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Campo Grande, Terça-feira, 17 de Julho de 2018

15/01/2018 16:46

Com proximidade da colheita de soja, produtor acelera escoamento de milho

São estimadas 1,7 milhão de toneladas de milho nos armazéns de MS

Osvaldo Júnior
Caminhões com carregamento de milho em fazenda de Maracaju (Foto: Lucimar Couto)Caminhões com carregamento de milho em fazenda de Maracaju (Foto: Lucimar Couto)

O número crescente de caminhões nas estradas de Mato Grosso do Sul é indicativo do momento atual do agronegócio: os produtores correm para escoar milho e liberar espaço nos armazéns para a soja, que começa a ser colhida em duas semanas. São estimados 1,7 milhão de toneladas de milho estocados, o que corresponde a 17% de toda safra.

Esse volume, estimado pela Granos, é historicamente alto e pode causar choque das safras de milho e soja. Em 2017, em igual período, havia volume inferior a 1 milhão de toneladas de milho, conforme informou o consultor da Granos, Carlos Ronaldo Dávalos. “O estoque de passagem deste ano está muito alto”, alertou.

O cenário se relaciona à oferta mundial elevada e a consequente desvalorização do milho. Histórico de cotações da Granos mostra que a saca de 60 quilos do cereal custava, em média, R$ 23,06 nas principais praças de Mato Grosso do Sul no dia 9 deste mês (último fechamento). Na mesma data de 2017, o valor médio era de R$ 27,06. Essa diferença representa queda de 14,78%.

Situação semelhante ocorre com a soja. Conforme Dávalos, há aproximadamente 570 mil toneladas de “soja velha”, da safra anterior, nos armazéns de Mato Grosso do Sul. O volume, também elevado, decorre da desaceleração da comercialização em um contexto de depreciação da oleaginosa. A cotação média da saca de 60 quilos era de R$ 63,5 no dia 9 deste mês. A redução é de 2,3% em relação ao valor médio de igual data do ano passado (R$ 65).

Oferta em alta – A tendência é de continuidade da trajetória de queda de preços, devido à oferta mundial elevada – no caso da soja, a quantidade a ser colocada no mercado é ainda maior, devido à colheita que tem início em fevereiro.

A alta oferta é impulsionada, sobretudo, pelos números dos estoques norte-americanos. Em relatório divulgado na sexta-feira (dia 12), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou as estimativas para estoques finais de soja e de milho.

A quantidade relativa à soja ao fim da temporada 2017/18 aumentou de 445 milhões de bushels (12,11 milhões de toneladas) para 470 milhões de bushels (12,8 milhões de toneladas). Quanto ao milho, as projeções dos estoques finais foram elevadas de 2,437 bilhões para 2,477 bilhões de bushels (61,9 milhões para 62,9 milhões de toneladas).

Lavoura de soja em Maracaju; grão começa a ser colhido em fevereiro; ao fundo, caminhões com milho (Foto: Lucimar Couto)Lavoura de soja em Maracaju; grão começa a ser colhido em fevereiro; ao fundo, caminhões com milho (Foto: Lucimar Couto)

Mesmo com chuva – Sem previsão de melhoria de preços e com necessidade de liberar espaço para a soja, os produtores aceleram o carregamento do milho, mesmo com as chuvas das últimas semanas. “De modo geral, o excesso de chuva atrapalha”, nota o agricultor Danilo Kudiess, 55 anos, que está há 20 anos em Maracaju, município com maior produção de grãos em Mato Grosso do Sul.

Em uma área de 5,3 mil hectares e com produtividade de 88 sacas por hectare, Kudiess conseguiu colher aproximadamente 150 mil sacas de milho em sua propriedade, a fazenda São Felipe. 

Assim como os demais produtores do Estado, Kudiess estocou milho em grande volume. Desde dezembro, no entanto, ele vem acelerando a entrega do grão. Em dias de céu aberto, entre uma chuva e outra, caminhões têm feito o carregamento. Dessa forma, ele esgotará todo estoque de milho antes de começar a colher soja.

Na sexta-feira (12), 17 caminhões saíram carregados de milho da propriedade do agricultor e, nesta semana, outros carregamentos esgotam a quantidade armazenada, estimada pelo agricultor em 300 toneladas. “Vou começar a colher soja de 5 a 10 de fevereiro”, planeja. “Então, não vou ter problema com estoque de milho. Vai estar tudo zerado”, projeta o produtor.

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