O dia em que os irmãos descobriram que ser sócio é diferente de ser irmão
Durante anos eles se deram bem … Muito bem … Viajavam juntos … Passavam Natal juntos … Criaram os filhos praticamente dentro da mesma empresa e nunca tiveram grandes problemas.
- Leia Também
- Vocês herdaram a terra. Mas esqueceram de herdar o combinado.
- A empresa vale milhões. A crise custa R$ 200 mil.
Até que precisaram decidir o futuro do negócio.
Um queria comprar mais terra. Outro queria reduzir risco. Um queria reinvestir. Outro queria receber renda. Um queria crescer e o outro queria vender. Imagina essas conversas.
E, de repente, irmãos que passaram uma vida inteira caminhando lado a lado descobriram algo que ninguém havia lhes ensinado.
Ser irmão é uma coisa. Ser sócio é outra.
Porque irmãos são unidos pelo afeto. Sócios precisam conviver com interesses legítimos que nem sempre são iguais.
O problema não é discordar. Toda sociedade saudável tem divergências. O problema é não existir uma forma clara de resolver essas divergências.
Enquanto o pai está vivo, normalmente existe alguém ocupando esse papel.
A palavra final tem dono. As decisões têm direção. Os conflitos têm árbitro.
Mas quando ele sai da mesa, a família precisa substituir liderança por governança. E muitas não conseguem.
Não porque falte inteligência. Não porque falte caráter. Mas porque ninguém preparou a família para essa fase. Prepararam os filhos para receber patrimônio. Mas não para dividir decisões.
E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Receber patrimônio é um evento. Tomar decisões juntos é um processo que dura décadas.
Por isso tantas empresas familiares enfrentam dificuldades justamente depois da sucessão.
Não porque os herdeiros sejam piores. Mas porque a estrutura continuou dependendo de uma pessoa que não está mais ali.
Toda família empresária deveria se fazer uma pergunta simples:
Se amanhã ninguém concordar, como a decisão será tomada? Porque o futuro do patrimônio raramente é definido pelo tamanho da herança.
Na maioria das vezes, ele é definido pela qualidade das decisões tomadas depois dela. E poucas famílias percebem isso antes que o conflito apareça.
(*) Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.
Siga no Instagram: @rodrigogpimentell

