Argentina: o caminho para a guerra começa com um passo em falso
Uma escalada vagarosa mas constante pode nos levar a uma destruição de pontes de bons relacionamentos com a Argentina. A uma trincheira sem saída. Ninguém gostaria, mas os mandatários podem dar um pequeno passo em direção ao conflito mais terrível que possamos imaginar. A um desfecho trágico. Qual a probabilidade disso acontecer? É impossível obtermos uma resposta.
Perón financiou campanha de Vargas. Não é a primeira crise.
Perón e Vargas se odiaram por longo tempo. Mas qual a origem dessa péssima relação? Perón ajudou a financiar a campanha eleitoral que reconduziu Vargas ao poder em 1.951. Além disso, os dois chegaram a esboçar planos de uma integração entre o Brasil, o Chile e a Argentina. Perón ainda ajudou a campanha de Vargas instalando uma base eleitoral secreta em Paso de los Libres, uma cidade argentina na fronteira com o Brasil. Os dois ainda teriam feito um pacto secreto de união das duas economias. Vargas não teve base politica parar formar o ABC - a união entre os três países. Qualquer coisa que se relacionasse com a Argentina era vista por brasileiros de influência como uma ameaça ao Brasil. Pairava no ar o temor de que Perón tinha sonhos de hegemonia regional e sonhava com uma “República Sindicalista”. Vargas não assinou o pacto ABC porque sabia que isto poderia lhe custar o governo.
Os arapongas de Perón invadem o Rio de Janeiro.
Chama a atenção a história dos arapongas de Perón. Eram inúmeros. Traçaram o perfil das principais empresas de comunicação brasileiras e suas tendências políticas. Definiram o jornal “O Globo” como opositor a Vargas e apoiador das políticas norte-americanas. Assis Chateaubriand, dos “Diários Associados”, jornais mais importantes do país naquela época, era tido pelos arapongas como mercenário, de quem todos riam, mas respeitavam como opositor perigoso. A única forma de atraí-lo, seria com dinheiro. Em meio a essa crise, Vargas e Perón só se tratavam com palavrões. Chegaram, tresloucadamente, a declarar guerra. Imediatamente sustada pelos militares dos dois países. Não durou nem meio dia sequer. Mas o risco era real.
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