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Economia

Decreto serve para prejudicar apenas um pequeno setor, reclamam empresários

Foco devia ser em policiamento de festas clandestinas e aumento de leitos, na visão de empresários

Por Caroline Maldonado | 11/06/2021 12:34
Donos de bares e restaurentes sentem que classificação de serviços essenciais ou não essenciais é o problema (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Donos de bares e restaurentes sentem que classificação de serviços essenciais ou não essenciais é o problema (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Donos de lojas, de bares e restaurantes dizem já nem saber mais como argumentar com o governo, diante da determinação de fechar, enquanto até igreja, academia, lotérica e ônibus continuam funcionando. Dessa vez, o governo sustenta que o risco de contágio da covid-19 é extremo e alguns empresários desabafam: “então, teria que fechar tudo, num lockdown que fosse resolver ou nada”.

As palavras são da proprietária do Sushi Joe, Léia Matozo, e resumem o sentimento de boa parte dos empresários diante das medidas que valerão a partir de domingo (13), na Capital e mais 42 cidades do estado.

“No mercado não existe covid? Só tem no restaurante e no bar?”, questiona a empresária.

Para Léia, as medidas deveriam ir além de um "lockdown só para um setor” e o foco deveria ser o policiamento para garantir o cumprimento das medidas restritivas que já vinham sendo impostas, quando valia a bandeira vermelha.

“No mercado eles até brincam que lá a covid não entra. A minha filha de 16 anos recebe convites de festas clandestinas direto. Por que o governo não intensifica essa fiscalização em vez de, novamente, fazer a gente pagar a conta?”, argumenta a empresária, que admite estar desanimada com a previsão de que “esse fechamento não vai resolver e é, mais uma vez, o setor sendo penalizado”.

A sensação é de um “lockdown concentrado” em determinados serviços. Não é que os lojistas e proprietários de restaurantes queiram que tudo feche, mas percebem o decreto como incoerente e sem efeito nenhum com o fechamento só de alguns segmentos, segundo os depoimentos colhidos pela reportagem.

Daí surgem alternativas diversas, mas os argumentos até então não convenceram os administradores públicos, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Luiz Vila.

Já foram apresentadas diversas alternativas ao poder público, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Luiz Vila (Foto: Kíssie Ainoã)
Já foram apresentadas diversas alternativas ao poder público, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Luiz Vila (Foto: Kíssie Ainoã)

Intercalar horários de funcionamento do shopping com o centro, por exemplo, seria uma medida viável que teria efeitos positivos. Rastrear esses convites de festas é outra coisa que poderia ser feita, mas não. Estão nos confinando, porque não dão conta da demanda de fiscalizar e providenciar leitos. São essas duas incompetências que estão acontecendo”, reclama Adelaido.

 A CDL prevê entrar com ação na Justiça contra o último decreto, que trouxe as novas regras do Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia).

O erro está na classificação do que é ou não serviço essencial, na visão do Presidente da Aejap (Associação de Empresários da Rua José Antônio), Rodrigo Hata. “Essa classificação de serviços essenciais ou não essenciais que nos prejudica. Todo trabalho é essencial. Principalmente, bares e restaurantes estão sendo os mais afetados com os decretos, mesmo os que funcionam com todo regramento e protocolos exigidos”, argumenta Rodrigo, que é proprietário do Bar Velfarre. Para ele, a decisão de fechar esses serviços não vai funcionar. “Deve-se dobrar a fiscalização em quem não cumpre os cuidados e regramentos, tanto pessoas físicas, quanto jurídicas. Imunizar toda a população será o melhor caminho”, sugere.

Erro está na classificação do que é ou não serviço essencial, na visão do presidente da Associação de Empresários da rua José Antônio (Aejap), Rodrigo Hata (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Erro está na classificação do que é ou não serviço essencial, na visão do presidente da Associação de Empresários da rua José Antônio (Aejap), Rodrigo Hata (Foto: Arquivo/Campo Grande News)


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