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Economia

Enquanto patrão "caça” trabalhador, funcionários fogem de salário baixo

Trabalhar o dia inteiro por salário de R$ 1,6 mil faz funcionário repensar

Por Izabela Cavalcanti e Geniffer Valeriano | 25/06/2024 10:15
Guichês de atendimento para quem procura emprego na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)
Guichês de atendimento para quem procura emprego na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)

Se por um lado tem patrão desesperado para contratar, por outro, tem o funcionário que “corre” de trabalhar o dia inteiro para receber um salário comercial. Para o empregado a conta não fecha no fim do mês. Alguns até definem a situação como ter que “pagar para trabalhar”.

Normalmente, a carga horária de trabalho semanal é de 44 horas, com até duas horas de almoço. Alguns estabelecimentos distribuem 8 horas de segunda a sexta-feira, e 4 horas aos sábados.

De acordo com a Fecomércio-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande, o salário comercial para empregados em geral é de R$ 1.693; auxiliar de comércio e office boy ganham R$ 1.528; e os comissionados com garantia mínima recebem R$ 1.860.

O Sam’s Clube, unidade da rede atacadista internacional em Campo Grande, apela para contratar pessoas. As vagas abertas são para confeiteiro, caixas, repositor de mercadorias, fiscal de prevenção e perdas, auditor de mercadorias e estoquista.

Em tom de desabafo, a mensagem para os clientes em grupo de WhatsApp diz: “Caros sócios, boa noite! Precisamos muito contratar pessoas e estamos com grande dificuldade. O mercado está cada dia mais desafiador. Por conta disso eu tenho que buscar soluções fora da caixa, e otimizar cada oportunidade. Portanto peço, com todo respeito aos que puderem, que divulguem nossas vagas”.

O proprietário da Beco Acessórios, Djalma Santos, comenta que existe, sim, dificuldade de mão de obra, e um dos problemas pode ser o horário.

“Nossa dificuldade maior é no final do ano. Mas existe, sim, um deficit de mão ele obra o ano todo. A carga horária, principalmente, levando-se em conta que sábado a jornada é estendida aqui no Centro, é sim fator decisivo, mais do que o salário”, pontuou.

Em maio, o Campo Grande News noticiou que a situação também reflete na rotatividade de funcionários do comércio.

Outro lado – Lucineia Ifran, de 29 anos, está procurando por vaga de serviço gerais em escolas. Está desempregada há 7 meses e lamenta sobre o salário pago no mercado.

Lucineia com carteira de trabalho na mão, enquanto espera por atendimento na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)
Lucineia com carteira de trabalho na mão, enquanto espera por atendimento na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)

“Acho que tem muitos querendo trabalhar, mas pagam pouco. É pagar para trabalhar, hoje não preciso pagar babá, mas já precisei por muito tempo e elas cobram 500 reais por criança. Para quem recebe 1.400 fica difícil. Acho que para ser um bom salário seria de 2 mil para cima", disse.

Lucia Brito, de 48 anos, decidiu deixar a diária de lado para procurar um emprego fixo, mas afirma que quer ganhar mais.

"Faz pouco tempo que estou procurando por emprego. Eu faço diárias, mas está sumindo, por isso resolvi procurar algo fixo. O salário que pagam também é muito pouco, não querem pagar muito, eu estou à procura de ganhar um pouquinho mais", comentou.

Outro exemplo é a Aline Cespede, de 35 anos, que está desempregada desde novembro do ano passado.

Aline esperando atendimento na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)
Aline esperando atendimento na Fundação Social do Trabalho (Foto: Henrique Kawaminami)

"Acho que o salário que estão pagando, que é de 1.400, é pouco, mas eu tenho que trabalhar, ainda mais sendo mãe solteira, então acabamos aceitando. Mas têm empresas que além do salário também dão vale alimentação, que acaba melhorando. Se fosse para escolher um salário que eu fosse receber, seria 2 mil porque já ajudaria um pouco mais", pontuou.

Trabalhadores - Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2022, Mato Grosso do Sul registrou um total de 845.260 pessoas ocupadas, com 687.589 trabalhadores assalariados, o que representa 81,3% do total.

As entidades empresariais são responsáveis pela maior parte desses empregos, com 73,8% (124.081 pessoas), seguidas pela Administração Pública, com 19,9% (168.022 pessoas).

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