Boom imobiliário pressiona Três Lagoas com chegada de novos trabalhadores
Retomada da UFN3 e obras em Inocência elevam aluguéis, reduzem oferta de imóveis e preocupam setor
A retomada das obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III) e o avanço de grandes empreendimentos industriais na região voltaram a aquecer o mercado imobiliário de Três Lagoas, a 326 km de Campo Grande. Nos últimos meses, a procura por imóveis para alugar disparou, impulsionada tanto pela chegada de trabalhadores ligados à unidade de fertilizantes quanto por profissionais que atuarão na fábrica de celulose em Inocência, mas optam por morar em Três Lagoas devido à melhor infraestrutura.
RESUMO
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A retomada das obras da UFN3 e a expansão industrial em Inocência estão aquecendo o mercado imobiliário de Três Lagoas. A oferta de imóveis para locação praticamente se esgotou, e aluguéis chegaram a dobrar de valor em novos contratos. Trabalhadores de vários estados escolhem o município pela melhor infraestrutura. O setor busca acelerar novas construções para atender à demanda crescente.
O panorama lembra a expansão vivida pelo município durante a instalação das primeiras fábricas de celulose. Embora a cidade tenha ampliado significativamente sua oferta de imóveis desde então, o setor já alerta para um novo déficit habitacional e para uma escalada nos preços dos aluguéis.
Delegada regional do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) e proprietária de uma imobiliária que atua na cidade desde 1987, Ana Helena Araújo Matsumoto afirma que a mudança começou a ser percebida há cerca de dois a três meses.
Segundo ela, a oferta de imóveis para locação praticamente se esgotou, enquanto empresas e novos profissionais passaram a buscar moradias na cidade. Em alguns casos, o valor dos aluguéis dobrou de um contrato para outro. Ana Helena cita como exemplo um imóvel alugado por R$ 1,5 mil que, após a saída do inquilino, foi locado na semana seguinte por R$ 3 mil.
Para a empresária, o movimento não é provocado apenas pela retomada da UFN3. A expansão industrial de Inocência também tem impacto direto sobre Três Lagoas, já que muitos trabalhadores preferem morar no município vizinho, onde encontram mais opções de comércio, serviços, saúde e educação.
Ela avalia que a cidade dificilmente terá moradias suficientes para absorver toda a demanda prevista. Por isso, o mercado tem procurado construtores para acelerar novos empreendimentos, repetindo uma estratégia adotada durante o ciclo de expansão da indústria de celulose.
Outra alternativa estudada pelo setor é incentivar proprietários de ranchos às margens do rio a alugarem suas casas na cidade ou até mesmo se mudarem temporariamente para essas propriedades, liberando imóveis urbanos para locação.
Além da falta de imóveis, Ana Helena relata que aumentou também a busca por compra de casas e apartamentos. Segundo ela, alguns trabalhadores preferem adquirir um imóvel diante da dificuldade para encontrar aluguel disponível.
O aquecimento também reflete no próprio mercado imobiliário. Atualmente, Três Lagoas conta com cerca de 650 corretores de imóveis, número que continua crescendo com a chegada de novos profissionais e pessoas buscando qualificação para atuar na área.
Cidade escolhida - Enquanto a reportagem entrevistava Ana Helena, um casal recém-chegado de Santa Catarina entrou na imobiliária em busca de um imóvel para morar. O engenheiro eletricista José Antônio da Silva Sardá, de 29 anos, veio transferido por uma empresa de gestão de projetos que atua na construção da fábrica de celulose em Inocência. Ao lado da esposa, a fisioterapeuta Maria Eduarda Serafim Sardá, de 27 anos, e da filha de um ano e dez meses, ele desembarcou em Três Lagoas na própria sexta-feira e seguiu diretamente para procurar uma casa.
A família decidiu morar em Três Lagoas porque considera que Inocência, município com cerca de 3 mil habitantes, não possui estrutura suficiente para receber o contingente de trabalhadores previsto para a obra.
José Antônio ficará hospedado no alojamento da empresa durante a semana e retornará para a casa da família nos fins de semana. Segundo ele, profissionais de diversos estados, como Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás, estão chegando à região para atuar no empreendimento.
Confira a galeria de imagens:
Construção acelerada - O aumento da demanda também já impulsiona novos investimentos privados. A empresária do ramo de confecção Jesilaine dos Santos Araújo Queiroz conta que sua família atua na construção de kitnets, lofts e casas para locação. Segundo ela, os imóveis são alugados praticamente assim que ficam prontos.
Recentemente, oito unidades foram concluídas e todas foram ocupadas imediatamente. Ela afirma que uma empresa ligada à UFN3 chegou a procurar 24 imóveis de uma só vez para acomodar funcionários, mas não havia unidades prontas para atender à demanda.
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