Com 1,3% do crédito de inovação da Finep, indústria de MS pede mais espaço
Após contratar R$ 88,4 milhões em 2025, FIEMS defende menos burocracia, flexibilização e maior participação
Embora o programa Finep Mais Inovação seja uma das linhas de crédito mais baratas do mercado para modernização industrial, a FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) avalia que as operações em Mato Grosso do Sul deixam a desejar e defende maior participação do setor nas operações dessa linha de crédito.
RESUMO
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A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS) avalia que a participação do Estado no programa Finep Mais Inovação é insuficiente. Em 2025, foram contratados R$ 88,42 milhões, apenas 1,3% do total nacional de R$ 12,52 bilhões. A entidade defende ampliar essa fatia para 40%, especialmente diante da Rota Bioceânica, prevista para 2027, que exigirá maior competitividade industrial. A FIEMS também aponta que uma lei de 2026 aumentou a burocracia ao limitar empréstimos a 25% do patrimônio das empresas.
A indústria local contratou, em 2025, R$ 88,42 milhões, o equivalente a 1,3% do total de R$ 12,52 bilhões da linha Finep disponibilizada para todo o Brasil, segundo levantamento da Agência Fiems Conecta. É um volume baixo diante das necessidades de inovação do Estado, que enfrenta diversos desafios, entre eles a maior abertura de mercado proporcionada pela operação da Rota Bioceânica, prevista para 2027. Ao longo deste ano, o setor industrial não conseguiu fechar nenhum contrato.
Vinculada ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), a Finep informa em nota, enviada ao Campo Grande News, que suas linhas de financiamento registram operações de forma contínua no Estado e permanecem disponíveis para o setor local.
Mesmo sem um número fechado sobre a demanda, a indústria precisaria ampliar sua participação para pelo menos 40% do total nacional, diz a coordenadora da Fiems Conecta (agência de desenvolvimento e fomento regional da FIEMS), a economista Renata Farias.
“A Rota Bioceânica reduz em cerca de 17 dias o tempo de transporte das mercadorias para a China, o que representa uma vantagem logística importante, mas também exige que a indústria esteja preparada para competir”, destaca a economista.
O corredor logístico ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico, passando por Paraguai e Argentina, tornando o trajeto mais curto do que o utilizado atualmente pelos portos do Atlântico.
Restrição
Além da burocracia, a FIEMS atribui a baixa participação do Estado nesse tipo de fomento à regulamentação da Lei nº 15.473/2026, que trata do Sistema Brasileiro de Apoio Oficial ao Crédito à Exportação e que, em julho, limitou o valor dos empréstimos a 25% do patrimônio líquido das empresas. Segundo a entidade, isso dificultou o acesso da indústria à linha de crédito, que oferece condições facilitadas de pagamento e juros baixos.
“É como se colocasse uma regra a mais para contratar esse investimento, aumentando a burocracia”, destaca.
Na última semana, a FIEMS apresentou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, um pedido para flexibilizar essa regra. Entre os pleitos também estão a redução da burocracia e o fortalecimento da presença das linhas de crédito da Finep em Mato Grosso do Sul.
A Finep, por outro lado, afirma que a legislação “não estabelece regras para as operações de crédito da instituição”.
Sem citar dados de 2026, a Finep destaca ainda que, em 2025, o Estado contratou R$ 108,1 milhões distribuídos em 43 operações por meio de diferentes instrumentos, incluindo a linha Finep Mais Inovação. Os valores representam menos da metade dos R$ 225,7 milhões contratados em 2024.
Custo baixo
O crédito é financiado com TR (Taxa Referencial) mais 2,5% ao ano, com prazo de carência de até 48 meses e prazo de pagamento de até 192 meses, o equivalente a 16 anos. Os recursos são provenientes do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), principal fundo de fomento à ciência brasileira, administrado pela Finep. O saldo atual é de R$ 33,2 bilhões, proveniente, em parte, dos royalties da indústria do petróleo.
No ano passado, a indústria estadual realizou 14 operações no âmbito da linha de crédito Finep Mais Inovação, inserida no Programa Brasil Soberano, voltado ao apoio das empresas exportadoras prejudicadas pelo tarifaço dos EUA (Estados Unidos) desde 2025.
A maioria das operações foi contratada pelo setor de saúde, responsável por quase 50% do total. A agroindústria ficou em segundo lugar. Esses são alguns dos principais setores com demanda mais aquecida por esse tipo de financiamento no Estado, tanto para capital de giro quanto para compra de máquinas e equipamentos.
Muitas empresas buscam renovar o parque fabril, adquirindo, por exemplo, máquinas mais modernas, com maior produtividade e menor dependência de mão de obra direta, até porque há escassez de trabalhadores qualificados no Estado. Pelos cálculos da entidade, existem cerca de 25 mil vagas abertas em Mato Grosso do Sul, em meio à competição provocada pelos novos projetos de celulose.
Demanda aquecida
A economista da FIEMS reforça que Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais crescem e avançam na industrialização, embora esse processo tenha ocorrido mais tardiamente em relação a outras unidades da federação, especialmente as do Sudeste. Para ela, nenhuma economia se desenvolve sem uma base industrial sólida. Quanto maior o nível de industrialização, maior a produção de bens com valor agregado, ampliando a rentabilidade, a geração de riqueza e o desenvolvimento econômico.
A FIEMS reconhece a competitividade das linhas de crédito da Finep, a maioria voltada a pesquisas desenvolvidas por instituições de ciência e tecnologia. Além disso, aponta dificuldades para encontrar editais compatíveis com a realidade das empresas. Segundo a entidade, a contratação segue uma ordem burocrática: se um edital dispõe de R$ 50 milhões e o primeiro projeto aprovado solicita todo esse valor, os recursos se esgotam. Assim, além de haver um limite de recursos disponível, a ordem de chegada faz diferença. Se o projeto não estiver bem estruturado quando for apresentado, a oportunidade pode ser perdida.
Projetos em operação
A Finep informa também que suas linhas de financiamento, tanto diretas quanto descentralizadas, permanecem disponíveis para empresas do Estado. Nesse caso, ressalta que não opera por meio de editais.
No caso específico do programa Finep Mais Inovação, a indústria estadual registra dois projetos. Em 2024, houve uma operação de crédito direto de R$ 225,7 milhões para a implementação de um polo de produção de biometano a partir da vinhaça, a fim de substituir o diesel utilizado nas operações agroindustriais pela Adecoagro.
Já em 2025, a agência liberou um crédito não reembolsável de R$ 14,9 milhões para a Universidade Católica Dom Bosco desenvolver uma plataforma biológica para o tratamento de feridas, com potencial para acelerar a cicatrização. O projeto inclui um hidrogel, além de testes de segurança e eficácia. Essa iniciativa integra os R$ 108,1 milhões disponibilizados no ano passado.
A Finep assegura ainda que 30% do orçamento do FNDCT são reservados para projetos de empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.



