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Economia

Com frigoríficos "parados", produtores de MS querem importar gado paraguaio

Alguns setores questionam a alternativa com receio de trazer a febre aftosa ao rebanho brasileiro

Por Guilherme Correia | 24/02/2021 09:47
Rebanho é guiado em fazenda no município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul (Foto: Silas Lima/Arquivo)
Rebanho é guiado em fazenda no município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul (Foto: Silas Lima/Arquivo)

Esperando definição por parte do Ministério da Agricultura, sindicato de Mato Grosso do Sul sugere importar bovinos do Paraguai como forma de suplantar a redução de gado para abate no Brasil. A medida é vista, para alguns, como arriscada devido a preocupações com a febre aftosa.

O Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul) solicitou autorização junto à pasta federal para trazer animais vivos do país vizinho. De acordo com a organização, dois frigoríficos foram paralisados no Estado, reduzindo em 20% a produtividade total neste início de ano.

A pauta sanitária foi levantada por alguns pecuaristas de Mato Grosso, estado vizinho que detém maior quantidade de bovinos do País. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o consultor-técnico da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Amado de Oliveira se posicionou contra a hipótese. “Estamos há quase três décadas sem ter problemas com febre aftosa. Por causa de uma questão sazonal, de clima e falta de bezerros por conta do abate de fêmeas, querem criar problema dessa ordem”, afirmou.

Falta de gado – Na mesma publicação, o vice-presidente do Sicadems, Régis Comarella, aponta que Mato Grosso do Sul tem boa estrutura de fiscalização e inspeção de biossegurança. “As barreiras sanitárias são eficazes. A importação não geraria esse risco, até porque o Paraguai vem investindo muito no combate da aftosa”, argumentou.

Ao Campo Grande News, Comarella confirma a posição e acrescenta que o mercado de carnes está sem oferta de matéria-prima bovina, com queda expressiva de aproximadamente 20% nesse quesito em janeiro de 2021. Conforme ele, a tendência nacional é de que caia em até 40% em fevereiro.

Por isso foi solicitado, junto ao Ministério da Agricultura, a importação desse boi. Ele não se manifestou ainda, vai passar por várias comissões para ver e estamos aguardando se manifestar”.

O vice-presidente do Sicadems também cita que há uma problemática envolvendo a venda de de gado bovino para o mercado de dentro e fora do Brasil. “O mercado interno tem um consumo muito abaixo do esperado e as exportações estão travadas. O preço da arroba perto de R$ 290 não ‘fecha a conta’ para o frigorífico exportar, enquanto no Paraguai sai por U$ 43 [R$ 227,22] e está mais barato”.

Outro fator que agrava a situação mercadológica da pecuária é o período de seca, que subiu o valor do alimento para esses animais. “O pessoal confina menos, e por isso os bois que eram para sair [serem abatidos] agora já saiu antes por causa da seca e está dando esse vácuo”.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há uma tendência de redução na quantidade de abates bovinos ao longo dos últimos dois anos no País. Foram 7,2 milhões no quarto trimestre de 2020, pouco abaixo do que o número verificado no trimestre anterior, 7,5 milhões. Em Mato Grosso do Sul, a pesquisa ainda não foi disponibilizada referente aos últimos três meses do ano passado.

A reportagem solicitou posicionamento e atualização dos trâmites por parte do Ministério da Agricultura, mas não foi respondida até o momento de publicação.

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