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Em Pauta

Ong internacional sugere boicote a açúcar produzido em áreas de litígio

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 03/10/2013 07:05
Ong internacional sugere boicote a açúcar produzido em áreas de litígio

Polêmica à vista...

O mundo, mais uma vez, está de olho nas questões sociais brasileiras. Ontem, a Ong Oxfam iniciou uma campanha com objetivo de pressionar as multinacionais produtoras de alimentos a se responsabilizar pela origem de suas matérias-primas e deixar de comprar commodities que tenham sido produzidas em terras em litígio. Em documento, os pesquisadores apontam que o comércio internacional de açúcar está incentivando compras e expropriações de terras em países em desenvolvimento, com o Brasil. O resultado estaria no prejuízo a comunidades indígenas e pequenos produtores.

Ong internacional sugere boicote a açúcar produzido em áreas de litígio

Críticas a MS...

Não faltaram críticas a Mato Grosso do Sul. Um trecho do relatório diz que "há claros elos entre a expansão do agronegócio e o extraordinário nível de violência contra populações indígenas". A Ong também critica a justiça brasileira, que não estaria agindo para resolver as questões. Nesta semana, completaram-se cem dias de início das tratativas entre produtores rurais, indígenas e o governo federal para solucionar eventos fundiários associados à violência em nove áreas sul-mato-grossenses. Os trabalhos são coordenados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que ainda não deu resposta a ambos os lados.

Boicote!

Entre as sugestões da Ong está a de um boicote ao açúcar produzido em áreas de litígio. A Oxfam relata que ao mesmo tempo em que a área cultivada com cana-de-açúcar triplicou entre 2007 e 2012, o Mato Grosso do Sul passou a apresentar "a maior taxa de violência contra índios”. As comunidades indígenas, conforme a Oxfam, também são penalizadas por ações do desmatamento provocado pelo avanço agrícola, pelos pesticidas usados nos cultivos e pelo trânsito gerado pelas plantações, que teria causado acidentes na região. Com a palavra as usinas e os plantadores de cana-de-açúcar...

Ong internacional sugere boicote a açúcar produzido em áreas de litígio
Ong internacional sugere boicote a açúcar produzido em áreas de litígio

O shutdown nos EUA - um exemplo de razões para você pagar suas dívidas...

Um dos princípios que regula a economia mundial é bastante simples, ainda que possa parecer abstrato, trata-se da credibilidade. Não se trata apenas de jogo de palavras, você vai ter mais ou menos crédito de acordo com sua credibilidade. Lembrou também de “crença”, certo? E este é o ponto, as pessoas acreditam que você irá pagar suas dívidas. O Brasil ainda não tem tradição interna neste sentido. O cadastro positivo ainda engatinha no país. Qual a lógica? Se você é um bom pagador as instituições financeiras podem confiar em você e, por lógica, você pode emprestar dinheiro com juros menores. A tradição daqueles que atrasam as contas e têm o “nome do Serasa” já é bem conhecida e não precisa de maiores explicações. Agora pense, nessa questão em escala global. Quem é o país que todos os outros países confiam? Qual é o país que possui agências que atribuem “notas” para os outros países, tratando eles como mais ou menos confiáveis para fazer investimentos? Última dica: onde começou a crise de 2008?

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Eles...

Sim, os Estados Unidos estão enfrentando um fenômeno chamado “shutdown”, muito tem sido dito que o maior problema é o impasse sobre o “Obamacare” (plano de saúde promovido pelo governo Obama – lembrem-se que não existe SUS nos EUA, se você não tem um seguro-saúde ou você não é atendido ou sua conta do hospital será impagável). É preciso, contudo, olhar para outro problema, para além do impasse político entre Democratas e Republicanos sobre esta política pública.

Como é lá...

