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Em Pauta

Entrando em uma farmácia há mil anos

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 19/06/2024 07:20
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Quando sofriam problemas de saúde, os homens e as mulheres da Idade Média faziam o mesmo que nós: recorriam a medicamentos para aliviar a dor ou com a esperança de recuperar-se. Só que o que tomavam tinha pouco a ver com os remédios atuais. Eram poções, unguentos e pílulas que se faziam com substâncias da natureza a que atribuíam virtudes milagrosas.


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Muita unha e urina.

Usavam pedras como a ágata ou quartzos coloridos (para problemas nos olhos e contra hemorroidas, respectivamente), águas minerais, substâncias animais ou humanas (unhas, urinas e sangue) e, sobretudo, uma grande variedade de plantas. Esses preparados eram vendidos por curandeiros ambulantes, mas também existiam estabelecimentos que os dispensavam. Eram as chamadas "boticas", precursoras das modernas farmácias.


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A botica em atividade mais antiga é italiana.

A origem das boticas está ligada aos conventos, monastérios e abadias. Muitos desses recintos religiosos tinham hospitais de pobres (hospitia pauperum). Além desses prédios, tinham jardins onde os monges jardineiros cultivavam plantas medicinais. Foi assim que nasceram as primeiras farmácias. Em Calmadoli, um povoado da cidade de Poppi, na Toscana, por volta do ano 1.000, monges beneditinos fundaram um hospital. No século seguinte, ao hospital acrescentaram uma farmácia. Em outro convento próximo , em Florença, no ano de 1.221, junto à basílica de Santa Maria Novella, criaram uma farmácia completa, inclusive com jardins medicinais. É a botica em atividade mais antiga do mundo.


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O reconhecimento oficial.

Foi assim que o boticário se converteu em um ofício reconhecido por lei. Como os médicos italianos se negavam a preparar medicamentos, os boticários assumiram essa tarefa. A constituição de Melfi, promulgada em 1.231 por Federico, rei da Sicília, estabelecia que os médicos não podiam preparar medicamentos e boticários não podiam receitar. Médicos e farmacêuticos trabalhavam irmanados.


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A separação dos médicos.

Enquanto na Itália a relação médico-farmacêutico era mansa e pacífica, na França a disputa foi difícil. A faculdade de medicina de Paris era o motor das desavenças. Denunciavam a ingerência de boticários nos hospitais visitando enfermos e receitando. Também os chamavam de "especiaristeiros" porque comercializavam as especiarias do Oriente, que se atribuíam virtudes medicinais. Por exemplo, a canela era usada para o mau hálito, em um país de dentes podres. Os boticários devolviam as acusações denunciando as dores insuportáveis nas cirurgias médicas. As desavenças francesas só cessaram quando o rei resolveu ditar um estatuto para o "gremio dos especiaristeiros-boticarios" de Paris. O mais incrível foi que nessa norma legal surgissem regras para que os potes de medicamentos tivessem mês e ano de elaboração.

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