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Economia

Com 60% do PAC concluídos, governo federal quer blindar obras estratégicas de MS

Obras prioritárias de logística e desenvolvimento no estado estão garantidas, assegura secretário do Novo PAC

Por Viviane Monteiro | 12/06/2026 10:06
Com 60% do PAC concluídos, governo federal quer blindar obras estratégicas de MS
BR-267, em Mato Grosso do Sul, restaurada pelo Novo PAC (Foto: divulgação/Dnit)

Com 60% dos recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) executados em Mato Grosso do Sul, impulsionados pelos projetos de infraestrutura, “os investimentos   estratégicos” deverão ser preservados apesar do corte bilionário promovido pelo governo federal nas contas públicas. A afirmação é do secretário especial do PAC, vinculado à Casa Civil, Roberto Garibe, em entrevista ao Campo Grande News. Ele fez um balanço da execução do programa no Estado, desde 2023.

RESUMO

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Com 60% dos recursos do Novo PAC executados em Mato Grosso do Sul, o secretário especial Roberto Garibe afirma que os R$ 10,3 bilhões já aplicados dos R$ 17,2 bilhões previstos representam o maior conjunto de investimentos federais da história recente do Estado, com 659 empreendimentos em sete eixos temáticos e 180 obras concluídas até dezembro de 2025, mesmo diante do bloqueio federal de R$ 23,7 bilhões no orçamento.

Recentemente, o governo federal anunciou o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento para cumprir as metas fiscais deste ano e analisa programação de ações do PAC.

Segundo Garibe, já foram aplicados R$ 10,3 bilhões no Estado, o equivalente a 60% dos R$ 17,2 bilhões previstos na atual gestão. O valor representa “o maior conjunto de investimentos federais da história recente de Mato Grosso do Sul”, disse.

Do total, R$ 15,7 bilhões correspondem a aportes diretos no Estado. Os R$ 1,5 bilhão restantes têm alcance regional. Ou seja, financia iniciativas compartilhadas com outros estados.

A estratégia do programa é priorizar projetos estruturantes capazes de reduzir gargalos de infraestrutura, aprimorar a logística, ampliar a oferta de serviços públicos e estimular o desenvolvimento regional. O secretário assegura que os recursos estão garantidos para as obras em andamento.

“A prioridade é garantir que os investimentos que mais impactam a vida da população e a competitividade de Mato Grosso do Sul cheguem até o fim.”

No Estado, o eixo de transportes reúne pelo menos oito empreendimentos estratégicos para o escoamento da produção agropecuária e industrial. A ideia é reduzir entraves logísticos históricos.

Centenas de projetos

Ao todo, o Novo PAC estadual reúne 659 empreendimentos distribuídos em sete eixos temáticos: saúde, educação, saneamento, infraestrutura social, transporte, energia e conectividade. Até dezembro de 2025, 180 obras haviam sido concluídas, enquanto outras avançam para as etapas finais.

De acordo com Garibe, os projetos ativos representam 74% da carteira estadual de investimentos. “O ritmo de execução reflete tanto as entregas já realizadas quanto a carteira robusta que permanece em obras.” Outra parcela dos projetos encontra-se em fase de licitação, com destaque para a futura concessão da Ferrovia Malha Oeste.

Segundo o secretário, a estrutura do programa, que combina recursos públicos, investimentos privados por meio de concessões e aportes de estatais, contribui para manter o cronograma das iniciativas mesmo diante de restrições orçamentárias. “Os investimentos públicos diretos sustentam a maior parte das obras sociais, como saúde, educação, saneamento e moradia.”

Com 60% do PAC concluídos, governo federal quer blindar obras estratégicas de MS
Titular da Secretaria do Novo PAC, Roberto Garibe (Foto: Ascom/Casa Civil)

Infraestrutura logística

Para Garibe, pelo menos três iniciativas têm potencial para transformar a infraestrutura e a economia do Estado nos próximos anos.
A principal é a concessão da BR-163/MS, eixo fundamental para o transporte da produção do Centro-Oeste aos portos da Região Sul do país. Licitada em agosto de 2025 para a Motiva Pantanal, o empreendimento prevê R$ 4,86 bilhões em investimentos nos primeiros anos da concessão, valor que representa o maior aporte individual da carteira do Novo PAC no Estado, disse Garibe.

“A adequação e a manutenção qualificada da rodovia têm impacto direto na competitividade da cadeia produtiva de todo o Estado.”

Desde a assinatura do acordo, em agosto de 2025, 22,1% das obras previstas foram executadas. O secretário não informou se o percentual está alinhado ao cronograma original.

