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Em Pauta

O padre-médico e o padre-juiz, a confissão e a penitência

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 29/07/2022 08:00


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Muitos ainda imaginam que a confissão e a penitência, dela decorrente, são sacramentos determinados pela Bíblia ou pela palavra de Cristo. No ano de 1.215, durante o Concílio de Latrão, foi instituída a confissão obrigatória aos católicos, pelo menos uma vez ao ano. Dessa forma, os padres confessores - chamados de "curas" e "médicos" - começam a curar os pecadores de suas faltas. Eles também são "juizes" por escolher as penitências conforme as faltas.


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Regendo a intimidade, especialmente a da mulher.

A confissão passou a ser o sacramento que permitiu aos padres reger a intimidade, e desse modo, pôr seu jugo sobre pensamentos e gestos que até então ninguém considerava pecaminosos. O pano de fundo dessa mudança é o medo que os padres passavam a ter das mulheres. Um vasto repertório de sortilégios deixava os homens apavorados, à mercê das mulheres. Ela, além de poderes sobrenaturais, era avara, leviana e ciumenta. E a sua natureza a levava inevitavelmente a pecar. Era preciso, então, criar formas de trazê-las sob controle.


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Perdoar é amar?

A ideia da confissão e da penitência pretendia levar a fundo a reforma dos costumes. Os padres entendiam que a sociedade estava corrompida pelas mulheres. A confissão estava inspirada nas práticas da justiça pública e projetava procedimentos de reparação. Obrigava a pagar, a "satisfazer" o juiz submetendo-se a um castigo. Instalava-se a ideia de uma tarifação, de uma graduação de punições. Ao mesmo tempo, se apagava pouco a pouco o gesto de Jesus, que perdoava por uma só razão: o amor.


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O controvertido papel de Maria Madalena.

No centro dessa mudança, aparecia Maria Madalena. Ela tinha ocupado papel de destaque nas novas equipes de franciscanos e dominicanos. Madalena continuou sendo para muitos a "beata amorosa". A chamavam de "doce enamorada" e que encontrara em Cristo um "verdadeiro amante". A mudança foi paulatina. Todo dia 22 de julho, os padres tinham de realizar um sermão. Neles,  começavam a apagar a figura da amante em lágrimas em favor da prostituta que chora seus pecados. A mulher passava a ser pecadora por natureza. Perigosa. E fez-se a confissão.
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