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13/09/2017 06:27

Armagedom: aumentam os incêndios em tempo de seca

Mário Sérgio Lorenzetto
Armagedom: aumentam os incêndios em tempo de seca

Deu a impressão que o apocalipse havia chegado. Quando se aproxima, ruge como um trem de carga. O suor começa a queimar no seu rosto. Durante um incêndio, até em países ricos, sempre faltarão recursos. Haverá perdas de vidas. Pelo menos de animais e vegetais. Em meio ao fogo é difícil entender o que está acontecendo.
Só em 2017, foram mais de 1.000 incêndios comunicados aos bombeiros. O Mato Grosso do Sul é um dos líderes nacionais em queimadas. Corumbá e Costa Rica saltam à frente dos demais municípios. Com certeza, centenas, talvez outro milhar ocorreram. É uma forte tendência observada durante o inverno. O tempo seco propicia incêndios nas cidades e nas florestas. O fogo se espalha rapidamente. Quem nunca viu, não imagina a velocidade. Poucos minutos bastam para queimar um hectare de floresta. A progressão da velocidade dos incêndios vem aumentando.
O MS sempre teve problemas com os incêndios. Isso vem desde as queimadas praticadas pelos indígenas. Mas nos últimos anos vem aumentando. Vemos mais incêndios e eles são mais destrutivos. Esse é o novo padrão. Afinal, o que mudou? Com a mudança do clima, elevação da temperatura e a nova distribuição da vegetação, a paisagem está mais propensa a incêndios. A umidade vem diminuindo no solo e nas plantas. Muitas áreas estão saturadas de vegetação morta, e isso é perigoso. Isso é combustível. Basta um carro parar na imediação de um monte de vegetação morta para uma insignificante fagulha - nem sempre visível ao olho humano - detonar a "bomba" armada. Alguém limando uma enxada ou uma foice têm o mesmo efeito. Um raio pode detonar uma bomba ainda maior. Qualquer faísca pode detonar o fogo. Somem a essa equação a quantidade de pessoas que passaram a viver nas áreas com maiores índices de incêndios e teremos o resultado que ainda não é final. É crescente.

Armagedom: aumentam os incêndios em tempo de seca

Um besouro, quase desconhecido, na origem do fogo.

Há outro fator que só é relatado em meios científicos. As pessoas comuns não sabem da existência das coleobrocas. São besouros que ocorrem naturalmente na natureza. Sempre existiram coleobrocas, mas com as secas esses besourinhos se tornam uma praga. São pequenos, do tamanho de um grão de arroz. Uma árvore saudável expulsa o besouro quando ele tenta invadir. A árvore secreta seiva para tirá-lo da área afetada. Mas, quando a seca se intensifica, as árvores ressecam e diminuem a produção de seiva ou até deixam de produzi-la. Os besouros passam a encontrar as portas abertas para invadir as árvores e as matam. Árvore morta é combustível. Só um manejo florestal ativo pode impedir incêndios. E eles não são baratos.
Agora, uma pausa. O mundo têm recursos para salvar todas as florestas, todos os animais, todas as plantas? Não há respostas prontas. Façam suas respostas.

Armagedom: aumentam os incêndios em tempo de seca

Combatendo um incêndio. A dura e perigosa vida de um bombeiro.

O alarme soou. Há o inicio de um incêndio em uma fazenda. Só helicópteros são capazes de conduzir os bombeiros na velocidade exigida pelo fogo. Eles correm para vestir seus equipamentos. Embarcam, apertam os cintos e vão para a área. São durões. É a forma mais eficaz de combater incêndios. Certeza. Não dá para chegar no meio do nada sem a ajuda de helicóptero. Vão. Voam em um veículo que custa milhões. Mas no combate no solo usam ferramentas de jardinagem. Levam motosserras, pás, rastelos e machados. São ferramentas básicas, usadas há anos no combate a incêndios. E nada mudou. Continuam sendo as mais eficientes.
Pisar no solo o mais rápido possível e conter a propagação do fogo é essencial nesse trabalho. Rapidez e bom treinamento em jardinagem. Tempo e relevo da área são cruciais. Lidar com o mato seco é assustador. Não se sabe o que ocorrerá. A mudança constante dos ventos pode ser fatal para um bombeiro. A atenção é redobrada. Cabelos compridos são perigosos. A indicação é ficar careca. Quase todos são. Há uma nova tendência de colocar mulheres presidiárias para servir de apoio aos bombeiros. É experimental.




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