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Economia

Com concorrência maior, Makro sente crise e fecha as portas após 16 anos

Por Edivaldo Bitencourt e Raíza Calixto | 02/10/2015 16:15
Comunicado no portão informa o fechamento de estabelecimento (Foto: Simão Nogueira)
Comunicado no portão informa o fechamento de estabelecimento (Foto: Simão Nogueira)

Com a concorrência acirrada no setor de atacarejo, como é conhecido o misto de atacado e varejo, com a inauguração de 10 novas lojas nos últimos três anos, o Makro, do grupo holandês SHV (Steenkolen Handeis Vareeniging), sentiu a crise econômica e fechou a loja em Campo Grande. O estabelecimento funcionava há 16 anos e demitiu 127 funcionários.

O fechamento ocorreu às 14h de ontem (1º). O fechamento foi comunicado ao Sindicato dos Comerciários pelo diretor de relações trabalhistas e sindicais da rede, Sérgio Garcia Campos. Ele alegou que o grupo vai fechar aquela unidade, mas não pretende desistir de Campo Grande.

Em nota, o Makro destacou que já começou a procurar terreno para reabrir outra unidade na Capital. Enquanto isso, o posto, que funciona com bandeira da BR Distribuidora e só vende no dinheiro, vai continuar funcionando normalmente.
“Ele contou que não pretende abandonar Campo Grande”, contou o diretor secretário do Sindicato dos Comerciários, Nelson Benitez. O pagamento das rescisões dos comerciários será pago em 10 dias.

Além da crise, um dos motivos do fechamento seria estratégico, porque a loja fica na Avenida Consul Assaf Trad, na saída para Cuiabá, a 6,6 quilômetros do Centro da Capital.

Para Neuza, os funcionários demitidos são os que mais estão sofrendo.(Foto:Simão Nogueira)
Para Neuza, os funcionários demitidos são os que mais estão sofrendo.(Foto:Simão Nogueira)
João Bento saia do bairro Aero Rancho a cada dois meses para fazer compras no mercado.(Foto:Simão Nogueira).
João Bento saia do bairro Aero Rancho a cada dois meses para fazer compras no mercado.(Foto:Simão Nogueira).

Durante quase uma década, o Makro só tinha um concorrente na cidade, o Atacadão, do grupo francês Carrefour. Nos últimos anos, a rede viu a concorrência ficar acirrada com a chegada de 10 novos estabelecimentos, sendo uma loja do Atacadão, cinco do Fort Atacadista, do grupo Pereira, e duas da rede Assaí, do grupo Pão de Açúcar.

O fechamento só surpreendeu o pastor João Bento da Costa, 59 anos, que saiu do Conjunto Aero Rancho, na saída para Sidrolândia, para comprar cadeiras. Ele viu o recado no portão, no qual a rede agradecia os funcionários e comunicava o fechamento. Bento contou que ia a cada dois ou três meses para comprar cadeiras para a igreja no local.

A governante Neuza Paiva de Azevedo, 52, avaliou que os moradores da região não perdem, porque há outros estabelecimentos. Na Avenida Consul Assaf Trad, há lojas do Atacadão e do Assaí. Ela acha que só os funcionários perdem, porque ficaram sem emprego.

Militar do Exército, Allan Marques, 20, também não ficou chateado com o fechamento. Ele contou que a rede vendia produtos com valores mais caros do que os preços praticados por supermercados menores na região.

O grupo holandês SHV tem 130 lojas em cinco países da América do Sul: Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela. Só no Brasil, eram 78 lojas com a unidade de Campo Grande. O Makro chegou a Campo Grande no final dos anos 90 do século passado, quando houve uma política de ampliação em todas as regiões do País.

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