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Economia

Estiagem grave antecipa fechamento de hidrovia no Rio Paraguai

Navegação parou dois meses antes do previsto, mas secretário não vê prejuízos

Por Adriel Mattos | 21/09/2021 17:38
Normalmente, navegação para entre novembro e fevereiro, mas interrupção vem começando cada vez mais cedo. (Foto: Chico Ribeiro/Subcom-MS)
Normalmente, navegação para entre novembro e fevereiro, mas interrupção vem começando cada vez mais cedo. (Foto: Chico Ribeiro/Subcom-MS)

A estiagem adiantou pelo segundo ano consecutivo a paralisação da navegação na Hidrovia Paraguai-Paraná, que corta o oeste de Mato Grosso do Sul. Normalmente, a interrupção começa em novembro, mas este ano foi no início de setembro.

A possibilidade disso acontecer já havia sido alertada pelo secretário de estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck. “Acredito que até o final de agosto a gente não opera mais. Temos o monitoramento pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e vemos uma redução pela falta de chuvas. Só está navegando ainda porque a Vale usa um sistema de barcaça”, disse no início de agosto.

Essa paralisação se prolonga de dois a três meses, em períodos normais. “É uma rotina habitual, que todos estão preparados. Mas isso vem se agravando a cada ano. Em fevereiro, normalmente volta, mas estamos à mercê da chuva”, explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Corumbá, Cássio Costa Marques.

Com as águas tão baixas, as barcaças das mineradoras Vale e Vetorial deixam de navegar em sua capacidade máxima. “O minério de Corumbá também abastece o mercado interno, é o que vem ajudando. A Argentina é um dos mercados compradores, mas essa seca violenta impacta muito a exportação”, avaliou Marques.

A situação preocupa, mas não chega a causar prejuízos, garante o secretário. “No turismo, até há restrição aos barcos, mas a seca não influencia, só a piracema”, pontuou.

Segundo o meterologista Natálio Abrahão, a região só deve ver chuva para valer nas próximas semanas. “Deve chover no domingo, mas chuva significativa só em outubro”, frisou.

Em nota, a Vale informou que mantém a navegação com embarcações menores. “A Vale está acompanhando as condições de navegação pelo rio Paraguai, cujo nível apresenta tendência ao declínio, e até o momento tem realizado os embarques com embarcações de baixo calado. A empresa utiliza logística multimodal (fluvial, rodoviário e ferroviário) para atendimento ao mercado, cuja operação é feita de forma segura, responsável e em constante diálogo com os órgãos públicos e comunidades, seguindo a legislação”, informou.

O Campo Grande News não conseguiu contato com a Vetorial. O espaço segue aberto para manifestação.

Outros rios - Boletim do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), divulgado nesta terça-feira (21), aponta que, entre os principais rios do Estado, apenas quatro estão sendo afetados pela estiagem. No Rio Aquidauana, apenas na cidade homônima as águas estão abaixo da cota com permanência de 95%, com 174 centímetros.

O Rio Pardo está com 281 cm. No Rio Piquiri, no Pantanal, o nível está em 190 cm. Já o Rio Aporé registrou 83 cm hoje.

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