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Economia

Boom da celulose multiplica empregos e leva exportações de MS a US$ 3,1 bilhões

Atividade impulsiona a industrialização, fortalece o comércio exterior e amplia a geração de riqueza no Estado

Por José Cândido | 10/08/2026 10:58
Boom da celulose multiplica empregos e leva exportações de MS a US$ 3,1 bilhões
Trabalhador caminha ao lado de grandes fardos brancos de celulose prontos para exportação, no armazém industrial da Suzano em Ribas do Rio Pardo (Foto: Osmar Veiga)

Em pouco mais de uma década, setor ampliou em 249% o número de empregos, elevou em 1.148% o valor da produção e consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais da indústria de base florestal.

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A indústria da celulose transformou a economia de Mato Grosso do Sul em pouco mais de uma década. Entre 2010 e 2025, o setor ampliou 249% os empregos, chegando a 24.430 trabalhadores, e elevou as exportações de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões. O valor da produção cresceu 1.148%, atingindo R$ 20,4 bilhões em 2024, consolidando o Estado como um dos principais polos mundiais da indústria de base florestal.

A indústria da celulose deixou de ser uma aposta para se transformar em uma das maiores forças econômicas de Mato Grosso do Sul. Impulsionado por investimentos bilionários, expansão das florestas plantadas e instalação de grandes fábricas, o setor passou a ocupar posição estratégica na economia estadual, ampliando empregos, exportações e geração de riqueza em um ritmo raramente observado na indústria brasileira.

Os números traduzem essa transformação. Entre 2010 e 2025, o total de trabalhadores empregados na cadeia da celulose saltou de 7.004 para 24.430, crescimento de 249%. No comércio exterior, a evolução foi ainda mais expressiva: a receita das exportações aumentou de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões, consolidando a celulose entre os principais produtos vendidos por Mato Grosso do Sul ao mercado internacional.

O avanço também aparece no desempenho industrial. O valor bruto da produção passou de R$ 1,63 bilhão em 2010 para R$ 20,4 bilhões em 2024, expansão de 1.148%. No mesmo período, o volume exportado cresceu de 857,8 mil toneladas para 6,91 milhões de toneladas, refletindo a forte ampliação da capacidade produtiva instalada no Estado.

Para o economista-chefe da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), Ezequiel Resende, a celulose representa a principal mudança estrutural da indústria sul-mato-grossense nas últimas décadas.

“A celulose é uma nova locomotiva. Pelo volume de investimentos, pelo rápido crescimento e pela participação na atividade econômica e industrial do Estado, ela se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação do Mato Grosso do Sul.”

Segundo ele, o segmento já figura entre os maiores responsáveis pela geração de riqueza da indústria estadual, alterando o perfil econômico de Mato Grosso do Sul.

"Hoje a celulose está entre os segmentos que mais contribuem para a geração de riqueza da indústria de transformação sul-mato-grossense.”

Além do crescimento da produção, o setor elevou a qualidade da pauta exportadora do Estado ao incorporar produtos com maior valor agregado e ampliar a inserção em mercados internacionais.

“O melhor exemplo dessa transformação é a celulose. Ganhamos novos produtos de maior valor agregado, alcançamos novos mercados e aumentamos significativamente nossa presença internacional”, destaca Resende.

Esse avanço também se espalha por empresas que prestam serviços e fornecem produtos para as indústrias instaladas no Estado. Segundo dados encaminhados pela Suzano, 824 pequenas e médias empresas de Mato Grosso do Sul movimentaram R$ 3,7 bilhões em contratos com as operações da companhia em 2025, média de R$ 308 milhões por mês.

Em Três Lagoas, 532 fornecedores movimentaram R$ 1,7 bilhão no período. Já em Ribas do Rio Pardo, foram R$ 2 bilhões em negócios envolvendo 503 empresas. Como parte dos fornecedores atende às duas unidades, o total consolidado corresponde a 824 empresas diferentes.

Boom da celulose multiplica empregos e leva exportações de MS a US$ 3,1 bilhões
Grandes pilhas de cavaco de madeira, que servem como matéria-prima para a produção de celulose, na Suzano (Foto: Osmar Veiga)

A presença da companhia também ajuda a dimensionar o crescimento da capacidade produtiva instalada no Estado. Em Três Lagoas, a primeira fábrica da Suzano entrou em operação em 2009, inicialmente com capacidade de produção de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano.

Com a entrada de uma segunda linha, em 2017, a capacidade total chegou a 3,25 milhões de toneladas anuais. A operação reúne cerca de 2 mil trabalhadores diretos e terceiros e pode alcançar 6 mil pessoas quando incluídas as atividades florestais.

Outro salto ocorreu com a unidade de Ribas do Rio Pardo, inaugurada em julho de 2024. Projetada para produzir 2,55 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano, a fábrica fechou 2025, seu primeiro ano completo de operação, com produção de 2,58 milhões de toneladas, acima da capacidade inicialmente prevista. Grande parte desse volume é destinada ao mercado externo.

Os efeitos dessa cadeia também aparecem em negócios menores instalados nos municípios envolvidos. Entre os exemplos apresentados pela Suzano está uma cozinha industrial de Água Clara, que fornece refeições para operações ligadas à companhia há cerca de seis anos. Segundo a empresa, o faturamento triplicou no período e o número de funcionários passou de 18 para 35.

Em Ribas do Rio Pardo, outra fornecedora citada pela companhia, que atua com agregados de basalto e pavimentação asfáltica, informou ter ampliado em cerca de 30% o quadro de funcionários, de 28 para 36 trabalhadores, além de aumentar a carteira de clientes.

Os casos são exemplos selecionados pela própria Suzano e não permitem medir, isoladamente, o desempenho de toda a cadeia de fornecedores. Ainda assim, ajudam a ilustrar como a expansão das grandes plantas industriais passou a movimentar setores como transporte, alimentação, manutenção, construção, recursos humanos e logística nos municípios que concentram os investimentos.

A expansão foi sustentada pelo avanço das florestas plantadas, pela elevada produtividade e pela integração entre a produção florestal e a indústria. Esse modelo consolidou Mato Grosso do Sul como um dos principais polos brasileiros da cadeia da celulose, atraindo novos investimentos e fortalecendo a competitividade do Estado no mercado global.

Mais do que ampliar exportações, a indústria da celulose redesenhou parte da economia sul-mato-grossense. Ao combinar escala de produção, integração com fornecedores e competitividade internacional, o setor passou a ter papel relevante na interiorização dos investimentos, na geração de empregos e no fortalecimento da indústria de transformação, tornando-se um dos pilares do crescimento econômico de Mato Grosso do Sul nas últimas décadas.

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