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Em Pauta

Existe futuro para as montadoras de automóveis no Brasil?

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 02/03/2021 06:41
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

O Brasil corre celeremente para tornar-se uma Austrália. Nos anos 1970, fabricava meio milhão de veículos por ano. Exportava até para o distante Brasil. Hoje, o país da Oceania é um mero importador de automóveis. O futuro das montadoras no Brasil, em suma, parece ser o australiano: desaparecer. Saíram, ao mesmo tempo, a Ford e a Mercedes. A Audi vai no mesmo caminho, está fechada, sem data para reabrir.


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Tempestade perfeita.

O setor vive no Brasil uma tempestade perfeita. Tudo que pode dar errado, está dando errado. Além de décadas de problemas estruturais, o setor automotivo passa pela maior mudança desde a época em que o homem abandonou os cavalos e passou a andar em automóveis. Esta saindo dos carros movidos a combustíveis fósseis, como o diesel e a gasolina, migrando para os elétricos. E essa profunda mudança não está ocorrendo no país. Continuamos a produzir carros movidos a derivados de petróleo. Uma excrescência. Há dezenas de cidades europeias onde eles se tornaram proibidos. As montadoras tem parcela de responsabilidade nessa escolha. Mas o Brasil é uma coleção de desafios.


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O famigerado custo Brasil.

Muitos ainda acreditam que o famoso "Custo Brasil" não passa de conversa fiada de empresário incompetente. Não é verdade. O próprio governo brasileiro fez o cálculo em 2019: ele custa às empresas R$ 1,5 trilhão por ano - algo como 22% do PIB. É especialmente cruel para o segmento dos automóveis. Um carro vendido leva 4 anos para ser adquirido. E depois da moradia é a segunda aquisição mais cara da vida do consumidor médio.


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Impostos caros e complicados.

Há mais contabilistas e advogados tributários em uma indústria automobilística que engenheiros encarregados de montar carros. Inacreditável, mas essa é a realidade. Mudam a legislação tributária todos os dias. Enlouquecem qualquer empresário. Os impostos diretos representam 36% de um carro montado no Brasil. Nos vizinhos Argentina e Chile, a média é de 20%. Na Europa varia entre 16% a 18%. Nos EUA, é de 6,8%.


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Campeões mundiais em tempo gasto para calcular impostos.

Um estudo do Banco Mundial, o Brasil é o país onde se gasta mais tempo para calcular impostos. São 1.501 horas por ano fazendo contas. Algumas são impossíveis de calcular. Na Argentina, precisam de 312 horas. No Chile, são 296. E essa maluquice não é culpa de um governo. É responsabilidade de todos. Sai governo, entra governo, tudo tende a piorar. Nunca muda para melhor. É como se existisse um imenso verme sugando a vida empresarial no país. A questão está colocada. Existe futuro para as montadoras no Brasil? A resposta tende para um sonoro "não".

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