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Monitoramento contínuo no pulso: até onde os alertas dos wearables preocupam?

Cardiologista da Cassems explica que aparelhos ajudam na triagem de arritmias, mas não indicam a doença

Conteúdo de Marca - Cassems | 21/08/2026 08:30
Monitoramento contínuo no pulso: até onde os alertas dos wearables preocupam?
Foto Divulgação

Cada vez mais populares, os wearables - relógios ou anéis inteligentes - monitoram passos, calorias, sono, frequência cardíaca e até eletrocardiogramas. No entanto, essa facilidade de acesso a métricas biológicas contínuas trouxe um dilema médico e comportamental: a dependência de dados numéricos. O que tem, aos poucos, substituído a capacidade das pessoas ouvirem o próprio corpo.

Segundo o cardiologista da Cassems, Alexandre Henrique Zangari,  tem sido uma situação cada vez mais comum pacientes chegarem ao consultório médico preocupados porque o acessório apontou alguma alteração na frequência cardíaca. “O mais importante é entender que um alerta não significa, necessariamente, uma doença cardíaca. Variações da frequência podem acontecer por exercício, estresse, cafeína, falta de sono ou até por limitações do próprio sensor”, comenta.

Entre o monitoramento e a ansiedade 

Estudos confirmaram que os dispositivos, cada vez mais evoluídos, podem ser uma ferramenta muito útil para identificar alterações que passariam despercebidas. Nas pesquisas realizadas com smartwatches, por exemplo, os alertas de ritmo irregular apresentaram boa capacidade de identificar fibrilação atrial, embora não sejam perfeitos. Já no Apple Heart Study, cerca de 84% dos alertas de pulso irregular que puderam ser avaliados coincidiram com fibrilação atrial no eletrocardiograma.

O cardiologista pontua ainda que o estresse e a ansiedade de ver um número "alterado" no relógio podem fazer a frequência cardíaca subir, porque a pessoa monitora o número constantemente e interpreta cada variação como sinal de doença.

“A frequência cardíaca não é um número fixo, e costuma variar ao longo do dia por inúmeros fatores como a prática de atividades físicas, emoções, sono e aí está o problema, interpretar qualquer alteração como uma doença. Minha orientação é não transformar os dados sinalizados pelo dispositivo em um diagnóstico”.

E conclui que a tecnologia deve aumentar a consciência sobre a saúde e não causar ansiedade. “Claro, se a alteração for recorrente ou houver uma notificação sugestiva de arritmia, vale procurar avaliação médica para confirmar o achado”, finaliza Zangari.