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Em Pauta

Luiz Gama, o único intelectual brasileiro que foi escravo

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 11/07/2020 08:37
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Pioneiro dos direitos humanos e da luta antirracista, Luiz Gama foi o único intelectual brasileiro que viveu sob o jugo da escravidão. Advogado, Luiz Gama, se libertou da escravidão e defendeu os desvalidos com as armas do direito e do jornalismo. Durante muito tempo foi esquecido. Seus livros só existem em bibliotecas de livros raros.

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"Lições de resistência".

"Lições de resistência" é o maior conjunto de textos de Luiz Gama já publicado. Recentemente, entrou na lista da Heneroteca Digital da Biblioteca Nacional. Este é um país afeito a besteiras e asneiras, a grande base da história contada, que se preocupa com quantas amantes teve cada reizinho de meia pataca. Luiz Gama jamais podia ser esquecido.


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O maior advogado da história do país foi um negro.

Não são poucos os estudiosos que conferem o título de "Maior Advogado da História do Brasil" a Luiz Gama. O processo de retomada do conhecimento de quem foi esse negro teve início com Fábio Konder Comparato. É ele quem diz: "Aqui nos Estados Unidos, ele já teria virado filme há muito tempo, ele seria ensinado nas escolas.


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Nossa miséria intelectual.

O esquecimento de Luiz Gama é um índice de nossa miséria intelectual e moral. Luiz Gama foi responsável pela libertação de pelo menos 500 pessoas. Uma raridade, Luiz Gama usava a justiça para conseguir a libertação de pessoas ilegalmente escravizadas. Como quase todos os homens de seu tempo, detestava os reizinhos e suas famigeradas cortes.


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Luiz Gama por ele mesmo.

Nasci na cidade de São Salvador, capital da

Província da Bahia, em um sobrado da rua do

Bângala.... a 21 de junho de 1830, lê-las 7 horas

da manhã....

Sou filho natural de uma negra, africana livre, da

Costa Mina (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin.

Minha mãe era baixa de estatura, magra, bonita, a

cor era de um preto retinto e sem lustro, tinha os

dentes alvíssimos como a neve, era muito,alva, geniosa,

insofrida e vingativa. Era quitandeira.


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Vendido pelo pai.

Meu pai, não ouso afirmar que fosse branco, porque

tais afirmavas, neste país, constituem grave perigo

perante a verdade, no que concerne à presunção das

cores humanas: era fidalgo e pertencia a uma das

principais famílias da Bahia de origem portuguesa.

Devo poupar à sua memória uma injúria dolorosa,

e o faço ocultando seu nome.

Ele foi rico; e, nesse tempo, muito extremoso

para mim, criou-me em seus braços. Foi revolucionário

em 1837 [Sabinada, que libertou a Bahia do mando

português]. Era apaixonado pela diversão da pesca e da

caça; muito apreciador de bons cavalos; jogava bem as

armas, e muito melhor de baralho, amava as súcias e os

divertimentos: esbanjou uma boa herança....

Reduzido à pobreza extrema, a 10 de novembro de 1840,

vendeu-me como escravo....