Ao longo dos 29 anos de contrato, os investimentos devem superar R$ 9,3 bilhões. Em nota ao Campo Grande News, a Motiva Pantanal fez um ligeiro balanço e informou que segue cumprindo o cronograma previsto para a nova fase da concessão, sob acompanhamento e validação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Nos três primeiros anos, são previstos cerca de R$ 2 bilhões em obras para ampliação da capacidade e à segurança viária.

Desde agosto de 2025, foram iniciadas 14 frentes de ampliação e melhorias, incluindo faixas adicionais em Mundo Novo e Itaquiraí, duplicações em Campo Grande, Jaraguari, Bandeirantes e São Gabriel do Oeste, além da implementação de retornos, vias marginais em Coxim e do primeiro dos três PPDs (Pontos de Parada e Descanso) previstos no contrato.

Ainda estão em curso serviços de conservação e manutenção dos 845,4 quilômetros da rodovia. A primeira obra concluída, em abril, após a repactuação do contrato, é uma faixa adicional entre os quilômetros 7 e 11 da BR-163/MS, em Mundo Novo. A entrega ocorreu antes do previsto, que era em agosto de 2026, informou.

Já o primeiro PPD, no km 638 da rodovia, em São Gabriel do Oeste, está em curso. Com R$ 18,9 milhões previstos, a estrutura deverá ser concluída até agosto de 2026 e contará com estacionamento para caminhões, áreas de descanso, refeitório, lavanderia, sanitários e espaços de convivência.

Com 60% do PAC concluídos, governo federal quer blindar obras estratégicas de MS
Outro trecho da BR-267, em Mato Grosso do Sul, que teve obras do Novo PAC (Foto: divulgação/Dnit)

Rota Bioceânica

Outro projeto prioritário é a Rota Bioceânica, corredor rodoviário internacional de 2.396 quilômetros que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Além de criar alternativa logística para as exportações brasileiras para Ásia, a nova rota deverá fortalecer a integração econômica regional. A expectativa é reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de mercadorias para mercados como a China, beneficiando diretamente Mato Grosso do Sul, principal porta de entrada brasileira da rota.

 “Com a conclusão da ponte e dos acessos rodoviários, o Estado passará a contar com uma ligação direta aos portos do Pacífico, consolidando Porto Murtinho como um dos principais eixos logísticos da integração sul-americana.”

O Brasil terá acesso à rota pela ponte que ligará Porto Murtinho à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. A travessia sobre o Rio Paraguai está em fase final de construção sob responsabilidade do governo paraguaio, por meio da Itaipu Binacional. Até agora, foram executadas 31% das obras de adequação dos trechos rodoviários e dos acessos à nova rota, com recursos do PAC.

O Novo PAC também destina R$ 551 milhões para adequação e construção de trechos da BR-267/MS, uma das principais ligações brasileiras com a futura ponte. A execução física da obra alcança 31%.

Integram ainda o corredor bioceânico os serviços de dragagem do Rio Paraguai. Dos R$ 95,7 milhões previstos, 27,4% já foram executados para ampliar as condições de navegabilidade. “São intervenções complementares que viabilizam o escoamento hidroviário pela Bacia do Prata”, afirmou Garibe.

Na área hidroviária, o governo federal também prepara a licitação da Hidrovia do Rio Paraguai, que poderá se tornar a primeira concessão hidroviária do país.

Outra obra em estágio avançado é a pavimentação da BR-419, entre Rio Verde de Mato Grosso e Aquidauana, com 75% de execução. Já o Contorno Rodoviário de Três Lagoas (BR-158/262), estratégico para o escoamento da produção do Vale da Celulose, alcançou 50% de conclusão dos R$ 229 milhões previstos.

Ferrovia Malha Oeste

O governo quer ainda ampliar a competitividade logística pela futura concessão da Ferrovia Malha Oeste. O edital é previsto para agosto. A proposta prevê integrar a Malha Oeste à ferrovia Nova Ferroeste, projeto que prevê conectar Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá (PR) com extensão de 1.567 quilômetros. O projeto depende da conclusão dos estudos técnicos e do licenciamento ambiental.

Já os R$ 584 milhões privados para modernização dos aeroportos de Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá, devem fortalecer tanto o transporte de passageiros quanto a movimentação de cargas de maior valor agregado.

Além das obras estruturantes, o Estado recebeu, entre 2023 e 2025, três pacotes de manutenção e restauração rodoviária, que somam R$ 1,2 bilhão para a conservação da malha viária federal.