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Em Pauta

Papagaio falando latim e o poder da pimenta

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 04/02/2024 08:42
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade
Otaviano assume o poder Romano alguns anos antes de Cristo. O novo mandatário preparou o terreno para dois séculos de "pax romana", a longa estabilidade na qual um poderoso comércio de longa distância floresceu pela primeira vez na história da humanidade. Não demorou muito para que embaixadores indianos e representantes chineses aparecessem em Roma oferecendo presentes exóticos. Criaram novos luxos. Seda chinesa e animais selvagens energizaram a vontade das compras. Macacos, tigres e rinocerontes eram uma visão comum nos palácios e até nas ruas de Roma. Mas nenhum fazia tanto sucesso como a imensa quantidade de papagaios falando latim.


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E chega a pimenta.

Enchendo o espaço de muitos navios, a pimenta chegava a granel para temperar a insossa farinha e a cevada da cozinha de todo Mediterrâneo, tanto de pobres como de ricos. Ela ficou tão popular, que quando o "bárbaro" Alarico sitiou Roma em 408 d.C., exigiu quase uma tonelada e meia da especiaria negra.


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Os "horrea" encheram-se de pimenta.

As pimentas do Malabar acabaram sendo concentradas em imensos "horrea", os depósitos em Óstia, em Puteoli e, é claro, em Roma. Embora a moderna imagem de Roma seja dominada pelas ruínas do Coliseu e do Foro, a vida econômica da antiga Roma centrava-se nas ruas laterais cheias apartamentos, lojas e "horrea de pimenta". Havia dezenas de grandes lojas ao lado da Via Sacra, a rua principal da cidade, que hoje atravessa o Fórum. Já era comum o comércio de um determinado bem reunir-se, lado a lado, em uma certa rua. Mas a pimenta não parava no centro, era distribuída para pequenas lojas de varejo, onde era revendida em pequenos pacotes para famílias ricas e de classe média. O único livro de receitas dessa época que sobreviveu, de um romano chamado Apicio, usava a pimenta em 349 de suas 468 receitas. Pimenta era essencial para doces, vinhos e remédios.
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