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Em Pauta

Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 04/07/2018 07:55
Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

Um estudo feito pelo INTC - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia - mostrou que a imensa maioria dos brasileiros não acredita mais nos partidos. Quase 80% dos entrevistados afirmaram não "ter nenhuma confiança" nessas instituições que são fundamentais em qualquer democracia.
No dia 07 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher deputados, senadores, governadores e o próximo Presidente da República. O início oficial da campanha está marcado para o dia 16 de agosto. E alguns fatores indicam que pelo menos na teoria - só muito ingênuos acreditam que não existirá caixa dois - será mais modesta que as últimas campanhas. Um dos mais caros desses fatores são as estruturas colossais e caríssimas montadas pelos marqueteiros. Essa é uma das maiores vergonhas das campanhas brasileiras.

Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

Como políticos se uniram aos marqueteiros?

Essa estratégia começou no longínquo 1952, nos Estados Unidos. Até então, candidatos veiculavam reprises de seus comícios durante a programação da madrugada das televisões, ainda em branco e preto. Naquele ano, porém, Dwigth Eisenhower revolucionou o modelo. Contratou o publicitário Rooser Reever para assessorá-lo. Criaram uma novidade: inserções curtas na TV, de 20 segundos a um minuto, veiculadas durante o dia. Usavam desenhos animados para resumir propostas ou mostrar o candidato. A estratégia foi um sucesso: Eisenhower, candidato republicano, venceu as eleições, após 20 anos de domínio dos democratas.

Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

A ascensão do marketing em terras brasilis.

O marketing político foi adotado pela primeira vez no Brasil ainda durante a ditadura. Em 1974, o MDB produziu peças publicitárias que denunciavam problemas econômicos e políticos. O resultado foi catastrófico para a ditadura: elegeram 511 parlamentares em 22 Estados. A ditadura reagiu, criou a Lei Falcão. Proibia jingles, discursos ou imagens externas. Só estavam liberadas as caras feias dos candidatos e um locutor lendo o currículo do indivíduo. Nem o mais fanático admirador dos políticos suportava essa tortura televisiva.

Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

Segunda e rica ascensão do marketing político.

Com os anos a Lei Falcão foi parar no lixo. Marqueteiros famosos começaram a despontar. Um dos primeiros a ganhar protagonismo foi Duda Mendonça. Chefiou a vitoriosa campanha de Maluf à prefeitura paulistana com o slogan "Amo São Paulo, voto Maluf". O trabalho do marqueteiro ajudou também a eleger Celso Pitta, o sucessor de Maluf.
O padrão técnico dos trabalhos dos marqueteiros aumentou substancialmente. Eles passaram a ser disputados a base de fortunas impossíveis e inexplicáveis. Duda foi para o PT, onde cobrou nada menos de R$39 milhões. A loucura desenfreada irritou a todos os brasileiros somente na reeleição de Dilma. O sucessor de Duda, João Santana, recebeu R$70 milhões.

Delírio e ocaso dos marqueteiros na política

A queda dos marqueteiros milionários.

Com as restrições para doações para a campanha de 2018 os políticos dizem que o mundo dos marqueteiros será bem diferente. Geraldo Alckmin terá como seu marqueteiro Lula Guimarães. Ele faturou na campanha passada R$16 milhões com a candidatura de Marina. E foi muito mal. O valor é apenas uma referência, não se sabe quanto ganhará. Embora o PT ainda não tenha um candidato para ir às ruas - permanece sustentando a lenda de Lula candidato -, o partido já informou que tocará a campanha com publicitários do próprio partido. Não gastará nada com eles. Ciro Gomes irá com seu eterno assessor, o jornalista Manoel Canabarro. Também não deve gastar nada. Marina vem afirmando que contará com a ajuda do cineasta Fernando Meirelles. Outra que não gastará com marqueteiro. Bolsonaro têm afirmado publicamente que não pretende ter marqueteiro na campanha. Adiós marqueteiros. Já vão tarde.