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    Emanuel Steffen - www.mayel.com.br


14/05/2018 09:57

Autoestima e sucesso financeiro

Por Emanuel Steffen (*)

Existe uma mania que odeio em alguns brasileiros. Não é privilégio nosso, claro, mas temos uma tendência de sermos pessimista demais. Alguns dizem se tratar de cautela. Justificam o pessimismo exagerado como forma de estar prevenido e preparado para quando a oportunidade surgir. Esperar a oportunidade surgir e os problemas se resolverem são nossas especialidades. A culpa “é do sistema”, nos vemos como vítimas. Quando o assunto é dinheiro, essa atitude pode ser fatal.

Existem diversas variáveis que influenciam nossa capacidade de criar oportunidades e agir diante de realidades adversas, mas hoje irei citar e discutir uma das mais importantes: a autoestima. Crer na sua capacidade significa simplesmente que você é tão bom quanto qualquer outra pessoa. Trata-se de um princípio básico, mas poderoso, para dar cabo das coisas. Parece simples. Há, no entanto, diversos aspectos da autoestima que gosto de abordar.

Antes de tudo, o seu ambiente cultural, familiar e educacional têm enorme influência e importância na formação de sua opinião, ponto de vista e de seu conceito sobre o mundo.

Dito isso, lembre-se de sempre aplicar os conceitos que julgar úteis, pois esta é a maneira mais simples e fácil de fortalecer sua autoestima. Não existe regra, nem certo/errado. É preciso acreditar que, independentemente de suas ações, você terá sempre o mesmo valor e importância. Simplificando, a autoestima não depende do que você realmente é, mas sim das representações que faz de si mesmo, do que você pensa a seu respeito. E, então, de como age de acordo com esse quadro.

Um exemplo simples que presenciei recentemente demonstra como não estamos preparados para lidar com a autoestima de uma maneira geral. Em uma cena normal do cotidiano, uma mãe está discutindo com seu filho de oito anos sobre suas teimosias. Ela então solta uma frase mais ou menos assim: “Você é uma criança muito ruim, irresponsável, que peste!”. Passados alguns minutos, a mãe, fora de controle, repete as palavras em tom ainda mais rude.

Tudo que ele fazia era falar muito alto, incomodando as pessoas. Ouvir mensagens assim, com relativa frequência, mexe com a autoestima do filho. Quanto ele já ouviu e ainda vai ouvir? Funciona? Ora, as crianças acreditam no que os adultos dizem. É preferível explicar e esbravejar sua crítica ao ato incorreto da criança, mas não transformá-la, prematuramente, em algo que ela não é. Momentos em que não nos controlamos acontecem, mas educar segundo o princípio da ferida não me parece inteligente.

Crianças sem autoestima também crescem e se tornam adultos. Adultos que muitas vezes consideram perder um emprego como perder um amigo ou um parente. Elas sentem que
perderam parte de si mesmas, entram em depressão, perdem o prazer de viver e muitas
vezes adoecem. O exemplo pode ser associado às frustrações em geral.

Você conhece alguém assim? Pois é, infelizmente eu também conheço. Agora adicione dinheiro, contas, investimentos e consumo a esse caldeirão de emoções, sentimentos represados, pressão cotidiana e baixa autoestima. A receita tem enormes chances de desandar.

Gente sem amor próprio e motivação tende a ver o dinheiro como problema. Não raro, muitas consultorias e trabalhos de planejamento terminam por identificar uma falha maior no aspecto emocional. A falta de planejamento surge muito mais como consequência. Então pergunto: o que você faz? Você naturalmente irá começar a falar de trabalho, sua profissão, empresa em que atua etc. Que falta de imaginação. Experimente falar de você, do que gosta, porque decidiu-se por sua profissão e o que o diferencia das pessoas. O ouvinte vai interessar-se muito mais em você, que é o que realmente importa.

Sobre autoestima e seu efeito no cotidiano, tenho algumas considerações: Um bom começo é pensar se um determinado aspecto pessoal representa um obstáculo ou uma possibilidade. Há algo que você não gosta em você? Certo, mas também há algo que você faz melhor que ninguém. Pense nisso. Explore sua beleza física. De todas as competências que alimentam a autoestima, o aspecto físico é o mais imediato, aquele que menos depende do contexto. Elogios são sempre bem-vindos, mas depender deles para manter a sua autoestima elevada é um erro.

Não podemos depender exclusivamente de algo que está fora de nosso controle. Aceite que nem todos irão reparar na sua transformação e viva com isso. Evite a rotina. Ela impede você de diferenciar-se e valorizar-se. Você não é Einstein e não conhece matemática como ele, mas isso não é motivo para se autodepreciar ou ficar deprimido. Saiba o suficiente e explore sua vocação.

Para imediatamente de se criticar. Relaxe. Aceite-se como você é e viva SUA vida. Quando
você culpa a si mesmo exageradamente, tende a assumir grande parte da responsabilidade
de todos os eventos ruins que ocorrem ao seu redor. O próximo passo pode ser a depressão. É possível tornar nossa vida mais leve se diminuirmos o nosso senso crítico e dirigirmos o foco das nossas ações para a diversão; não para a perfeição. Não somos obrigados a aceitar o que o destino nos reserva. Polêmica, ou não, minha visão é de que podemos e devemos decidir.

Àqueles que “tem tanta coisa para fazer”, que provavelmente dirão que este texto não passa de uma utopia, insisto: para vencer e manter sua autoestima, não adianta sonhar fora do escritório, ser feliz só depois do expediente. Valorize suas crenças, princípios e revolucione. A paz com seu bolso será uma das muitas consequências. Maravilhosas consequências.

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