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12/07/2018 10:11

Levem a Bíblia, não as toalhas

Mário Sérgio Lorenzetto
Levem a Bíblia, não as toalhas

Em alguns hotéis brasileiros existem Bíblias que podem ser levadas para casa. Esse é um movimento iniciado nos Estados Unidos pelos Gideões, missionários que tem por objetivo principal a divulgação do Evangelho de Cristo. Eles superaram a doação de mais de dois bilhões de Bíblias.
Os Gideões começaram há muito tempo. Em 1898, quando dois caixeiros-viajantes, que se conhece pelos nomes de Hill e Nicholson, chegaram a um pequeno povoado do Wisconsin, nos EUA, Não se conheciam. Como só restava um apartamento livre no hotel, não lhes restou alternativa, se alojaram no mesmo quarto. Depois do jantar começaram a falar, isto era antes da televisão, época em que todos conversavam, e lá pelas tantas, resolveram criar uma associação evangélica específica para homens de negócio, como eles. Logo, se uniu a eles o senhor Knight e chegaram à conclusão de que a melhor maneira de distribuir a Bíblia era em hotéis. Começaram pelo Estado de Montana. Nos cento e vinte anos seguintes, quase todos os hotéis dos EUA tinham essas Bíblias. A exceção era a rede de hotéis Marriot, que foram fundados por mórmons, que no lugar da Bíblia, doavam o Livro dos Mórmons, é claro. Bíblias entregues de costa a costa, foram entregues... e lidas. Ainda que segundo as várias confissões possam ser interpretadas mais ou menos ao pé da letra. Inclusive no século XXI. Ser batista, metodista, presbiteriano ou pentecostalista defina mais do que possa parecer.

Levem a Bíblia, não as toalhas

As diferenças entre as confissões.

Em termos gerais, os metodistas e presbiterianos são mais liberais, no sentido de que não tomam a Bíblia no pé da letra. São quase todos brancos e cada vez mais numerosos. São urbanos e com terceiro grau de estudos. Os batistas são bem mais fundamentalistas, quanto a interpretação da Bíblia. Ao contrário dos metodistas e presbiterianos, creem que uma vez que tenha sido batizado irá para o céu de qualquer maneira, por isso, não batizam antes da "idade da razão". Creem firmemente na evangelização e na pregação da palavra de Deus. Os batistas residem na "Bible Belt", uma região algo difusa que ocupa quase todo o sul dos EUA, menos a Flórida. a maioria está no Oklahoma e no Kentucky. É nesse último Estado onde se encontra o Museu Criacionista. Um museu sobre a história da humanidade, com belos dioramas didáticos, onde ensinam que os humanos viveram junto com os dinossauros.

Levem a Bíblia, não as toalhas

Todos falam "línguas estranhas".

Em 1906, William J.Seymour, um pastor negro, vesgo (ou caolho), filho de escravos, chegou a Los Angeles para levar a palavra de Deus.Chegava de Houston, no Texas. Los Angeles não o aceitava. Em março daquele ano, fez uma promessa. Depois de cinco semanas orando e três dias de jejum, no dia 9 de abril, subiu a um púlpito e no meio da rua começou a falar em uma "língua estranha". Afirmava que havia recebido o dom das línguas de que fala o Pentecostes. Naquele momento, muitas pessoas que o assistiam, também começaram a falar "línguas estranhas". Isso ocorreu em uma rua chamada North Bonnie Brae, onde pouco a pouco, foi se reunindo uma multidão. Todos falando uma "língua estranha". Continuaram durante três dias e três noites. Só depois de que alguns muros foram abaixo, resolveram mudar para um antigo estábulo, onde reuniam mais de mil e quinhentas pessoas. Assim ficaram por três anos inteiros. Três anos de febre religiosa e fervor. Acabava de nascer o pentecostalismo. Eles afirmam que a experiência com Deus deve ser direta, e que quando o Espírito Santo te embarga, poderá fazer coisas extraordinárias, como falar em línguas estranhas e curar enfermos.

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O surgimento do primeiro televangelista.

Oral Roberts, um descendente de índios cherokeees, em um dia de 1947, comprou um Buick. Na manhã seguinte, afirma, Deus lhe apareceu e mandou curar enfermos. E ele passou a cumprir a ordem divina. No princípio, Oral Roberts pregava em barracas onde reunia até três mil pessoas. Um raro caso de um pastor norte americano que pregou em todos os continentes. Fundou uma revista e uma universidade, em Tulsa, no Oklahoma. Não bastava. Foi o primeiro televangelista, em 1954. Depois fundou sua própria cadeia de televisão. Também fundou uma organização hospitalar que curava com a medicina e orações. Toda essa imensa atividade frenética começou a perder seguidores em 1987. Oral Roberts disse na televisão que a não ser que recebesse uma doação de oito milhões de dólares, Deus o levaria para seu seio em dois meses. Passaram dois meses e ele continuava pregando, sem receber o pretendido. Então ameaçou suicidar-se se não conseguisse o dinheiro que pretendia. Consegui nove milhões de dólares. Mas o movimento arrecadatório ficara por conta de outro pastor. Gene Ewing foi um recordista. Conseguiu seis milhões de dólares....em um mês. Mas ele também teve problemas. Dessa vez não seriam os fiéis a levantarem indagações e sim o fisco.

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O tempo dos Mega Templos.

Outro pentecostalista muito popular, que continua pregando na televisão dos EUA, é Crefo Dollar - é seu nome real. Foi ele quem inventou as "megachurches" ou mega-igrejas. A história é estranha. Creflo Dollar foi um dos seis pastores investigados pelo Senado dos EUA na que foi a maior operação contra os televangelistas da história norte americana. A operação acabou sem êxito algum. Foi a partir dessa época que Creflo começou a construir inúmeras megachurches, edifícios enormes do tamanho de um campo de futebol que alojam até cinquenta mil pessoas. São chamadas pelos concorrentes e adversários de McChurch ou McIgrejas, pois contam com lojas e cafeterias ao lado das igrejas. Tudo para que fique muito tempo no templo.



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