ACOMPANHE-NOS    
MARÇO, SÁBADO  28    CAMPO GRANDE 23º

Economia

Arroba do boi teve desvalorização de 22% no Estado desde dezembro

Mesmo com a queda valores do boi na indústria, efeitos para consumidor exigem ainda ajustes de mercado

Por Rosana Siqueira | 24/01/2020 17:15
Preços da arroba recuaram neste mês mas valores da carne continuam em alta. (Arquivo)
Preços da arroba recuaram neste mês mas valores da carne continuam em alta. (Arquivo)

O preço da arroba do boi caiu 22% desde o "boom" da alta da carne no final do ano passado em Mato Grosso do Sul. O máximo que os pecuaristas conseguiram no preço do boi no ano passado aqui no Estado foi R$ 220 a arroba, e hoje os preços estão sendo negociados a R$ 170 a arroba.
De acordo com o presidente da Assocarnes (Associação de Matadouros, Frigorfíficos e Distribuidores de Carne de MS), Sérgio Capuci os preços estão caindo também no atacado. Mas antes que o consumidor se empolgue e parta pra organizar o churrasco, ele diz que os consumidores podem esperar uma redução nos preços da carne mas não nos níveis que estavam há cinco meses.

De acordo com fontes do setor, a pecuária passa por um momento de reorganização do mercado. Há um ajuste de preços e uma busca por equilíbrio. A avaliação é de Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Carvalho diz que são muitos os agentes nesse mercado, e que não há ainda uma tendência definida de preços. Com a renegociação de contratos pela China e a acomodação do mercado interno, o setor ainda deverá definir um novo patamar de valores.

A notícia da exigência chinesa de renovação de contratos com valores até 30% menores impactou o mercado pecuário. “A renegociação de preço com a China procede é realidade todos os frigoríficos do Brasil na área de bovino tiveram que conceder descontos, estamos todos esperando q o mercado se estabilizar em toda a cadeia produtiva”, destacou o presidente da Asscocarnes/MS.

As margens das indústrias são menores e as pressões vêm não apenas das renegociações externas, mas também de dificuldades internas.

Recuo - Como sempre ocorre em janeiro, o poder de compra dos consumidores, devido aos gastos de final de ano e aos custos extras do início, fica menor. Haverá um acerto nos estoques e nos preços, segundo o pesquisador.

O novo patamar não será o dos valores explosivos do final do ano passado, mas ficará acima do da média de negociações de 2019.

Isso deverá ocorrer porque antes mesmo da repentina elevação de preços de novembro, o mercado já vinha se ajustando para cima a partir de agosto.

Para ele, cada região tem suas especificidades, e os valores de negociações vão se comportar conforme as necessidades da indústria.

Em algumas regiões, os frigoríficos poderão fazer compras maiores para o cumprimento de contratos, procurar por um boi de melhor qualidade ou acelerar as aquisições devido a uma escala curta. O desempenho de cada um dará ritmo às negociações das áreas em que atuam.

A expectativa dos pecuaristas é que, no médio prazo, haja uma sustentação dos preços. Os estados do Sul e de Mato Grosso do Sul tiveram dificuldades na reposição de bezerros, o que vai afetar o mercado a partir de abril.