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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019

02/01/2019 10:34

Com só R$ 44 a mais, reajuste é decepção para quem ganha o mínimo

Trabalhador reclama que aumento faz “nem cócegas” no orçamento mensal

Anahi Zurutuza, Mirian Machado e Bruna Pasche
Movimentação na região central de Campo Grande, onde funciona comércio mais popular (Foto: Henrique  Kawaminami)Movimentação na região central de Campo Grande, onde funciona comércio mais popular (Foto: Henrique Kawaminami)

Para quem ganha 1 salário mínimo ou perto disso, o reajuste de R$ 44, oficializado na noite desta terça-feira (1º), não fará “nem cócegas” no orçamento mensal. Em seu primeiro ato econômico, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou decreto que aumenta o piso salarial no Brasil em 4,6% - de R$ 954 para R$ 998.

Tradicionalmente, esse decreto é publicado nos últimos dias de dezembro, mas Michel Temer (MDB) deixou a tarefa para seu sucessor.

O aumento foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União e foi assinado por Bolsonaro e pelo novo ministro da Economia, Paulo Guedes. Apesar do acréscimo, o valor ficou abaixo dos R$ 1.008 aprovados pelo Congresso Nacional.

Fato é que pelas ruas da Capital, o aumento não agradou. “É triste por que a gente estava com uma expectativa nesse governo, mas pelo jeito vai ser igual a todos, já começou mal. É uma vergonha esse aumento, esperávamos pelo menos R$ 1 mil”, analisou a auxiliar de limpeza Marina Malvina dos Santos, 59.

Ela disse que continuará tendo dificuldade para manter a família. “Como uma família sobrevive com um salário desses sendo que todo o resto aumenta? Você tem que ficar escolhendo qual conta pagar, se precisar de um remédio mais caro vai ter que escolher ficar devendo alguém, não tem para onde correr”.

Ademir Rios, de 46 aos, reclama que aumento de salário mínimo não dá para nada (Foto: Marina Pacheco)Ademir Rios, de 46 aos, reclama que aumento de salário mínimo "não dá para nada" (Foto: Marina Pacheco)

Colega de Marina, Lindamar Ferreira da Silva, 44, também esperava um 2019 com mais dinheiro no bolso. “Tudo sobe menos nosso salário, o passe de ônibus foi a R$ 4”, reclama.

O padeiro Ademir Rios, de 46 anos, afirma que R$ 44 “não dá para nada”. “Realmente não dá nada. Deve dar 4 pacotes de arroz e só. Hoje em dia está tudo difícil, tudo caro", comenta.

“O gás tá R$ 70, quase o dobro desse valor”, lembra outra entrevista que pediu para se identificar apenas pelo primeiro nome, Odiceia.

Renda média - A média salarial do sul-mato-grossense é de R$ 2,3 mil, conforme mediu o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada no dia 5 de dezembro.

Em 2017, o rendimento médio das mulheres em Mato Grosso do Sul foi de R$ 1.672, 25,5% menor do que o dos homens, que ganharam em média R$ 2.243.

Luiz Souza Paes, de 56 anos, é um dos trabalhadores que acredita que o mínimo ideal teria de ser cerca de R$ 2 mil. “Estes R$ 44 no máximo ajudam a pagar uma conta”.

Luiz Souza Paes, de 56 anos, calcula que o ideal seria o trabalhador receber R$ 2 mil por mês (Foto: Marina Pacheco)Luiz Souza Paes, de 56 anos, calcula que o ideal seria o trabalhador receber R$ 2 mil por mês (Foto: Marina Pacheco)

Salário ideal - A lei que criou o salário mínimo é de 1936 e foi assinada pelo então presidente Getúlio Vargas. Pela legislação, a remuneração mensal deveria satisfazer necessidades de alimentação, vestuário, habitação, higiene e transporte de um trabalhador.

Contudo, conforme apurou o portal Uol com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o valor está longe disso. Em novembro, por exemplo, o Dieese calculou que o mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 3.959,98. 

Em comunidades de Campo Grande, como a favela Morro do Mandela, tanto a renda média no Estado quanto o salário ideal são sonhos muito distantes.

Menor que o esperado – O reajuste foi menor porque hoje, pela regra estabelecida pelo governo Temer, o valor é reajustado pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mais o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores - foi de 1% em 2017.

Quando o Congresso votou o Orçamento, a expectativa era que a inflação medida pelo INPC fechasse 2018 em 4,2%. Agora, espera-se que fique em torno de 3,5%. O dado sai em 11 de janeiro.

 

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