Moradores denunciam siderúrgica por supostas irregularidades ambientais
Imasul investiga caso, conclui fiscalização em indústrias da região e prepara relatório técnico

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) investiga uma denúncia apresentada por moradores de Aquidauana contra a SIMASUL Siderurgia. Os residentes acusam a empresa de operar em desacordo com as normas ambientais. Entre as irregularidades apontadas estão o funcionamento simultâneo de dois altos-fornos sem licença para essa configuração, falhas no monitoramento de emissões atmosféricas e a comercialização de subprodutos durante a fase de testes de um dos equipamentos.
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O Imasul investiga denúncia de moradores de Aquidauana contra a SIMASUL Siderurgia por supostas irregularidades ambientais, como operação simultânea de dois altos-fornos sem licença, produção acima do limite permitido e falhas no monitoramento de emissões atmosféricas por mais de dois anos. Moradores relatam depósito de pó preto em residências próximas. O órgão já realizou fiscalização e analisa amostras coletadas. A empresa não se manifestou.
Conforme a representação protocolada no órgão ambiental, a empresa operaria os altos-fornos AF1 e AF2 ao mesmo tempo, embora a Licença de Operação autorize apenas o funcionamento do AF2 e proíba expressamente a operação conjunta. A denúncia também sustenta que a produção chegaria a até 600 toneladas diárias de ferro-gusa, acima do limite de 300 toneladas previsto na licença vigente.
Os moradores ainda afirmam que a empresa deixou de realizar o monitoramento completo das fontes de emissão atmosférica por mais de dois anos e meio. Segundo a denúncia, o próprio Imasul registrou, em laudo técnico, a ausência de medições em equipamentos como a chaminé do alto-forno, filtros e correias transportadoras, situação que impediria a conclusão do Estudo de Dispersão Atmosférica exigido para o licenciamento.
Os moradores também citam relatos históricos de deposição de pó preto em residências próximas à indústria, além de preocupações com poluição sonora e riscos à saúde da população que vive no entorno da unidade, localizada em área urbana de Aquidauana.
Ao Campo Grande News, o Imasul informou que já realizou fiscalização na SIMASUL e em outras indústrias da região. Segundo o órgão, a equipe técnica coletou amostras durante as vistorias e, agora, iniciará a elaboração do relatório que irá subsidiar a análise do caso.
Ainda conforme o instituto, a investigação segue em andamento e o resultado dependerá da avaliação técnica do material coletado durante as inspeções.
Em nota, a Simasul afirmou que atua em conformidade com a legislação ambiental, possui todas as licenças necessárias e mantém monitoramento contínuo de suas operações. A empresa negou as acusações de funcionamento de dois altos-fornos sem autorização, produção acima da capacidade licenciada, falhas no monitoramento de emissões e irregularidades na destinação da escória, sustentando que todas as atividades seguem as exigências dos órgãos ambientais.
A siderúrgica também afirmou que não utiliza matéria-prima que represente risco à saúde da população, negou emissão de ruídos acima dos limites legais e disse manter diálogo com os órgãos fiscalizadores. Ao final, reiterou confiança na apuração técnica dos fatos e informou que poderá adotar medidas judiciais para resguardar sua imagem caso sejam comprovadas informações inverídicas.
*Matéria alterada às 17h37 de quinta-feira (9), para inserção de resposta da empresa.
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Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem pelo canal Direto das Ruas.