Nos Estados Unidos não há o fenômeno chamado “presidencialismo de coalizão”. Ou seja, o parlamento nem sempre se submete completamente ao executivo. No Brasil, em geral esta é a regra, o que facilita a governabilidade do executivo. Nos Estados Unidos, o cenário é o seguinte: Obama – Democrata / Senado – maioria Democrata / Câmara – maioria Republicana. A resistência do legislativo está justamente em aprovar o orçamento, em específico, aumentar o teto da dívida. Se, para o resto do mundo o Obamacare é indiferente, o teto da dívida dos EUA interfere drasticamente na economia mundial. Durante a presidência de Bill Clinton ocorreram dois “shutdowns”, em 1995 e em 1996. Então, nada de economia “sem precedentes”, já aconteceu antes e ninguém se lembra de uma grande crise na economia mundial por este motivo, certo? Os serviços essenciais continuaram a funcionar e não houve um grande dano.

O porquê...

A diferença é que os “shutdowns” na era Clinton ocorreram em meio a uma economia crescente, cenário bem diferente do atual momento econômico mundial. O problema, porém, não está no “shutdown” em si, mas sim se o Congresso dos EUA se recusar a aumentar o teto da dívida. Se o teto for atingido, o governo terá que reduzir gastos de maneira drástica o que provavelmente pode levar à recessão. O pior, deixar de aumentar o teto da dívida implicará no não pagamento das dívidas do governo, ou seja, os EUA vão passar “dar calote” na dívida.

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Qual o problema disso tudo?

Os mercados financeiros sempre trataram os Estados Unidos como uma espécie de porto seguro – credibilidade. Acredita-se que os EUA sempre irão pagar suas dívidas. Este é um dos princípios que regula o sistema financeiro mundial. Em específico, os títulos do tesouro (títulos de curto prazo) são aquilo que investidores demandam quando eles querem ter uma garantia sólida para empréstimos – para reduzir os riscos. Os títulos do tesouro dos EUA são tão fundamentais para este papel que chegam a pagar juros negativos em momentos de stress econômico. Ou seja, eles são tratados como sendo melhor que dinheiro.

Agora, suponha que os títulos dos EUA não são mais seguros, que eles não podem ser mais confiáveis que irão pagar as dívidas. Subitamente, todo o sistema financeiro seria desmantelado. As instituições financeiras poderiam, quem sabe, procurar alternativas, contudo isto poderia gerar uma gigantesca crise econômica muito pior que a de 2008.

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A confiança é a chave de tudo!

Não se espera que um político racional se submeta a este risco, certo? No é bem isto, na verdade, que está acontecendo, pois os Republicanos, acreditando que podem forçar o Obama a abrir mão da reforma da saúde ou a dar o calote na dívida continuam forçando o “shutdown”. Apostas apontam para Wall Street. A expectativa é de que consigam convencer os Republicanos da necessidade de parar com isto.

Se os Republicanos não forem convencidos, Obama tem duas opções: dar o calote ou achar uma saída para desafiar os chantageadores, trocando uma crise financeira por uma crise constitucional (tendo em vista que o Obamacare foi declarado constitucional por uma Suprema Corte que tem maioria Republicana).

Qual a lição pode ser aproveitada disso que está ocorrendo? As pessoas gostam de pessoas confiáveis. O mercado gosta que você pague suas dívidas. Todo mundo espera ter credibilidade e crédito, logo, não “dar o calote” é um bom começo.

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Destruindo máquinas!

Se satã, em seu ódio pela humanidade, buscasse o melhor modo de reduzir os salários, não encontraria um plano mais eficaz do que o de induzir multidões a destruir máquinas que poupam mão-de-obra. A riqueza está constantemente sendo produzida pelo trabalho e o volume produzido é proporcional à qualidade e à oferta de ferramentas e máquinas com as quais os operários trabalham. Um homem pode produzir algo com as mãos nuas. Pode ainda mais com a ajuda de um machado ou enxada e, mais ainda com um cavalo e arado e, ainda mais com uma máquina a vapor e uma serra. Quando a riqueza é produzida, é dividida entre os trabalhadores que realizam a tarefa e o proprietário das ferramentas ou maquinários. O preço da mão de obra na Inglaterra e nos Estados Unidos multiplicou-se várias vezes desde a invenção da máquina a vapor e de fiar, do descaroçador de algodão e do tear mecânico. Texto publicado na revista Scienfic American em setembro de 1863. Pasmem ano de 1863. O debate entre mão de obra e máquinas tem 150 anos e permanece atual. Quanto mais máquinas, mais mão-de-obra é necessária ou as máquinas substituirão a mão-de-obra humana?

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