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Em Pauta

Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 11/02/2026 08:10
Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva

Os primeiros sons ligados ao carnaval não tinham forma de ritmo ou melodia, mas sim de gritos de raiva e risos de deboche. Era o Entrudo. Palavra originada do latim “Introito”, usada para definir o início do período da Quaresma. Emigrantes provenientes das ilhas portuguesas da Madeira, Açores e Cabo Verde trouxeram o hábito do Entrudo, muito popular em Portugal e suas colônias.

Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva
Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva
Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva



Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva

Debret, o artista francês, pinta o Entrudo.

A arte imortalizou o Entrudo, em especial os trabalhos realizados pelo francês Jean-Batiste Debret. O artista, que veio ao Brasil com uma missão para ensinar os brasileiros a pintar, não só pintou o entrudo, mas escreveu sobre ele. Conta Debret que o “limão-de-cheiro”, uma pequena peça feita de cera, para ser atirada nas outras pessoas, era fabricada por pessoas de todas as classes sociais. Uma das versões desse projétil levava perfumes, em geral com aroma de canela.


Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva

Violência, a mãe do carnaval.

A brutalidade do entrudo, não conhecia limites. As pessoas jogavam umas contra as outras polvilho, pó-de-mico, fuligem, goma, limões-de-cheiro e muitos outros líquidos. Até urina. Mesmo com a falta de água, bacias eram entornadas sobre os passantes, que não podiam parar para reclamar, porque senão a situação piorava. Descambava em lutas envolvendo muita gente. Houve, inclusive, mortes. Um dos falecidos era da mesma missão francesa de Debret. A polícia tentava coibir os exageros do entrudo, mas quase nada conseguia.


Primeiros acordes do Carnaval: gritos de raiva

Sai Entrudo, entram os comportados bailes venezianos.

As autoridades publicavam portarias regulamentadoras, mas não havia jeito. A cada carnaval, o entrudo era mais e mais violento. Até que resolveram proibi-lo. Mesmo proibido, resistiu por alguns anos. A  melhor solução, como quase sempre, não era a proibição e sim a troca. Resolveram incentivar cópias do carnaval de Veneza. As máscaras venezianas tomaram conta do carnaval… e nunca mais saíram. O carnaval viajou das ruas para os salões de clubes já existentes, inclusive aqueles que eram exclusivamente devotados à religião.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.