ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
SETEMBRO, TERÇA  22    CAMPO GRANDE 26º

Interior

Justiça manda soltar gerente de clínica interditada por cárcere e tráfico

Investigado foi detido na operação que encontrou paciente impedido de sair; dono da unidade segue preso

Por Gustavo Bonotto e Helio de Freitas, de Dourados | 22/09/2026 19:51
Justiça manda soltar gerente de clínica interditada por cárcere e tráfico
Cesta de medicamentos utilizada em clínica autuada na Operação Cura Terapêutica. (Foto: Reprodução processual)

O gerente da Clínica Vila Bethânia Centro Terapêutico, Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, conseguiu habeas corpus na 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), 35 dias depois de ser preso durante a Operação Cura Terapêutica, em Glória de Dourados, município a 282 quilômetros de Campo Grande. A decisão, expedida no fim da tarde desta terça-feira (22), permite que ele deixe a prisão, mas impõe quatro obrigações enquanto o processo continua.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Marcos Pereira de Matos, gerente da Clínica Vila Bethânia, obteve habeas corpus no TJMS 35 dias após ser preso na Operação Cura Terapêutica, em Glória de Dourados. Ele deverá comparecer periodicamente à Justiça, não poderá frequentar locais determinados nem sair da comarca sem autorização. O dono da clínica, Fábio Garcia do Amaral, segue preso, mas a defesa pretende pedir a extensão da decisão a ele.

Marcos terá de comparecer periodicamente à Justiça para informar suas atividades, não poderá frequentar locais determinados pelo juízo nem manter contato com pessoa indicada no processo. Ele também fica proibido de sair da comarca sem autorização. O próprio documento alerta que o descumprimento dessas condições pode levar à revisão da liberdade concedida. O documento foi assinado pelo desembargador José Ale Ahmad Netto.

A decisão muda a situação enfrentada pelo gerente desde o fim de agosto, mas não altera a situação de Fábio Garcia do Amaral, dono da clínica. Em 27 de agosto, o próprio magistrado havia rejeitado um pedido para libertá-lo antes do julgamento do habeas corpus e decidiu aguardar novas informações sobre a investigação.

No entanto, a defesa pretende agora pedir que o TJMS estenda a mesma decisão ao empresário. Fontes ouvidas pela reportagem disseram que o benefício concedido pela 2ª Câmara Criminal pode ser estendido em uma análise posterior.

Histórico - O caso começou em 18 de agosto, quando Marcos e Fábio foram presos durante uma operação que investigava o funcionamento da Vila Bethânia, na zona rural de Glória de Dourados. Na clínica, um paciente de 22 anos relatou que estava no local contra a própria vontade e que não podia deixar o estabelecimento. As equipes também encontraram medicamentos sujeitos a controle especial, circunstâncias que levaram à prisão dos dois responsáveis pela unidade.

Dois dias depois, a Justiça decidiu manter Marcos e Fábio presos durante o andamento da investigação. A Vila Bethânia também foi interditada, e a apuração passou a reunir documentos sobre internações, funcionamento da unidade e a administração de outras clínicas ligadas ao mesmo grupo.

Nas semanas seguintes, a investigação apontou que estabelecimentos apresentados formalmente como empresas diferentes compartilhavam funcionários, administração e estrutura. Os documentos reunidos no caso também mostraram que essas unidades apareciam separadamente em processos de internação custeados pelo poder público, apesar das ligações entre seus responsáveis.

O levantamento identificou ao menos R$ 1 milhão em recursos destinados a internações entre 2023 e 2025.