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Em Pauta

Os pajés especialistas em fogo e o pantaneiro que chora

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 19/09/2020 09:06
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

As queimadas no Pantanal são praticadas antes mesmo da chegada dos espanhóis e portugueses. Os indígenas sempre queimaram os matos. Não são as queimadas as grandes vilãs e sim seu uso abusivo adotado por fazendeiros que deixam suas fazendas semi-abandonadas e pelos que desejam "ganhar" terras para a criação de gado, burlar os órgãos ambientalistas que deveriam controlar os 20% de reserva destinadas às matas.


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Índios e fazendeiros com práticas similares.

Ao contrário da crença generalizada, a roça indígena era preparada a partir da abertura de clareiras, formando corredores, seguindo-se a queimada, controlada, para evitar o excesso de calor e o dano às raízes (mandioca e batata-doce), previamente plantadas. Caso o uso do fogo fosse descontrolado, os índios estariam destruindo seu próprio esforço de roçar e plantar. Não era muito diferente da prática do pantaneiro. Usavam o fogo, tão controlado como os indígenas para "limpar" os pastos de ervas daninhas, pequenas plantas tóxicas para as vacas ou que "atrapalhavam" a alimentação de seus animais. Com o advento de novos capins, quase eliminando os naturais, que necessitam ser plantados e replantados, as queimadas passaram a oferecer perigo para os investimentos feitos pela maioria dos pantaneiros. Mas sempre existiu os abusadores, gananciosos e criminosos.


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Fogo como tática de guerra e de caça.

Alguns povos indígenas também usavam o fogo como tática de guerra. Orlando Villas-Boas relata como os índios cercaram por várias vezes os sertanistas, e o alívio que era encontrar um rio ou lagoa como refúgio do fogaréu. Outra prática indígena de atear fogo na mata era para facilitar a caça. Quando se deparavam com uma vegetação mais densa, ateavam fogo para espantar os animais a serem caçados. Ainda entendiam que essa queimada servia para distanciá-los das cobras, escorpiões e plantas espinhosas.


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Os pajés especialistas em queimadas.

O cuidado com o fogo aparece quando essa decisão era atribuída aos anciãos. Queima-se a partir de um conhecimento acumulado, da sabedoria e não para "ganhar" pasto. A orientação era pela lua do que chamamos de mês de agosto. Antes do surgimento da fruta do pequi, bastante estimada pelos índios, os pajés especialistas em fogo determinavam o início, a graduação e as técnicas de controle do fogo pelos ventos. A parcela a ser queimada era cercada com grama seca e arbustos, com as plantas que acreditavam que "gostam de fogo", porquê o reteria por mais tempo.


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Os bombeiros indígenas.

Durante a queimada, os indígenas tinham seus batalhões de bombeiros. Fileiras de índios permaneciam a postos com folhas de bananeira e de palmeiras prontas para abafar qualquer descontrole do fogo. O fogo não podia atingir seus locais de descanso, de refúgio e de defesa, suas hortas e casas de palha. Não é diferente para o pantaneiro. Seus pomares, sedes de fazenda, e pastos caros, devem ser preservados de qualquer ataque das labaredas. Também escolhem o vento apropriado e os locais a serem queimados com cuidado.

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