As 1ªs fumaças de guerra e a decisão de construir o Forte Coimbra
As fronteiras do litígio entre os portugueses do Brasil contra os espanhóis do Paraguai não ficavam onde hoje estão demarcadas, estavam na região do rio Miranda. Esse é um rio difícil de entender estudando sua história. Tinha muitos nomes: Aranhaly, Araniani, Botetei, Mareco, Mbotetyn, Mondego, Nabiniogo e, finalmente, Miranda. João Leme do Prado, navegando pelo rio Paraguai, em 1.778, criou em suas margens a povoação de Albuquerque, onde foram assentados pessoas vindas de Cuiabá. Todavia, as longas distâncias não impediam as incursões militares espanholas do Paraguai na região.
Os assédios espanhóis na região do Miranda.
Logo depois da construção de Albuquerque, em 1.791, os espanhóis estiveram na região com a finalidade de construir um povoado ou uma fortificação. Dois anos depois, o projeto espanhol veio a lume, com a construção de um diminuto forte sobre o rio Apa. Em 1.796, realizaram uma expedição militar, tida como bem armada, no encalço dos índios guaicurus e mataram 60 deles e seis de seus chefes. Na seguinte, organizados em um grupo de 700 militares, com três canhões, tomaram mais de mil vacas dos Guaicurus. Logo em seguida, os castelhanos “aterrorizaram a população nativa com o uso de armas”, dizem os documentos da época. Na última, enviaram entre 800 e 1.000 militares, providos de artilharia, com a pretensão de ocupação definitiva da área.
A “estacada militar” brasileira-portuguesa.
As entradas espanholas , em território pretendido pelos brasileiros-portugueses, impulsionaram a mobilização. Saíram da inércia. Resolveram, finalmente, defender o território do “Mondego”, como chamavam o rio Miranda. “Cravaram em região hostil uma estacada militar”. Dessa forma, em agosto de 1.797, a região passou a ser defendida. O Forte Coimbra, erigido por esses motivos, era, efetivamente, uma paliçada, aquele tipo de forte que assistimos nos filmes de faroeste, com paus pontiagudos fincados lado a lado. A Guerra promovida pelos guaranis de Solano Lopes tem suas fumaças quase um século antes de destruírem as fazendas e diminutas fortificações brasileiras.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.




