Frigoríficos transformaram a pecuária do MS
Escrevi há tempos que a picanha brasileira custa a metade do preço de uma argentina ou irlandesa. A má fama e qualidade da nossa carne bovina vem do inicio do século passado. A nossa, continua sendo carne para hambúrguer, de baixa qualidade.
Boi pantaneiro, o baixinho.
“Estatura bastante pequena, cauda comprida e delgada, couro escuro e os quartos traseiros fracamente desenvolvidos”, essa a descrição de um dos melhores estudos sobre a pecuária do Mato Grosso do Sul. E, para completar, era uma vaca bravia, atacava constantemente os cavaleiros. A existência de alguma diminuta melhoria começa só em 1.908, com a chegada de algumas vacas de melhor qualidade de Minas Gerais.
O frio artificial, chegam os frigoríficos.
O consumo europeu de carne bovina, devido à Primeira Guerra Mundial, diminuiu as exigências na qualidade do produto. Nesse período, os europeus deixaram de consumir carne frigorificada do tipo “chilled”, apenas resfriada, que só utilizava novilhos selecionados de altíssima qualidade, para consumir o tipo “frozen”, congelada, originada de rebanhos de baixa qualidade. Até então, a invenção do frigorífico feita pelo engenheiro francês Charles Tellier não tinha sido difundida no Brasil, atrasado como sempre.
O frigorífico de Barretos.
A grande festa do boi brasileiro ocorre anualmente na cidade paulista de Barretos. Sucesso não costuma ocorrer por acaso e sem esforço. Foi lá que Antônio Prado instalou um moderno frigorífico em 1.912. No ano seguinte, até 1.917, outros no sudeste seguiram o “cheiro do frio”. O governo federal só foi entender a importância desses estabelecimentos nesse ano, concedendo-lhes benefícios. Frio e exportação de carne explicam a melhoria do gado do MS. "Enquanto só produzíamos carne para o consumo interno, os criadores pouco caprichavam na escolha dos reprodutores” dizia o Ministério da Agricultura em 1.939.
A Brazil Land e a melhoria do gado do MS.
Em 1.912 o governador do Estado afirmava que a construção da ferrovia e a instalação de frigoríficos em São Paulo estavam animando a pecuária do MS. Já em 1.915 só um frigorífico de Osasco tinha comprado 36.000 cabeças de gado do MS. Desse total, 25.000 saíram de uma só empresa, a Brazil Land. Foi essa empresa que, próxima à Campo Grande, importou cerca de 1.500 cabeças de boi Hereford e Shorthorn, especialmente para a venda de reprodutores. Em seguida, veio a inglesa John Moore & Company que montou uma “cabana”, como chamaram, na fazenda Bandeira, também próxima à Campo Grande.
A vaca degenerada.
O processo de modernização do rebanho bovino do MS passou a ser feita de forma mais sistemática por grupos que dispunham de experiência nessa atividade. No entanto, o gado pantaneiro continuou sendo “degenerado”, como os estrangeiros o denominavam. Muito tempo depois, em 1.947, o “FRIMA” - Frigorífico Matogrossense S/A, foi implantado em Campo Grande, marcando a primeira indústria de vulto na cidade e impulsionando o desenvolvimento econômico da região. Foram exatos 30 anos de atraso.
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