Metade dos adolescentes diz ficar mais tempo online do que gostaria
Pesquisa aponta impacto no sono, nos estudos e sensação de pouco controle sobre o ambiente digital
O uso da internet ocupa mais tempo do que o desejado para metade dos adolescentes brasileiros. É o que mostra a pesquisa Adolescência Sem Filtro, divulgada nesta quarta-feira (12), no Dia Internacional da Juventude.
RESUMO
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O levantamento ouviu 505 adolescentes de 13 a 17 anos, de todas as regiões do País, entre 15 e 25 de junho. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Alana em parceria com a agência Koga e tem margem de erro de 4,39%, com nível de confiança de 95%.
Os números mostram que a insatisfação não está restrita ao tempo diante das telas. Cerca de 40% dos entrevistados afirmaram que perderam qualidade do sono e tempo dedicado aos estudos. Percentual semelhante disse se sentir mais dependente do celular e da internet do que há dois anos.
Outro dado chama atenção para a quantidade de horas conectadas. Quase 80% permanecem na internet por mais de três horas por dia. Entre eles, 22% ficam conectados de cinco a seis horas, 11% de sete a oito horas e 15% ultrapassam oito horas diárias.
Ao mesmo tempo, a relação dos jovens com a internet não é vista apenas de forma negativa. Para 71%, o ambiente digital proporciona diversão com frequência ou sempre, enquanto 63% relacionam o uso à sensação de felicidade. Por outro lado, 27% relatam cansaço, 23% raiva e 22% ansiedade durante a navegação.
A pesquisa também indica que os adolescentes identificam problemas no ambiente digital. Para 71%, a internet deveria ser melhor no futuro. Apesar disso, apenas 19% acreditam ter capacidade de contribuir para essa transformação. Outros 9% chegaram a responder que seria melhor se a internet deixasse de existir.
Quase metade dos participantes, 49%, também acredita que o uso da internet reduziu a própria criatividade.
Parte dos jovens já tenta controlar a forma como utiliza as plataformas. Entre as medidas mais citadas estão bloquear contas ou conteúdos, prática adotada por 44%; denunciar perfis ou publicações consideradas inadequadas, por 37%; fazer períodos de pausa, por 32%; desinstalar aplicativos, por 26%; e limitar o tempo de tela, por 24%. Apenas 12% disseram não adotar nenhuma estratégia.
Apesar das críticas, 66% afirmam que a relação com a internet melhorou nos últimos dois anos. Outros 25% não perceberam mudança e 9% consideram que a situação piorou.
Mais da metade, 57%, diz ter atualmente maior controle sobre o tempo que permanece online. Outros 53% afirmam ter passado a valorizar mais os encontros presenciais e os momentos longe das telas.
Uma das etapas da pesquisa também contou com participação direta de adolescentes na elaboração do estudo. Oito jovens receberam treinamento para entrevistar outros 128 participantes. As conversas serviram como base para a definição das perguntas utilizadas posteriormente no levantamento quantitativo.
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