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Direto das Ruas

"A vítima fui eu", diz esposa de homem que gritou com enfermeira na Capital

Ocorrido na quarta-feira (24), confronto foi registrado em vídeo e gerou repercussão nas redes sociais

Por Mylena Fraiha | 27/04/2024 18:53
Fachada da USF Dra. Soni Lydia Souza Wolf, no Jardim das Macaúbas (Foto: Reprodução/Google Maps)
Fachada da USF Dra. Soni Lydia Souza Wolf, no Jardim das Macaúbas (Foto: Reprodução/Google Maps)

“A vítima fui eu, ela gritou comigo e fiquei sem reação”, diz a paciente Lara Gabriela Sales Martins, de 34 anos, que explicou ao Campo Grande News o “outro lado” da briga ocorrida na USF (Unidade de Saúde da Família) Dra. Soni Lydia Souza Wolf, no Jardim das Macaúbas, em Campo Grande, na da quarta-feira (24).

De acordo com Lara, ela já estava sob acompanhamento médico para tentar engravidar na USF Dr. Wagner José Bortotto Garcia, no Residencial Mário Covas. No entanto, durante sua consulta de retorno, em 17 de abril, recebeu a notícia de que sua médica estava de atestado.

“Me disseram que iriam ligar para remarcar essa consulta de retorno. Passou uma semana e ninguém ligou. Fiquei preocupada, pois o exame mostrou uma pequena alteração na minha vitamina B12”, explica Lara.

Na manhã de terça-feira (23), Lara procurou a gerência da USF Sebastião Luiz Nogueira, do Bairro Los Angeles, onde mora, para saber como proceder. Lá, foi informada de que poderia ter os exames avaliados na USF Macaúbas, por meio de um encaixe.

É importante ressaltar que, devido à reforma da USF Sebastião Luiz Nogueira, as equipes médicas estão atendendo na USF Macaúbas e na USF do Mário Covas, conforme explicado pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

Já na quarta-feira (24), ao chegar à USF Macaúbas, Lara foi encaminhada inicialmente para conversar com a enfermeira para avaliar os exames, mas o problema começou neste primeiro contato.

Quando expliquei que gostaria que alguém olhasse os exames, ela logo disse: ‘Eu não vou te atender. Aqui tem gente com hipertensão’. Tentei explicar que só queria que alguém olhasse os exames, mas ela não deixou eu falar e mandou eu ir embora. Fiquei sem reação e saí chorando”, relata Lara.

Depois do incidente, Lara foi à gerência da USF do Los Angeles e conseguiu remarcar uma consulta. “Lá também fui orientada a procurar a Ouvidoria, para procurar os meus direitos e remarquei a consulta. Mas ainda estava abalada com a situação”.

"Reação de indignação" - De volta para casa, Lara relata que fez a reclamação para a Ouvidoria e explicou a situação para o marido. Ele sugeriu que fossem à USF Macaúbas para tentar entender a situação. “No local, fomos direto onde a servidora estava. Meu marido chegou lá questionando por que ela havia tratado me tratado mal. Ela apontou o dedo na cara dele, começou a gritar e isso o deixou alterado”.

Nesse momento, conforme noticiado anteriormente, o confronto foi registrado em vídeo por pacientes que aguardavam atendimento. No vídeo, é possível ouvir o homem gritar “ela vai aprender a trabalhar hoje", enquanto anda pela unidade de saúde.

De acordo com Lara, seu esposo de fato gritou com a servidora, mas ela alega que foi uma “reação de indignação”. “Ele gritou, aí chamaram a Polícia Militar para falar com o meu esposo. Depois disso fui atendida e meu esposo foi conversar com os policiais. Na verdade, isso foi uma reação de indignação. Após isso, até disseram que devíamos abrir um registro interno na Sesau”.

Com a repercussão do vídeo nas redes sociais, Lara diz estar indignada com a forma que a situação tem sido tratada. “A gente fica refém dessa situação, porque não podemos gravar e é a nossa palavra contra a deles. Mas no caso, a vítima sou eu. Foi uma humilhação”.

Outra versão - Segundo relato de uma testemunha, identificada apenas como Miranda, de 28 anos, o episódio ocorreu por volta das 9h. De acordo com ela, o homem ficou descontrolado após receber a notícia de que sua esposa não poderia ser encaixada para uma consulta naquele momento.

"O que aconteceu foi que a esposa dele veio mais cedo ao posto para tentar um encaixe com o médico a fim de mostrar exames, porém não havia mais vagas. Nesse momento, a enfermeira o dispensou. Ele começou a gritar e quase a agrediu", explica Miranda.

Após a confusão, os demais funcionários solicitaram a intervenção da segurança. Conforme relato da testemunha, somente com a chegada da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da PM (Polícia Militar) que o indivíduo se acalmou.

O que diz a Sesau - Sobre a conduta da servidora, a Sesau explicou que todas as denúncias e reclamações são avaliadas pela Ouvidoria. Entretanto, a necessidade de afastamento ou aplicação de medida disciplinar em relação à servidora ainda será avaliada.

"Em caso de queixa contra algum servidor ou serviço, primeiramente é aberto um processo administrativo e posteriormente uma sindicância. Neste caso em específico, a servidora deverá ser ouvida para entender a situação", explica a assessoria da Sesau.

A Sesau também reforça que suas unidades operam com dois modelos de atendimento: agendamento prévio e demanda espontânea. No processo habitual, a avaliação de exames é geralmente realizada no retorno do paciente. Após a consulta, o paciente é encaminhado para exames e retorna já com uma data marcada para acompanhamento.

Em relação ao atendimento por demanda espontânea, conhecido como encaixe, a Sesau esclarece que, caso o número de encaixes para o dia já tenha sido atingido, os pacientes são orientados a retornar em outra data. “É importante deixar claro que não há orientação para recusa de atendimento”, explica a assessoria da Sesau.

A pasta informa que a conclusão da reforma da USF Sebastião Luiz Nogueira, do bairro Los Angeles, está prevista para o segundo semestre do ano.

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