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Em Pauta

Fronteira: o caso do degolado que ninguém quis esclarecer

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/02/2024 07:45
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O fazendeiro estava estudando a contabilidade do ano quando o capataz irrompe no escritório, sem se fazer anunciar, nervoso, agitado. Exclama: "Chê patrón.... Petey cuimbaê regolhado!" O patrão questiona: "um homem degolado? Onde?" O patrão fez com que o capataz se acalmasse e depois conseguiu saber que, próximo a um rio, estava o cadáver de um homem degolado. Fazendo-se acompanhar de alguns peões e guiado pelo capataz, dirigiu-se ao lugar do macabro achado.


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Tô nem aí!

Identificaram que o falecido era o tenente Parra, um homem bem-quisto por quase todos que viviam em Ponta Porã. E foram chamar o delegado da cidade. O delegado não dignou-se a ver o cadáver e disse que já sabia da degola do Tenente Parra e que o pessoal da fazenda cuidasse de enterrá-lo. Assim fizeram.


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Quem era o tenente Parra.

Os assassinos, todos conhecidos, continuaram andando calmamente por Ponta Porã. Gozavam da confiança do governo e tomaram posições políticas de destaque. Demetrio Dário Parra tinha trinta e dois anos quando foi degolado. Era paraguaio de nascimento, e serviu o exército de seu país. Tido como inteligente e culto, trabalhou na Empresa Mate Laranjeira. E esse emprego o matou. Foi acusado pelo chefão dessa famigerada empresa de ter falsificado a assinatura do magnata que em tudo mandava. Levado ao júri, foi absolvido por unanimidade. Antes não tivesse sido absolvido, uma alcateia passou a segui-lo para lhe infringir duro e severo castigo.


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O paraguaio que lutou pela vitória dos constitucionalistas paulistas.

Em 1.932, ano dessa degola, também foi o tempo em que o Brasil entrou em guerra civil. Paulistas e Sul mato-grossenses de um lado, enfrentando  outros Estados, especialmente o do Rio de Janeiro. Por estas bandas, o comando dos combatentes esteve sediado em C.Grande, mas outros batalhões foram formados. Havia um em Paranaíba, outro em Coxim, um grande em Três Lagoas, um menor em Porto Esperança, mais um em Ponta Porã e aquele que seria o último a se render: o de Bela Vista - Porto Murtinho. O tenente Parra, mesmo nascido no Paraguai, filiou-se a esse último. Essa rendição é descrita como um momento de fidalguia e nobreza do exército brasileiro. Parra e seus companheiros, depois desse ato doloroso, encaminharam-se pacificamente de volta a Ponta Porã. A alcateia da Mate Laranjeira o alcançou no final da viagem. E o degolou. Mistérios da fronteira sem lei.... mas sempre comandada por algum poderoso chefão.

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