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Em Pauta

Guarani de Amambai: dançando até a morte por exaustão

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 26/06/2022 09:39
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Nas estradas, na periferia da cidade, como peões de fazendas.... todos enxergam os guaranis e os kaiowás de Amambai, poucos os conhecem. São povos invisíveis. Em crise territorial desde a chegada dos primeiros colonizadores. Estavam estabelecidos fortemente na região entre 3.000 a 5.000 anos. Kaiowá, aliás, significa "povo da mata", povo que foge da proximidade com o colonizador. Tinham costumes diferenciados de outros guaranis e kaiowás. O "oguata", pratica tradicional desse povo, era o caminhar por longas distâncias.


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Festas e "puxirão".

Estabeleciam redes de relação com outros grupos de guarani e kaiowá especialmente nas festas, um elemento aglutinador fundamental. A prática do "puxirão" (mutirão) era comum. A existência de um líder religioso forte, geralmente, aglutinava a vários desses grupos familiares. Nós costumamos utilizar o conceito de família como essencial, para eles, a família cumpria um papel ainda mais forte e importante. O "tekoha-guassu" (grande território), jogava, assim, papel político de sobrevivência. Necessitavam de amplos espaços para se manter física e culturalmente.


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Dançando até a morte.

Relatos dos viajantes da época colonial apontam para a fartura de alimentos de que dispunham esses povos. Eles alimentaram os primeiros colonizadores. O interesse dos colonizadores era não só por alimentos, mas também por suas mulheres. Esse contato com o colonizador, logo se revelou perigoso - queriam escravizá-los. Nessa situação, muitas mulheres preferiram morrer. Não deve surpreender que no conflito desta semana, por disputa de terras, parcela importante era de meninas indígenas. Nos primeiros conflitos com os colonizadores os indígenas dessa região empreendiam uma dança ritual - dançavam até morrer de exaustão. Ou jejuavam até morrer de fome.


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Os governos deram início ao conflito.

A quem pertencem às terras em litígio? A resposta apropriada é à bala e aos fuzis. Índios e fazendeiros foram jogados à própria sorte. Os governantes só entram no conflito para matar. Mas foram eles que jogaram índios contra fazendeiros. O conflito de interesses, ora estabelecido, tem sua origem em atos do governo do Estado do Mato Grosso, quando ainda era uno. Foi o governo que colocou à venda terras indígenas não tituladas como sendo terras devolutas. Faturou alto. Muito dinheiro entrou nos cofres públicos. E nem pensam em fazer uma "reforma agrária" específica para solucionar esses conflitos. Única hipótese aceitável, comprar as terras vizinhas das aldeias, pagando preço justo, foi colocado em uma nuvem de interesses inconfessáveis..... e intermináveis. Não se preocupem, outras tantas mortes indígenas ocorrerão! E ninguém lamentará. Triste sina. Deus e Tupã observam o sibilar das balas. Quem é o selvagem?

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