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21/01/2017 08:09

As teorias da conspiração e um herói inexistente

Mário Sérgio Lorenzetto
As teorias da conspiração e um herói inexistente

Todo mundo gosta de uma teoria da conspiração. A imprensa delira com elas. Elas são misteriosas, dão a sensação de que algo muito perigoso e muito secreto está ocorrendo em todos os lugares.

A teoria da conspiração tira da vida o acaso. Substitui a coincidência por uma trama complexa de acontecimentos programados. Seu problema é que elas ficam por aí... apenas na teoria, não se comprovam.

A construção de heróis vai pelo mesmo caminho. Até bem pouco tempo um ministro recebia uma montanha de críticas por ter sido escolhido pelos petistas. Ele partilharia da mesma convicção político-ideológica dos então poderosos. Como em passe de mágica, todos se esqueceram dos "embargos infringentes" na ação do Mensalão. Era o mais caluniado dos ministros.

Seria um protetor de José Dirceu e Delúbio Soares. Mais recentemente, o ministro, novo herói, foi envolvido, pelo menos nas redes sociais, no caso do áudio envolvendo Lula e Dilma. De vilão das redes sociais a herói bastou uma teoria da conspiração. Ao invés do apocalipse da conspiração e partidarização, troquem pelo respeito à dor que sentem seus vivos.

As teorias da conspiração e um herói inexistente

Um novo culpado para as doenças cardiovasculares.

Elas são as doenças que matam o maior número de pessoas no mundo. Tiram a vida de algo como 17 milhões de pessoas por ano. Até agora, os principais acusados por tantas mortes eram sobejamente conhecidos - colesterol alto, hipertensão, diabetes... Todos os culpados foram identificados há meio século, mas somados não explicam nem a metade das 17 milhões de mortes.

Alguns estudos chegam a assinalar que até 60% das pessoas com colesterol alto, hipertensão e diabetes não apresentam problema cardiovascular algum. A ciência não explicava como o tipo magro, que não bebe, não fuma e pratica esporte, também falece em decorrência de problemas cardiovasculares.

O novo estudo liderado pelas Universidades de Boston e de Yale (EUA), demonstrou que as mutações nas células sanguíneas, que se acumulam com o envelhecimento, promovem a formação de placas dentro das artérias e também a inflamação que agrava as doenças circulatórias.

A aparição de mutações nas células é uma causa bem conhecida de câncer, mas até agora não haviam demonstrado que desempenham algum papel em outras enfermidades associadas ao envelhecimento. Esses novos estudos acabam de ser publicados na "Science", uma das revistas científicas mais prestigiadas no mundo.

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O gene mutante e o medicamento são conhecidos.

As pesquisas dos norte americanos centraram-se no gene Tet2. Ele já era conhecido por sua mutação causar câncer sanguíneo. Descobriram que as mutações do Tet2 também são responsáveis pela aterosclerose. As células com os genes alterados proliferam com maior rapidez que as demais.

Por outro lado, os cientistas descobriram uma forma de deter seus avanços. Bloquearam a produção de uma proteína implicada nas respostas inflamatórias com um medicamento., suprimindo completamente a aterosclerose. Esses inibidores da proteína estão aprovados para uso em humanos.

As teorias da conspiração e um herói inexistente

O homem que busca um remédio contra a velhice em sangue jovem.

Há mais de cinco anos, Tony Wiss-Coray deu uma volta em sua carreira e começou a investigar os efeitos do envelhecimento no cérebro. Desejava encontrar medicamentos para a degeneração neurológica que chega com a idade e que pode desembocar no Alzheimer, cuja incidência se espera que triplique nos próximos anos. Logo ficou chocado com as escolhas que faziam outros investigadores nesse ramo das ciências.

Percebeu que curar ratos com Alzheimer era fácil. Difícil era traduzir essas vitórias para os humanos. É proibido no mundo obter tecido cerebral de uma pessoa viva, só de mortos. Isso impede seguir as mudanças moleculares que ocorrem no cérebro chegando ao Alzheimer ou ao Parkison. Foi assim que Wiss-Coray resolveu investir no rumo de pesquisar o sangue de jovens em comparação com o de idosos.

Se uma análise de sangue convencional não passa de uma medida indireta da saúde dos rins, do fígado, do coração... porque não seria também uma medida do cérebro?, propõe esse neurologista da Universidade de Stanford (EUA). Vários grupos de cientistas provaram que a transfusão de sangue de ratos jovens em idosos traz benefícios. Os primeiros chegam aos músculos e depois apareceram em quase todos os órgãos que analisaram - coração, fígado, pâncreas... inclusive a pelagem recuperava o vigor. O grupo liderado por Tony Wiss-Coray comprovou que também há efeitos notáveis no cérebro de ratos com as transfusões. Esse grupo iniciou os testes com a transfusão de plasma de humanos de menos de 30 anos para idosos com Alzheimer. Os ensaios começaram em setembro de 2014.



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