girará à direita, em sua versão seria ou palhaçada. E no Brasil, apesar das pesquisas, que mostram a memória e nada mais, alguém do amplo complexo conservador assumirá a presidência. O mundo não quer mais saber da areia da praia, quer blocos de cimento.

Como é possível que em um momento de elevada insegurança econômica, e crescente desigualdade, uma parcela expressiva do mundo ocidental tenha se voltado para as teses conservadoras? Uma explicação habitual é que os partidos conservadores estão se fortalecendo porque são um muro de contenção contra os abusos das esquerdas e de seus próximos. À exceção do governo boliviano, todos os demais governos de esquerda se esmeraram em gastar desbravadamente o que não tinham.

Enfiaram seus paise, inclusive o Brasil, em crises medonhas. Mas, de onde emana a força dos candidatos conservadores? Merkel, Trump, Fillon, May, Rajoy , Macri e os brasileiros não encabeçariam qualquer ranking de políticos carismáticos. De fato, seus êxitos existem porque são a antítese do carisma. O segredo está no fato de que todos são predizíveis. A predizibilidade é uma lei de cabelos brancos, mas que não mancha, oferece tranquilidade.

Os conservadores derrotam seus rivais porque, em tempos de desolação, não oferecem mudança alguma. E de tempos em tempos, os eleitores preferem os blocos de cimento aos grãos de areia da praia.



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