TáON: Dra. Pollyaneh fala sobre NR-1 e saúde mental
Psicanalista explica como infância, família e trabalho influenciam a saúde emocional
A saúde mental deixou de ser um assunto restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço estratégico dentro das empresas, das famílias e da sociedade. Esse foi o tema central do episódio do TáON que recebeu a psicanalista, neurocientista e especialista em desenvolvimento humano, Dra. Pollyaneh Oliveira.
Durante a entrevista, Pollyaneh compartilhou sua trajetória profissional, que começou a partir da maternidade aos 18 anos. A curiosidade em compreender o comportamento infantil levou a profissional a aprofundar seus estudos em pedagogia, neuropedagogia, neurociência, análise do comportamento, psicanálise e terapia dos esquemas.
"Hoje, a minha curiosidade é entender como o ser humano funciona na sua camada mais profunda. Entender a origem das dores, dos sofrimentos e dos comportamentos", explicou Pollyaneh.
Ao longo da conversa, a especialista destacou que muitos dos problemas emocionais enfrentados pelos adultos têm origem na infância e refletem diretamente na vida profissional, nos relacionamentos e na forma como as pessoas lidam com desafios e frustrações.
Segundo ela, uma criança que cresce sem afeto, validação emocional ou limites equilibrados pode desenvolver padrões que acompanharão toda a vida adulta.
"Quando uma criança cresce sem uma estrutura emocional funcional, ela pode se tornar um adulto extremamente competente, mas que nunca se sente bom o suficiente. O problema não é a falta de competência, mas feridas emocionais antigas que moldam comportamentos e não foram tratadas", afirmou Pollyaneh.
Sociedade cada vez mais conectada e emocionalmente distante
Outro ponto abordado no episódio foi o impacto da tecnologia e das redes sociais na saúde mental da população.
Para a especialista, a velocidade das informações e a hiperconectividade estão contribuindo para o aumento dos casos de ansiedade, exaustão emocional e dificuldades nos relacionamentos.
"Nunca tivemos tanta informação e tanta conexão digital, mas nunca estivemos tão desconectados de nós mesmos e dos nossos relacionamentos", destacou a Doutora.
Ela também chamou atenção para a forma como crianças e adolescentes estão sendo educados atualmente.
"Hoje eu vejo dois extremos: a ausência emocional dos pais e a superproteção. As crianças precisam de amor, mas também precisam desenvolver autonomia, responsabilidade e tolerância à frustração. Ninguém nasce com essas habilidades", ressaltou Polly.
Burnout, ansiedade e os sinais que não podem ser ignorados
Durante o bate-papo, Pollyaneh explicou que transtornos como burnout e ansiedade costumam apresentar sinais muito antes do colapso emocional.
Irritabilidade, alterações de humor, esquecimento, dificuldade de concentração, baixa produtividade e isolamento são alguns dos sintomas que merecem atenção.
A profissional compartilhou, inclusive, uma experiência pessoal ao enfrentar um quadro de burnout após um período de intensa sobrecarga de trabalho.
"Eu percebi o esquecimento, a dificuldade de concentração e a exaustão. O mais difícil foi admitir que precisava de ajuda. A cura começou quando eu falei em voz alta que estava com burnout", relatou.
Segundo ela, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar agravamentos e buscar tratamento adequado.
NR-1: obrigação legal ou oportunidade estratégica?
Grande parte da entrevista foi dedicada às mudanças trazidas pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas atenção aos chamados riscos psicossociais.
Para Pollyaneh, muitas organizações ainda enxergam a nova exigência apenas como uma obrigação legal, quando, na verdade, ela representa uma oportunidade estratégica para melhorar resultados.
"O custo de não investir na saúde emocional é enorme. As empresas calculam a folha de pagamento, mas não calculam quanto custa um colaborador emocionalmente adoecido", alertou.
Ela destacou que afastamentos, conflitos internos, perda de talentos, absenteísmo e baixa produtividade são reflexos diretos de ambientes emocionalmente desgastantes.
"A empresa que entender a NR-1 como uma oportunidade histórica de investir em pessoas vai sair na frente. Quando eu invisto em pessoas, eu gero resultados consistentes e sustentáveis", afirmou.
A especialista também reforçou o papel das lideranças dentro desse novo cenário corporativo.
Segundo ela, não basta boa vontade para conduzir equipes. É preciso preparo emocional, escuta ativa e desenvolvimento constante.
"Uma liderança emocional exige preparo. Exige aprender a ouvir, identificar sofrimento emocional, criar ambientes psicologicamente seguros e conduzir conversas difíceis", destacou.
Pollyaneh defendeu que líderes emocionalmente saudáveis influenciam diretamente a qualidade do ambiente de trabalho e os resultados da organização.
"Eu libero aquilo que está em mim. Se o líder está adoecido, ele influencia diretamente a equipe. Líderes saudáveis constroem ambientes saudáveis", afirmou Pollyane.
Ao encerrar a entrevista, Pollyaneh reforçou que a saúde emocional não pode ser ignorada nem dentro das empresas nem fora delas.
Para ela, investir em autoconhecimento, fortalecer vínculos familiares e criar ambientes emocionalmente seguros são passos fundamentais para uma sociedade mais saudável.
"Não existe como deixar a saúde emocional do lado de fora da empresa. As emoções moldam a forma como pensamos, sentimos e reagimos. Quando entendemos isso, passamos a enxergar as pessoas de forma integral e os resultados aparecem naturalmente", concluiu.
O episódio completo do TáON com a Dra. Pollyaneh Oliveira está disponível nas plataformas digitais do programa e traz reflexões importantes para empresários, líderes, profissionais e famílias que desejam compreender melhor os desafios emocionais da atualidade.
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