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Em Pauta

Perdido na noite, o Alzheimer é a doença que mata duas vezes

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 24/10/2021 08:30
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Em novembro de 1901, em um hospital psiquiátrico em Frankfurt, uma mulher chamada Auguste Deter se queixou com o patologista e psiquiatra Alois Alzheimer de esquecimentos recorrentes e cada vez piores. Parecia-lhe que sua personalidade desaparecia pouco a pouco, como areia em uma ampulheta. "Perdi eu mesma", explicou com tristeza.


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Alemão ranzinza e bondoso.

Aloísio Alzheimer é descrito como um bávaro ranzinza mas bondoso, de óculos pincenê e charuto perpetuamente enfiado no canto da boca. Esse chato de bom coração, ficou fascinado pelo caso, mas frustrado com sua incapacidade de fazer alguma coisa para impedir a deterioração da pobre mulher. Era um período difícil para ele. Tinha perdido a esposa e tinha de cuidar de três filhos. Luto e impotência médica ao mesmo tempo.


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A autópsia que revelou a doença.

Com um novo emprego, Alzheimer se mudou para Munique, mas continuou acompanhando o declínio da senhora Deter. Em 1906, enviaram-lhe o cérebro dessa senhora para a autópsia. Alzheimer descobriu que o órgão estava repleto de acúmulos de células destruídas. Comentou sua descoberta em uma palestra e em um artigo é assim ficou definitivamente associado a uma doença que continua sem sabermos muito mais que ele e sem cura.


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Morrer duas vezes.

Há dois grupos de cientistas estudando o Alzheimer. Um defende que são as proteínas tau que são as responsáveis pelo esquecimento. Outro, bem mais popular, diz que são as beta-amilóide. Talvez ambos tenham razão. Ou não. O fato é que essa doença destrói as memórias de curto prazo quando inicia. Depois avança sobre as demais. Leva à confusão, irritabilidade, perda da inibição e, finalmente, perda de todas as funções corporais, incluindo respiração e deglutição. Pessoas com Alzheimer, pôde-se dizer, morrem duas vezes. Primeiro a mente, depois o corpo.


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Vida virtuosa reduz as chances de Alzheimer em 60%.

Não é fácil. Mas uma vida virtuosa reduz as chances de Alzheimer em 60%. Dieta saudável, magreza, exercício frequentes ainda que moderados, não beber em excesso, mente ativa e questionadora, alta escolaridade - é a esse conjunto de atitudes que chamam de vida saudável para impedir a chegada desse mal terrível. Acredita-se que o Alzheimer afete 50 milhões de pessoas no mundo. No total, um terço de todas as pessoas com mais de 65 anos morrerá de Alzheimer ou de outra demência. Era a terceira causa mais comum de mortes entre idosos antes da pandemia.

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