Na esperança de voltar a andar, mais 2 pacientes recebem polilaminina na Capital
Eles são Maria José e Daniel, que ficaram tetraplégicos após acidente doméstico e de trabalho

Nesta segunda-feira (23), são realizadas em Campo Grande mais duas cirurgias com injeção da polilaminina, medicamento promissor para devolver movimentos a pessoas que sofreram lesões na medula. Embora esteja em fase de estudos, o uso compassivo foi autorizado pela Justiça por representar a última alternativa para os pacientes.
RESUMO
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Mais duas cirurgias com polilaminina, medicamento promissor para devolver movimentos a pessoas com lesões medulares, foram realizadas em Campo Grande. Os pacientes são a merendeira aposentada Maria José Gonçalves, 64 anos, e o montador industrial Daniel Aparecido Costa dos Santos, 32 anos. Os procedimentos ocorreram no Hospital Proncor, que cedeu gratuitamente o espaço. O medicamento foi fornecido pelo Laboratório Cristália, associado aos estudos da pesquisadora Tatiana Sampaio, da URFJ. Ambos os pacientes sofreram acidentes em dezembro do ano passado e obtiveram autorização judicial para o uso compassivo do medicamento.
Os operados são a merendeira aposentada Maria José Gonçalves, de 64 anos, e o montador industrial Daniel Aparecido Costa dos Santos, de 32 anos. As famílias acompanham, apreensivas, do lado de fora do centro cirúrgico. O encerramento deve ser perto das 14h.
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As cirurgias ocorrem no Hospital Proncor, em Campo Grande, que emprestou sem custos o espaço para os procedimentos e a recuperação. Já a polilaminina foi fornecida gratuitamente pelo Laboratório Cristália, que se associou aos estudos iniciados há mais de duas décadas pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e submeteu o medicamento à aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Os médicos que operam os dois vieram do Rio de Janeiro (RJ) e fazem parte da mesma equipe que cuidou do caso de Luiz Otávio Santos Nunez, a primeira pessoa em Mato Grosso do Sul a conseguir autorização para o uso compassivo. As famílias também não pagaram pelo serviço deles.
Espera e expectativa - A espera entre protocolar a ação judicial e fazer a cirurgia durou cerca de dois meses para Maria e Daniel. A esperança era alimentada a cada novo paciente no Brasil que conseguia a autorização prévia à finalização dos estudos junto à Anvisa. Hoje, esse número é de dezenas de pessoas.
A decisão favorável do juiz foi informada no último sábado (21). Tudo teve que ser organizado rapidamente.
As filhas de Maria, Rosimeire e Ana Paula Gonçalves, se abraçaram antes da cirurgia para aliviar a ansiedade. “Ah, a expectativa está mil. Estamos aí com uma esperança renovada de que algo de bom aconteça. É muita emoção ter essa oportunidade que tantas pessoas estão tentando", falou a primeira mulher à reportagem.
A esposa de Daniel, Andria Almeida, de 25 anos, compartilha dos mesmos sentimentos. "Espero, claro, que voltem todos os movimentos, mas se meu marido ganhar pelo menos um pouco de alguma coisa, já é uma vitória grande", afirmou.
A família de um terceiro possível paciente está no hospital. O processo com o pedido dele ainda tramita na Justiça, com previsão de que a decisão seja informada até às 17h.
Paraplégicos - Maria José ficou paraplégica após um acidente doméstico, enquanto Daniel ficou na mesma situação após ser vítima de um acidente de trabalho. Ela mora em Campo Grande e ele em Sidrolândia.
Os dois acidentes ocorreram em dezembro do ano passado. A melhor janela para o uso do medicamento é em até 72 horas após as ocorrências, porém, os estudos sustentam que resultados são prováveis quando os pacientes ainda não estão na fase crônica.


