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Em Pauta

Bimbada: a curiosa união entre ciência e sexo

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 08/03/2020 08:57
Bimbada: a curiosa união entre ciência e sexo

Dia Internacional da Mulher. Mais que qualquer direito feminino, deveríamos conhecer as mulheres. É chocante como, durante grande parte da história, soubemos tão pouco sobre as mulheres e como elas funcionam. Secreções vaginais eram o único fluido corporal sobre o qual não se sabia quase nada, a despeito de sua importância para a concepção e para a percepção geral de bem-estar da mulher.

Bimbada: a curiosa união entre ciência e sexo

Menstruação e menopausa eram misteriosas.

Questões específicas femininas - menstruação, acima de tudo - constituíam um mistério quase completo para a ciência médica. A menopausa, outro evento marcante na vida da mulher, oficialmente só foi observada em 1858. Exames do abdômen quase nunca eram conduzidos. Exames vaginais, menos ainda.

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O valor feminino do estetoscópio.

Quaisquer investigações do pescoço para baixo eram feitas com o médico tateando o corpo da mulher às cegas sob um lençol. Com os olhos fixos no teto. Quando René Laënnec inventou o estetoscópio, em 1816, em Paris, o maior benefício não era a melhoria na transmissão do som (um ouvido comum ao peito funciona tão bem quanto), mas permitir ao médico checar o coração da mulher, e outras coisas no interior de seu corpo, sem tocar nela diretamente.

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A ignorância masculina sobre o corpo da mulher.

Impressiona. Quase inacreditável. Os homens ignoram a anatomia feminina. Uma pesquisa com mil homens revelou que a maioria era incapaz de definir ou identificar com segurança as partes "pudendas" femininas. Nada sabiam sobre vulva, clitóris, grandes lábios e assim por diante. Metade não conseguiu sequer encontrar a vagina em um diagrama. Penetram seus pênis em um lugar desconhecido. "Mais ou menos por ali, e vamos que vamos".

Bimbada: a curiosa união entre ciência e sexo

O debate sobre o ponto G continua.

Se a metade dos homens não encontra a vagina, imagine se sabem algo sobre o ponto G. Esse nome vem de Ernst Gräfenberg, ginecologista e cientista alemão que fugiu dos nazistas para os EUA. Foi ele quem inventou o dispositivo intrauterino contraceptivo que conhecemos como DIU. Em 1944, Gräfenberg escreveu um artigo identificando um ponto erógeno na parede da vagina. Passou a ser lembrada como ponto de Gräfenberg, mais tarde abreviada para ponto G. Mas se a mulher possui de fato um ponto G continua sendo pauta de debate acalorado. E também assim deverá permanecer pois nao há dinheiro disponível no mundo para elucidar essa questão. Imagine a quantidade de verba para pesquisa que choveria se alguém sugerisse que o homem tem um ponto erógeno nunca devidamente utilizado.