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Economia

Correios adotam escala de trabalho 12x36 em meio a reestruturação financeira

Mudança mira eficiência na entrega, mas sindicato aponta risco de sobrecarga e perda de direitos

Por Ângela Kempfer | 25/03/2026 08:33
Correios adotam escala de trabalho 12x36 em meio a reestruturação financeira
Agência dos Correios em Campo Grande (Foto: Arquivo)

Os Correios anunciaram a adoção gradual da jornada de trabalho 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, conhecida como escala 12x36, como parte do plano de reestruturação da estatal. A mudança deve atingir setores específicos da empresa, principalmente aqueles que exigem funcionamento contínuo e maior rapidez na operação, como áreas ligadas à entrega de encomendas.

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Os Correios anunciaram a implementação gradual da escala de trabalho 12x36 em setores específicos da empresa, principalmente nas áreas de entrega de encomendas. A medida faz parte de um plano de reestruturação que visa modernizar os fluxos de trabalho e aumentar a eficiência operacional. A mudança enfrenta resistência da Fentect, que alerta sobre riscos de precarização do trabalho. A estatal, que acumula déficit anual superior a R$ 4 bilhões, também planeja outras medidas, como fechamento de agências e programa de demissão voluntária.

Segundo a empresa, a implementação não será imediata nem uniforme. A adoção da nova jornada dependerá da necessidade de cada setor e do ritmo das operações. A justificativa oficial é de que a medida busca modernizar os fluxos de trabalho e aumentar a eficiência, especialmente diante do crescimento do comércio eletrônico, que tem pressionado os serviços logísticos por mais agilidade.

Na prática, a escala 12x36 permite jornadas mais longas em um único dia, seguidas por um período maior de descanso. Para a direção dos Correios, esse modelo facilita o ajuste das equipes aos horários de maior demanda e amplia a capacidade operacional. A estatal afirma ainda que a mudança respeitará a legislação trabalhista e os direitos dos funcionários.

Mas o discurso institucional não convenceu quem está na ponta. A Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) reagiu com críticas diretas à medida. Para a entidade, a nova jornada representa precarização das condições de trabalho, com risco de sobrecarga física e mental dos funcionários. A federação também orienta os trabalhadores a não aceitarem acordos individuais, alegando que isso fragiliza a negociação coletiva.

O embate não ocorre no vazio. A adoção da escala está inserida em um pacote mais amplo de mudanças estruturais na empresa, que enfrenta um cenário financeiro delicado. Diagnóstico interno aponta déficit anual superior a R$ 4 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de mais de R$ 6 bilhões até setembro de 2025.

Diante desse quadro, os Correios vêm adotando uma série de medidas para tentar reequilibrar as contas. Entre elas, estão a captação de crédito bilionário, o fechamento de cerca de mil agências, a venda de imóveis considerados ociosos e a implementação de um Plano de Desligamento Voluntário, com expectativa de adesão de até 15 mil empregados.

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