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Em Pauta

O robô que dá nova vida a velhos medicamentos

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 28/06/2022 06:40
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

A casualidade explica como um medicamento para tratar a angina se tornou o comprimido azul contra a disfunção erétil mais famoso - e vendido - de todos os tempos. Serendipias da ciência, descobertas afortunadas feitas por acaso. Foi nos anos oitenta quando a empresa farmacêutica Pfizer começou a testar o sildenafil para relaxar as artérias coronárias e melhorar o fluxo sanguíneo ao coração. Foi um fracasso. Até que, de repente, os cientistas descobriram que, entre os efeitos secundários do sildenafil, estavam ereções fortes e persistentes. Era o Viagra. A história de um fracasso convertido em êxito. Mas, foi muito mais que isso, era o paradigma de uma nova estratégia para ampliar o arsenal de medicamentos sem custos elevados. Nascia o "reposicionamento dos fármacos", dar outros usos a medicamentos conhecidos e comprovados.


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Velhos medicamentos, novos usos.

Um novo medicamento custa, em média, US$ 2,5 bilhões. Testes para a utilização de um velho medicamento em uma patologia custam US$ 300 milhões. É uma das melhores alternativas. A aspirina, por exemplo, é um "dinossauro" analgésico e antipirético, com o tempo, encontrou uma nova vida como anticoagulante plaquetário para melhorar riscos sanguíneos e agora vem sendo estudado por seus potenciais benefícios no tratamento de câncer do cólon. A talidomida, antigamente receitada para reduzir as náuseas de mulheres grávidas e acabou provocando graves deformações congênitas em milhares de recém-nascidos, vem demonstrando eficácia contra a lepra. A cicloserina, usada em infecções urinárias, se tornou um fármaco contra a tuberculose. O raloxifeno, usado na osteoporose, tem uma nova vida contra o câncer de mama. E há muitos outros.


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O robô que dá nova vida aos medicamentos.

Mas como conseguem dar nova vida a velhos medicamentos? Um robô dá a resposta. Seus braços se movem em uma caixa de vidro. Analisa uma placa transparente com 384 diminutos tubos de ensaio. Nesses tubinhos estão células tumorais e 384 velhos medicamentos. O robô analisa os efeitos de cada medicamento rapidamente. A máquina é incrível, pode analisar até 15.000 medicamentos por dia. Foi assim que conseguiram montar uma "quimioteca", uma biblioteca com 50.000 compostos e 2.400 fármacos aprovados pela agência de saúde dos Estados Unidos. Com essa quimioteca podem encontrar rapidamente moléculas para uma determinada patologia.

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