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Direto das Ruas

Comunidade improvisa amarrando ponto de ônibus em árvore e reclama do transporte

Moradores do Jardim Campo Alto falam em abandono e criticam qualidade do transporte coletivo

Por Inez Nazira | 25/06/2026 18:05
Comunidade improvisa amarrando ponto de ônibus em árvore e reclama do transporte
Ponto de ônibus foi reerguido por moradores após ser derrubada pela chuva; local acumula mato alto e lixo (Foto: Inez Nazira)

Esperar o ônibus no meio da rua, sem abrigo e sem a certeza de que o coletivo vai passar. Essa tem sido a rotina de moradores do Jardim Campo Alto, em Campo Grande, após as chuvas agravarem as condições das vias sem pavimentação. Segundo os relatos, as chuvas alteraram parte do itinerário do transporte coletivo, porque o ônibus não consegue trafegar por alguns trechos, deixando de atender 3 pontos de embarque.

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Moradores do Jardim Campo Alto, em Campo Grande, enfrentam dificuldades no transporte público após as chuvas agravarem as condições das vias sem pavimentação. Parte do itinerário foi alterada porque os ônibus não conseguem trafegar por alguns trechos, deixando três pontos sem atendimento. Sem abrigo, os passageiros esperam no meio da rua. A prefeitura foi procurada, mas não respondeu até a publicação.

A equipe do Campo Grande News esteve no bairro e encontrou o aposentado Elenio Silvio, de 87 anos, aguardando o ônibus em meio à pista. Sem um ponto adequado, ele diz conviver diariamente com a insegurança.

"Eu estou esperando o ônibus aqui, mas ele costuma virar lá em cima e não entrar nesta rua. Esses dias mesmo eu voltei para casa a pé durante a noite porque eles fizeram o retorno antes", conta.

O aposentado comenta que os passageiros passam por outros desafios. “Tem buraco para todo lado e a situação está complicada. Quando o ônibus para, a gente desce sem conseguir ver quem está vindo na rua, e isso acaba sendo perigoso.”

Comunidade improvisa amarrando ponto de ônibus em árvore e reclama do transporte
Na rua Thomaz Volpe Merlo, além do ponto tomado pelo mato, transporte público evita passar pela via (Foto: Inez Nazira)

Moradora da Rua Manoel Crescente Silva, que preferiu não se identificar, afirma que os problemas se intensificaram no início desta semana, quando um ônibus ficou atolado durante o trajeto.

"O ônibus só conseguiu passar porque a rua secou. Se voltar a chover, ele não passa mais. Ele ficou atolado, não conseguiu subir e precisou voltar. Na terça-feira (23) ele deu ré e voltou, nem se arriscou a passar pela rua. Depois avisaram que não iam mais descer por aqui", relata.

Segundo ela, três pontos de ônibus ao redor da casa dela deixaram de ser atendidos. "Aqui fica muita gente esperando. A gente acaba ficando no meio da rua, correndo risco de assalto ou qualquer outra situação. Hoje eu não quis arriscar ficar esperando no ponto e precisei pagar R$40 de Uber"

Além das condições da via, a moradora reclama da ausência de abrigo para os passageiros e da falta de manutenção na região. "Eu gostaria que tivesse um ponto de ônibus coberto e que fosse feita a limpeza do local. Também precisa passar um trator e colocar cascalho novo. Quando chove, as pedras descem e não seguram nada. O mato também é um problema, está muito alto e ninguém consegue enxergar nada".

O empresário Matheus dos Santos, de 28 anos, afirma que a deterioração das ruas ocorreu após as últimas chuvas e confirma que, fora dos horários de pico, o coletivo deixou de circular pelo trecho. "Disseram que o ônibus só está passando nos horários de pico. Fora disso, ele segue pelo asfalto e volta para o terminal".

A situação também afeta a mãe dele, que sai de casa ainda de madrugada para trabalhar. "Antes ela pegava o ônibus aqui na frente, mas agora precisa caminhar até outro ponto. É um lugar muito escuro e perigoso. Não existe nenhuma estrutura para quem depende do transporte público".

Morador da Rua Isa Alves Fontuna há dez anos, o aposentado Antônio Dias dos Santos, de 60 anos, afirma que o abandono é antigo. "Nosso bairro está abandonado. Esta é uma linha de ônibus e não existe sequer um abrigo para as pessoas se protegerem da chuva".

Ele conta que os próprios moradores realizam parte da manutenção para minimizar os impactos das enxurradas. "Eu mesmo cuido daqui da frente aqui. Se eu não cuidasse da vala para escoar a água, nós nem conseguiríamos passar de carro quando chove".

Segundo Antônio, os prejuízos também atingem quem possui veículo. "Já gastei mais de R$3 mil com a suspensão por causa das condições das ruas. Sinceramente, às vezes é mais fácil andar em estrada de chão do que em algumas ruas daqui".

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Grande foi questionada sobre a previsão para manutenção das vias, limpeza dos terrenos públicos, instalação de abrigo nos pontos de ônibus e eventual normalização do itinerário da linha que atende o Jardim Campo Alto. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Comunidade improvisa amarrando ponto de ônibus em árvore e reclama do transporte
Trecho da rua Manoel Crescente Silva que foi alvo de reclamação dos moradores (Foto: Inez Nazira)


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